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A Venezuela vai invadir a Guiana? Entenda a atrapalhada tentativa de Maduro de desviar a atenção de seu péssimo governo

Em plebiscito, os venezuelanos supostamente aprovaram a proposta de Maduro de anexar a rica região de Essequibo, disputada com a Guiana

Presidente da Venezuela
Nicolás Maduro está preocupado com as eleições de 2024 na Venezuela. Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo Agência Brasil

Durante o último fim de semana, os venezuelanos participaram de um plebiscito que aprovou, supostamente com mais de 95% de votos favoráveis, a proposta do presidente Maduro de anexar a região de Essequibo, rica em petróleo.

Mais de 10,4 milhões dos 20,7 milhões de eleitores elegíveis votaram.

Essa possível anexação representaria um absurdo geopolítico na América do Sul.

A região disputada, com cerca de 160 mil quilômetros quadrados (dois terços do território do país a que pertence), aproximadamente do tamanho da Flórida, pertence à Guiana desde sua independência, apesar das reivindicações históricas da Venezuela (até mesmo de antes da independência da Guiana).

O desespero de Maduro

A iniciativa de Maduro em reviver essa questão é vista como um ato de desespero para desviar a atenção pública da crise econômica e fomentar o nacionalismo. Todos sabem que o regime venezuelano se mostrou completamente incapaz de comandar o país.

Apesar da retórica, o risco de um conflito armado parece remoto, sem indícios de uma real intenção de invasão por parte do presidente venezuelano.

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Isso porque as consequências seriam enormes, incluindo novas rodadas de sanções abrangentes por parte dos EUA e aliados, bem como uma condenação diplomática quase universal, inclusive de parceiros regionais históricos da Venezuela.

Na verdade, o plebiscito parece ser uma manobra clássica para inflamar o nacionalismo antes das supostas eleições em 2024 (se é que vão ocorrer).

E qual a razão disso agora?

Atualmente, Essequibo abriga 125 mil dos cerca de 800 mil cidadãos da Guiana.

Em 1899, um tribunal arbitral internacional concedeu a área ao Reino Unido, que então controlava a Guiana Inglesa; contudo, a Venezuela nunca reconheceu essa decisão.

Caracas considera Essequibo como seu porque a região estava dentro de seus limites durante a época colonial espanhola, bem como nos primeiros anos que se seguiram a sua independência.

O governo da Guiana insiste em manter a fronteira determinada em Paris, em 1899, por um painel de arbitragem, ao mesmo tempo que alega que a Venezuela concordou com a decisão até mudar de ideia em 1962.

Duas décadas atrás, porém, o ex-presidente Hugo Chávez, procurando apoio internacional, havia arquivado a reivindicação territorial.

O que mudou agora foi que as recentes descobertas de petróleo offshore em Essequibo, pela ExxonMobil, levaram Maduro a tentar resgatar uma narrativa nacionalista, sugerindo que a nação foi despojada de sua riqueza.

Riqueza? Exatamente.

Essequibo é maior que a Grécia e abundante em recursos naturais, transformando o país na economia de crescimento mais acelerado do mundo na atualidade.

No mapa abaixo, da Bloomberg, a região em questão está marcada em verde, com as delimitações para a exploração nas águas do Oceano Atlântico, e o poço de petróleo destacado em amarelo.

Com a descoberta de petróleo, a Guiana ostenta as maiores reservas de barril per capita, enquanto a Venezuela detém as maiores reservas absolutas, mas sua produção tem estado bem abaixo do potencial por conta da situação econômica do país.

Diante do desastre dos anos de Maduro, o governo parece disposto a provocar uma crise internacional para evitar um vexame nas supostas eleições do ano que vem.

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Dessa forma, o plebiscito de Maduro pode ter implicações mais amplas do que parece: representa um desaforo não só para o governo brasileiro, mas também para outros presidentes sul-americanos.

No caso do Brasil, é um vexame especial, pois o território de Essequibo é praticamente inacessível, e os venezuelanos teriam que atravessar território brasileiro para chegar lá. Por isso, inclusive, mandamos tropas para a fronteira.

Com isso, a crise tem o potencial de impactar a imagem internacional da região em um aspecto altamente relevante: a relativa estabilidade geopolítica, uma das grandes vantagens em comparação com praticamente todas as outras regiões do mundo.

Este momento não poderia ser mais inoportuno.

No mês de novembro, testemunhamos o auge dos investimentos estrangeiros nas ações brasileiras, registrando o melhor desempenho do ano, com uma entrada líquida de mais de R$ 18 bilhões.

Justamente agora, quando os investidores estrangeiros começaram a retornar, estamos à beira de um potencial atrito regional que pode desencadear aversão por parte dos investidores internacionais. Seria verdadeiramente lamentável.

As ameaças de anexação já levaram o governo da Guiana a buscar ampliar sua cooperação de segurança com os EUA, inclusive considerando convidar o governo americano para estabelecer uma base militar.

Outra possibilidade é que, diante da crise fabricada artificialmente, Maduro anuncie estado de emergência para justificar o adiamento das eleições. Típico e previsível.

Anexação de Essequibo pela Venezuela é improvável

Atualmente, considero altamente improvável a criação de uma nova província venezuelana em Essequibo.

Embora o referendo tenha sido aprovado, duvido muito que a região esteja à beira da guerra, especialmente porque a China, aliada íntima da Venezuela, possui uma parte significativa da enorme descoberta de petróleo que Maduro reivindica.

De qualquer forma, a situação como um todo é embaraçosa e gera um ruído desnecessário em um momento no qual a última coisa que precisamos é de mais um problema, diante de tantos que se acumulam.

  • A entrada de dinheiro gringo na Bolsa brasileira bateu recorde em novembro, mas os investidores daqui ainda estão subalocados em ações, na opinião de Felipe Miranda, co-fundador do Grupo Empiricus. Veja os 10 papéis que todo brasileiro deveria ter na carteira agora acessando este relatório gratuito da Empiricus Research.
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