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Você ainda confia no seu banco? Saiba o que alguns dos maiores gestores do planeta esperam da crise financeira

Depois de ler notícias alarmantes sobre bancos, quem garante que não estamos diante de uma crise similar à de 2008 (ou até pior)?

Fachada do Credit Suisse, que gere fortunas e fundos imobiliários, como o HGLG11, no Brasil
Fachada do Credit Suisse - Imagem: Shutterstock

Alguma vez você já parou pra pensar em como a confiança é a base de praticamente tudo que existe? 

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Você precisa confiar na estrutura do seu prédio para saber que está seguro ali dentro. 

Precisa confiar nas pessoas que tem por perto para que ninguém te passe a perna. 

Também precisa confiar nos professores do seu filho, para que lhe garantam que estão transmitindo uma educação de qualidade. 

Se, em qualquer dos casos, a confiança não existir, não há relação que persista. Pode reparar. 

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O que acontece quando se perde a confiança

A verdade é que, se há uma quebra de confiança, o experimento pode ser traumático. 

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Ou de alguém que teve um relacionamento que terminou por traição e agora fica sempre com um pé atrás?

Ou do cara que começou a investir em ações, perdeu dinheiro e nunca mais quis voltar pro mercado?

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Assim como um prédio precisa de uma fundação robusta para suportar toda uma estrutura, nós, seres humanos, precisamos de provas suficientes para criarmos (e mantermos) a confiança.

Bancos sob "tiro, porrada e bomba"

O mercado financeiro funciona da mesma forma. Quando os investidores acreditam na economia de um país, nas políticas governamentais e nas empresas em que investem, tendem a investir mais e a manter seus investimentos por mais tempo, o que pode ajudar a impulsionar o crescimento econômico e o desenvolvimento do mercado de capitais.

Caso contrário, como diria a letra de uma grande música contemporânea brasileira, é “tiro, porrada e bomba”. O investidor tende a resgatar massivamente o que tem investido, o que, nos piores casos, pode culminar em uma grande recessão. 

Em meros três meses, 2023 resolveu testar essa confiança, principalmente quando nos referimos ao sistema bancário. 

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Como o Alê comentou na última coluna, temos atravessado uma verdadeira tempestade e, com certeza, não é das mais fáceis.

No mês passado, tivemos dois casos de falência em instituições financeiras brasileiras: BRK e Portocred. Os bancos estavam passando por uma fase difícil há bastante tempo, atolados em dívidas, e tentavam cobri-las com títulos de renda fixa que pagavam uma rentabilidade de brilhar os olhos. 

Lógico que o risco era altíssimo, o que deveria ter sido colocado na balança por quem resolveu se arriscar ao comprar esses papeis. 

O desfecho dessa história foi triste para aqueles que estavam fora do teto de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), limitado a R$ 250 mil por CPF. 

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Lá fora, dizer que as coisas andam melhor seria eufemismo. 

SVB e Signature Bank nos EUA...

A semana passada foi abalada pelas notícias da falência do Silicon Valley Bank (SVB) e do Signature Bank, ambos bancos dos Estados Unidos.

Para quem perdeu o ocorrido, o que aconteceu nos EUA foi basicamente uma questão de liquidez. 

De forma simplificada, o SVB tinha um ativo de longo prazo (tesouro americano de 10 anos) e um passivo de curto (depósitos de startups). Com a alta de juros nos EUA, os títulos que o banco possuía passaram a valer menos e, com os consecutivos pedidos de resgates dos clientes, a falência foi inevitável.

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No final de semana depois do ocorrido, formaram-se filas em frente aos bancos regionais do país, de pessoas com medo do que poderia acontecer com o seu dinheiro, fenômeno já conhecido como “bankrun” (corrida bancária) - expondo a questão da desconfiança.

Para mitigar rapidamente a situação e evitar um grande alarde da população norte-americana, o Fed (banco central americano) e o FDIC (do inglês, Corporação Federal Asseguradora de Depósitos, similar ao nosso FGC) trabalharam juntos para garantir que os depósitos fossem honrados, mesmo aqueles acima dos US$ 250 mil.

O resultado? 

Mesmo depois de todos os esforços, as bolsas globais foram afetadas negativamente, principalmente no setor bancário. Nem os “bancões” se viram livres dos impactos negativos do ocorrido, com o Bank of America (BofA) derretendo 5,81%, o Citi caindo 4,47% e o Wells Fargo outros 4,79%. 

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Veja só: foi justamente o receio de que a falência afetasse o sistema todo que fez com que os acionistas minimizassem ao máximo a sua exposição ao setor. 

E paramos por aqui? 

Bom se fosse. 

...E Credit Suisse na Europa

Como se não bastasse, o Credit Suisse também foi alvo das manchetes nas últimas semanas, depois de vir a público afirmando que encontrou “fraquezas” em seus relatórios financeiros. 

O banco explicou que não conseguiu conter a saída de clientes da sua base, o que resultou em perdas de mais de US$ 120 bilhões. 

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Além disso, o Saudi National Bank, principal investidor do banco suíço, informou que não poderia fornecer mais assistência financeira à instituição, mesmo depois de ter se comprometido a investir cerca de US$ 1,5 bilhão no CS. 

Mais uma vez, bolsas globais foram afetadas pelo movimento, o que, novamente, atingiu diretamente a confiança do investidor perante todo um sistema. 

O governo suíço logo atuou para resolver a situação, intermediando a compra do Credit Suisse pelo UBS Group por US$ 3,2 bilhões no domingo (19), incluindo uma assistência de liquidez de US$ 108 bilhões por parte do Banco Nacional Suíço - SNB. 

Mas, depois de ler notícias alarmantes sobre o sistema bancário, quem garante que não estamos diante de uma crise similar à de 2008 (ou até pior)? 

Nós, da equipe Os Melhores Fundos de Investimento da Empiricus, tivemos a oportunidade de conversar com algumas das maiores gestoras especialistas em renda fixa do mundo, entre elas a Pimco, Franklin, Oaktree e Vanguard, para saber o que os gestores têm enxergado sobre o caso e o que pensam para o futuro do setor e do mercado como um todo. 

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De forma resumida, as gestoras acreditam que estamos em frente a um caso mais isolado e restrito a bancos regionais, que devem sofrer mais com os pedidos de resgate no curto prazo.

O sistema como um todo, segundo os mesmos, possui uma estrutura bem mais robusta do que existia até 2008, o que entrega uma confiança mais sólida ao setor. 

O maior barulho foi contido com as atitudes dos bancos centrais americano e suíço, o que, para eles, foi eficiente em neutralizar um caos desnecessário.

Bancos maiores têm recebido o fluxo de dinheiro de instituições menores, suportando bem quaisquer movimentos negativos de curto prazo. 

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Sendo assim, há uma segurança das grandes gestoras de que não devemos nos desesperar, somente monitorar (ainda mais de perto) onde estamos colocando o nosso dinheiro. 

Mas, claro, é tudo um grande exercício de confiança.

E você, o que acha? Já passamos pelo pior? Ou será que essas foram somente as primeiras peças do dominó a caírem?

Agora, você confia no seu banco?

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