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O que o mais aclamado e tradicional modelo de alocação de carteiras, do prêmio Nobel Harry Markowitz, indicaria como investimento hoje?
Minha querida amiga e companheira de equipe Rafaela Ribas, neste Linha D’Água recente, excepcionalmente fez uma homenagem póstuma a uma das maiores mentes do mundo das finanças: o economista e Nobel Harry Markowitz.
Como detalhado em sua coluna, Markowitz foi responsável pelo primeiro modelo matemático de alocação de carteiras. Antes dele, investidores e gestores de fundos gerenciavam carteiras com base somente no instinto e na experiência passada.
Não me leve a mal, esses são dois fatores importantes para a construção de uma tese de investimentos — e muitas vezes é isso que faz um profissional ser acima da média. Mas o processo todo não pode ser definido apenas por fatores subjetivos.
O rigor de um modelo sistemático é indispensável para essas tomadas de decisões. E nisso Harry Markowitz foi pioneiro quando, em 1952, propôs um modelo que considerasse três fatores na construção de portfólio: retorno esperado, volatilidade esperada e covariância entre pares de ativos.
Markowitz descobriu que, ao combinar ativos descorrelacionados entre si – ou seja, que ganham dinheiro de formas e em mercados diferentes — era possível minimizar o risco do portfólio, mantendo ainda um bom nível de retorno.
O modelo resultava em um gráfico chamado de “fronteira eficiente”, representando um conjunto de possibilidades de carteiras eficientes, aquelas com o menor risco (volatilidade) possível para cada nível de retorno — ou maior retorno para cada nível de risco.
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Mas isso você já aprendeu na coluna da Rafa. Meu objetivo hoje é responder a seguinte pergunta: aplicando o processo de Markowitz para o mercado brasileiro, qual seria sua carteira recomendada hoje?
O processo de construção de um portfólio geralmente possui três etapas:
O modelo de Markowitz se concentra no primeiro estágio, de alocação estratégica. Para o estudo, foram selecionadas oito classes de ativos:
Calculamos a expectativa de retorno, volatilidade esperada e a matriz de covariância para as classes com base em mais de 12 anos de histórico.
Com essas informações, foi possível chegar ao gráfico de fronteira eficiente:
A linha vermelha representa as carteiras com a menor volatilidade possível para cada nível de retorno do eixo vertical. A linha tracejada escura, por outro lado, representa o conjunto de carteiras possíveis com expectativas de retorno inferiores, porém com o menor nível de volatilidade para cada faixa de retorno.
A principal mensagem é que a distribuição de sua carteira é importantíssima para se ter uma boa relação entre o risco e o retorno.
Na tabela e gráfico abaixo você encontra exatamente quais foram as carteiras recomendadas pelo modelo para cada nível de retorno:
A primeira carteira é o portfólio com a menor volatilidade possível, enquanto a segunda, destacada pela cor verde, é a carteira com a melhor relação entre risco e retorno (alcançada a partir da maximização do índice Sharpe).
Algumas conclusões importantes podem ser tiradas desses portfólios:
Devo replicar a carteira recomendada pelo modelo?
As contribuições de Harry Markowitz foram essenciais na época em que foram feitas. Entretanto, a ciência de alocação de carteiras evoluiu muito com o passar das décadas.
Há dois motivos principais pelo quais não utilizamos o modelo de Markowitz para a construção de nossas carteiras recomendadas, na equipe de research de fundos da Empiricus:
Para corroborar a baixa utilização prática do modelo, fizemos a simulação de uma carteira otimizada por Markowitz, com rebalanceamento anual, comparando com outras duas estratégias tradicionais de alocação: a “60-40”, cuja alocação é estruturalmente 60% alocada em Bolsa e 40% em ativos de renda fixa brasileiros; e o portfólio “Pesos Iguais”, onde a alocação das classes possuem exatamente a mesma proporção.
O gráfico abaixo, que compara o desempenho das carteiras com o CDI no mesmo período, fala por si só:
Os assinantes da série Os Melhores Fundos de Investimento receberão na publicação de amanhã (1/8), com mais detalhes, os resultados do estudo realizado.
Você é meu convidado para discutir conosco suas aplicações e alternativas para sua alocação de longo prazo.
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