Das cinzas, nasce um gigante: UBS eleva oferta e fecha acordo para compra do Credit Suisse por US$ 3,25 bilhões
O acordo foi costurado pelo BC da Suíça e deve resultar na maior combinação bancária da Europa desde a crise de 2008

O UBS foi obrigado a colocar mais dinheiro na mesa, mas, conforme confirmado pelos dois bancos, enfim fechou a compra do Credit Suisse. A transação supera os US$ 3,2 bilhões e será feita por meio de troca de ações.
Segundo informações do Financial Times, a primeira oferta havia sido de US$ 1 bilhão e foi rejeitada pelo Credit Suisse. A proposta aceita posteriormente contempla a troca de uma ação do UBS para cada 22,48 papel do Credit Suisse, elevando a soma total do negócio para US$ 3 bilhões de francos suíços (cerca de US$ 3,25 bilhões).
Vale destacar que as ações do Credit Suisse fecharam em 1,86 francos suíços na última sexta-feira (17), com o valor de mercado do banco em aproximadamente US$ 8 bilhões.
Nasce um gigante de US$ 5 trilhões em ativos
De acordo com o presidente do conselho de administração do UBS, Colm Kelleher, o negócio foi "atraente para os acionistas do UBS". "Mas, sejamos claros, no que diz respeito ao Credit Suisse, trata-se de um resgate de emergência", declarou em nota enviada à imprensa.
Já para o presidente do conselho de diretores do Credit Suisse, Axel P. Lehmann, a fusão anunciada representa o melhor resultado possível para o banco.
"Este tem sido um momento extremamente desafiador para o Credit Suisse e, embora a equipe tenha trabalhado incansavelmente para resolver muitos problemas significativos e executar sua nova estratégia, somos forçados a chegar a uma solução hoje que forneça um resultado duradouro", explicou Lehmann.
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A combinação resultará em uma instituição financeira unificada com US$ 5 trilhões em ativos. Além disso, o UBS destaca que permanecerá "bem capitalizado" e espera uma taxa anual de redução de custos de mais de US$ 8 bilhões até 2027.
"A aquisição das capacidades do Credit Suisse em gestão de patrimônio, gestão de ativos e serviços bancários universais suíços fortalecerá a estratégia do UBS de expandir seus negócios de capital leve. A transação trará benefícios aos clientes e criará valor sustentável de longo prazo para nossos investidores", prevê Kelleher.
Para Ralph Hammers, atual CEO do UBS e futuro comandante do novo banco, a combinação "apoia as ambições [do UBS] de crescimento nas Américas e na Ásia" e acrescenta escala aos negócios na Europa.
BC do país costurou acordo
A transação foi costurada pelo próprio Banco Central da Suíça (SNB) e pela Autoridade Supervisora do Mercado Financeiro Suíço (FINMA).
O objetivo com a união das duas maiores instituições financeiras do país — no que seria a maior combinação bancária da Europa desde a crise de 2008 — é evitar que as dificuldades enfrentadas pelo Credit contaminem todo o setor.
Para isso, as autoridades monetárias alteraram as leis suíças que exigem a aprovação dos acionistas em transações do tipo. UBS e Credit confirmaram que a compra não passará por votações.
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Qual é a situação atual do Credit Suisse?
Vale relembrar que, recentemente, o Credit Suisse havia obtido uma fôlego adicional com o anúncio de que o Banco Central do país havia fornecido uma linha de crédito de US$ 54 bilhões (R$ 285 bilhões).
Em comunicado conjunto, o BC e o órgão regulador do país afirmavam que o Credit possuía capital e liquidez para honrar o empréstimo.
O “PIX” emergencial veio depois que o principal acionista do Credit Suisse, o Saudi National Bank (SNB), se negou a ampliar a ajuda ao banco. O grupo saudita alega que não pode aumentar a participação na instituição, que já beira o limite de 10% estabelecido pelo regulador.
A notícia fez as ações do banco suíço recuperarem parte das perdas registradas nos últimos dias. Porém, a alegria do Credit Suisse poderia não durar muito sem a compra.
Isso porque o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 0,50 ponto percentual na última quinta-feira (16), frustrando as expectativas de que BCs pelo mundo poderiam reduzir o ritmo do aperto monetário com a quebra do Silicon Valley Bank (SVB), no final de semana.
Além disso, há temores de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) também suba os juros em meio ponto percentual na reunião da semana que vem.
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