Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Os prós e os contras do pacote fiscal de Haddad; entenda por que os investidores não se empolgaram

Será impressionante se promessa de zerar o déficit fiscal já no primeiro ano do governo Lula for cumprida, mas o próprio governo considera isso improvável

17 de janeiro de 2023
7:12 - atualizado às 17:44
Fernando Haddad discursa em evento da Febraban / bolsa de valores
Pacote de Haddad parece apontar na direção certa. - Imagem: Febraban

Não é de hoje que o ponto fraco do Brasil tem sido o panorama fiscal. Os últimos três anos servem de prova do argumento. Basta observar o estresse sobre a curva de juros por conta do estouro do teto de gastos em 2020 (pandemia), 2021 (precatórios) e 2022 (bondades, eleição e transição). Foi uma loucura, principalmente por conta do aperto monetário que ocorria em paralelo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No final da semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou seu primeiro pacote de medidas, visando a reverter o déficit esperado para 2023 de mais de R$ 231 bilhões para um superávit de R$ 11 bilhões.

Realmente, zerar o déficit no ano seria uma missão impressionante se completa, mas a chance de materialização do cenário em questão é relativamente baixa — o próprio Haddad assumiu isso.

Sinal é positivo

Ao mesmo tempo, ainda que atingir 100% do pacote de medidas pareça algo distante, pelo menos a direção é positiva. Em outras palavras, parte do programa fiscal deverá ser cumprido.

Assim, mesmo com Haddad não dando garantias de fechar o ano com superávit, podemos reduzir o déficit esperado, hoje acima de 2% do PIB, para algo entre 0,5% e 1% do PIB (déficit primário de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Trata-se de um caminho bastante realista. Dessa forma, teríamos um caminho mais razoável para zerar o déficit em 2024, se não conseguirmos os R$ 242,7 bilhões de ajuste já em 2023.

Leia Também

Abaixo, o leitor pode conferir o déficit esperado para 2023 e as iniciativas de ajuste fiscal, até atingir na última linha o superávit primário neste ano, com parte das medidas, inclusive, com efeito não só extraordinário para o ano, mas sustentável no longo prazo, podendo ser observado ainda no ano que vem.

Fonte: Ministério da Fazenda.

O pacote fiscal de Haddad, porém, pouco empolgou os investidores.

O motivo?

São alguns, na verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Começamos com o fato de que qualquer notícia positiva sistêmica foi abafada pelo escândalo em Americanas, impedindo qualquer otimismo mais generalizado com as ações brasileiras neste curto prazo.

Além disso, o plano parece legal, mas tem um problema: 80% das medidas (R$ 192,7 bi) apostam em uma arrecadação maior, como a volta da cobrança de impostos federais sobre os combustíveis e programa de refinanciamento de dívidas tributárias. Pague seus impostos em dia, o governo vai precisar.

Neste sentido, ainda que a direção seja boa, as vias já não agradam tanto o mercado aqui, uma vez que apenas R$ 50 bilhões se referem a cortes de despesas.

É uma mensagem importante, não?

O governo não parece tão disposto a cortar impostos, os quais têm muitas vezes efeito perverso sobre a atividade econômica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A justificativa de Haddad é de que parte relevante dos impostos cortados no ano passado tinham viés eleitoral e não se justificavam no longo prazo.

Portanto, faria sentido, segundo o governo, trazer a revogação da redução de PIS/Cofins cobrado sobre receita de grandes empresas e voltar a cobrança dos tributos federais sobre a gasolina e etanol a partir de março (a decisão será tomada depois de Prates assumir).

Adicionalmente, falta ainda o novo arcabouço fiscal, sem o qual ficaria difícil trabalhar qualquer expectativa de longo prazo.

Sim, soou bem a fala recente de Simone Tebet, a Ministra do Planejamento e Orçamento, de que o plano de ajuste fiscal anunciado na semana passada é insuficiente e que é necessária uma reforma estrutural na montagem do Orçamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ela tem razão, mas o mercado teme que falte liderança no governo pensando assim, até mesmo porque não sabemos qual será a regra fiscal para os próximos anos.

Pode ser algo positivo, sim, mas ainda não sabemos. Não temos, hoje, como fazer contas e, por isso, nos resta ter paciência e aguardar.

Leia também

E o salário-mínimo?

Por fim, uma última razão pela qual o mercado não ficou tão contente deriva de uma possibilidade de aumentarmos o salário-mínimo de R$ 1.302 para R$ 1.320 (as centrais sindicais brigam até por mais) já em 2023.

Haveria impacto adicional nas contas públicas em 2023, e a decisão acaba sendo de cunho político. Sabemos que o governo atual tem alinhamento com a ideia de aumento real do salário-mínimo, o que gera preocupações adicionais para as contas públicas ainda neste ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ou seja, desenha-se um cenário no qual podemos ter 2% de déficit orçamentário, conforme o projetado para este ano, enquanto podemos levá-lo, no contexto otimista, para 0% no PIB já em 2023. Um cenário base poderia contar com algo entre 0,5% e 1% do PIB para o ano, considerando que parte das medidas serão cumpridas pelos agentes econômicos.

Um cenário mais pessimista

Por fim, um cenário mais pessimista teria ainda um décifit superior a 1% do PIB no ano. A direção ainda não é tão positiva, portanto, ainda que suavemente melhor do que tínhamos anteriormente.

Mas é como falei: precisamos de um combo de ajuste fiscal junto com a criação de uma nova regra fiscal (idealmente com a aprovação da reforma tributária de Appy).

Em sendo o caso, haveria espaço sim para que o fiscal deixe de pressionar a nossa curva de juros e que nossos ativos possam caminhar em uma trajetória mais positiva, diferente do que vimos nos últimos três anos, nos quais os investimentos locais sofreram justamente por conta de tanto estresse fiscal, entre outros motivos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E o novo regime fiscal?

Infelizmente, pouco se sabe sobre o novo regime fiscal que pretende ser adotado pelo governo Lula. Não há definição concreta por enquanto.

Uma das ideias propõe substituir o teto de gastos públicos, já inutilizado desde a pandemia, por meta de despesas, assim como no conceito de metas de inflação, separando obrigações correntes de curto prazo do gasto com investimento de longo prazo. Até que tenhamos clareza, a abordagem mais adequada seria preservar um conservadorismo.

Um caixa grande (teremos Tesouro Selic rendendo dois dígitos por algum tempo), com algumas posições em renda fixa indexada à inflação (em títulos do Tesouro e em crédito privado), um pouco de Bolsa brasileira (exposição ainda limitada por conta dos riscos locais, em especial se o leitor tiver perfil conservador) e proteções, como dólar e ouro, para caso as coisas fujam do controle nos próximos meses.

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dessa forma, conseguiremos navegar bem em 2023, sem nenhuma aventura muito grande, enquanto esperamos definições mais concretas vindas do governo para além do pacote de medidas já anunciado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia