Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Mudança de CEO, apagão e risco Lula. Chegou a hora de vender Eletrobras?

A manifestação favorável da PGR sobre a vontade de o governo aumentar o seu poder de voto na companhia também pesou sobre os papéis da companhia; o que fazer agora?

18 de agosto de 2023
6:11 - atualizado às 9:05
eletrobras elet6 comprar ou vender
Imagem: Freepik/Montagem: Julia Shikota

Nesta semana, fomos surpreendidos com a renúncia de Wilson Ferreira Jr. do cargo de CEO da Eletrobras, o que fez as ações descarrilarem nos últimos dias.

Mas será que essa saída é um sinal para vender os papéis? Será que a partir de agora, sem Wilson no comando, a Eletrobras está entrando em um ciclo de piora de resultados e de governança?

Antes, precisamos entender o que o antigo CEO representou no processo de reconstrução da Eletrobras.

Wilson, o salvador

Além de ter um longo track record de sucesso no setor, foi sob o comando de Wilson Ferreira Jr. que a Eletrobras se reergueu, após quase ter quebrado com a má administração durante o governo Dilma.

Aquela primeira gestão de Wilson, que começou no governo Temer (2016) e terminou em 2021, foi inquestionavelmente ótima, e foi graças a ela que a Eletrobras não quebrou.

Foi graças ao Wilson, também, que a privatização aconteceu, já que ninguém se interessaria pela companhia sem todas as melhorias que foram feitas em sua administração.

Leia Também

Os processos foram revistos, o quadro de funcionários foi enxugado e inúmeras subsidiárias deficitárias foram vendidas. Repare na evolução da receita, ebitda e lucro em seus primeiros anos à frente da companhia.

Fonte: Bloomberg. Elaboração: Empiricus

Em 2021, Wilson deixou a Eletrobras para ser CEO da Vibra, mas não demorou muito para voltar para a elétrica. Naturalmente, o mercado comemorou o seu retorno, em setembro de 2022, após a privatização.

Naturalmente, também, o mercado ficou decepcionado com a renúncia nesta semana, especialmente por achar que isso estaria de alguma forma relacionado a alguma interferência política.

Mas ao que tudo indica, não foi exatamente isso o que aconteceu. Segundo várias notícias que saíram ao longo da semana, Wilson teria renunciado por conta de desentendimentos com o Conselho de Administração da Eletrobras.

A DINHEIRISTA — Pensão alimentícia: valor estabelecido é injusto! O que preciso para provar isso na justiça?

A Eletrobras é outra depois da privatização

Obviamente, respeitamos muito a figura de Wilson e não temos como saber exatamente o que aconteceu nos bastidores da companhia. Mas os rumores de uma relação estremecida com o Conselho fazem sentido, em nossa visão.

O nome da empresa é o mesmo, mas a verdade é que a Eletrobras de hoje é bem diferente em termos de gestão. Há alguns anos, a companhia era estatal, sem quase nenhum poder dos conselheiros e "apenas" um ministro a quem Wilson se reportava, mas que nunca esteve muito interessado em prestação de contas.

Após a privatização, a Eletrobras virou uma corporation (sem controlador) e o modelo de decisão mudou bastante. O Conselho agora é atuante, chato (no bom sentido) e trabalha com um modelo de prestação de contas, discussão, celeridade de decisões e resultados de uma empresa privada, de fato.

Sim, Wilson Ferreira foi importantíssimo na história da Eletrobras, e agradecemos imensamente por sua contribuição nos anos pré-privatização. Mas a companhia vive um momento bem diferente daquele, e talvez também precise de uma mentalidade diferente a partir de agora.

Obviamente, o tempo é quem vai nos dizer se a mudança será assim tão ruim quanto indicam as primeiras reações dos investidores ou se eles estão exagerando. Por ora, me parece o segundo caso, já que a Eletrobras segue com ativos valiosos no portfólio, e ainda conta com muito espaço para melhorias.

Além disso, Ivan Monteiro, que era chairman e agora passa a ser o novo CEO, já estava no dia-a-dia da Eletrobras, além de ter boa passagem por outras companhias listadas.

Se realmente estiver mais alinhado com o Conselho, como sugerem as reportagens divulgadas durante a semana, pode trazer a celeridade de decisões e processos que temos sentido falta desde a privatização, há cerca de um ano.

Obviamente, vamos continuar muito atentos a essa história, mas a troca de CEO não nos parece um motivo para vender as ações. Na verdade, pode até ajudar a reduzir os atritos políticos com o governo.

Decisão desfavorável na PGR

Outro ponto que pesou nos papéis foi a manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a vontade de o governo aumentar o seu poder de voto da Eletrobras, que foi limitado a 10% no processo de privatização.

Obviamente, a notícia é ruim, mas não é uma decisão final. Quem decidirá é o STF, o que ainda pode demorar bastante.

Eu já falei sobre esse risco aqui, e sobre como "rasgar o contrato" seria muito ruim para o próprio governo – talvez,  pior até do que para os acionistas.

Além disso, o novo CEO já foi diretor financeiro do Banco do Brasil e da Petrobras também, com bom trânsito político e muito mais habilidade para negociar com o governo.

Com mais "ferramentas" políticas em suas mãos, Monteiro pode, por exemplo, conseguir um recuo nas ambições do governo em ganhar poder na Eletrobras em troca de um "adiantamento" da companhia para a Conta de Desenvolvimento Energético, o que resultaria em um barateamento das tarifas de energia.

E o apagão?

Se a troca de CEO não assusta, será que o apagão desta semana é motivo para vender as ações?

É importante mencionar que no momento em que escrevo esta coluna, as investigações estão em andamento, mas ao que tudo indica a falha começou em uma das linhas de transmissão da Chesf, subsidiária da Eletrobras.

O que ainda não se sabe é como um problema técnico relativamente simples de ser contornado pelos sistemas de proteção das linhas gerou um efeito dominó que interrompeu o fornecimento de energia para todas as regiões do país, o que inclusive acarretou em pedidos para a entrada da Polícia Federal nas investigações.

Como investidores da Eletrobras, o importante é lembrar que o próprio contrato de concessão de linhas de transmissão já estabelece um "desconto" no faturamento dos empreendimentos por falta de disponibilidade, o que deve impactar negativamente a receita líquida da companhia.

No entanto, estamos falando de um ativo que não chega a 700 km de extensão, menos 1% do portfólio de transmissão da Eletrobras.

Ou seja, isso também não é motivo para ficar pessimista com a Eletrobras, que apesar deste episódio, tem um ótimo histórico de disponibilidade de suas linhas.

É claro que essa é uma história cheia de ruídos, mas a queda de mais de 10% em poucos dias já me parece bastante exagerada.

Seguiremos acompanhando de perto, mas por enquanto as ações da Eletrobras (ELET6) seguem na carteira da série de Vacas Leiteiras, que conta com várias outras histórias sem tanta emoção, mas com grande potencial de pagamento de dividendos. Tem até "vaca leiteira" gringa por lá.

  • As 5 melhores ações da bolsa para dividendos: confira as recomendações feitas por Ruy Hungria e outros analistas da Empiricus Research para quem busca renda recorrente com proventos de empresas nacionais. O relatório está disponível gratuitamente aqui.

Um grande abraço e até a semana que vem!

Ruy

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A busca pelo gelato perfeito, a falta de acordo entre EUA e Irã, e o que mais você precisa saber hoje

13 de abril de 2026 - 7:43

Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país

PLANO A

Chá revelação: 10 segredos sobre previdência e investimento de longo prazo para quem está começando uma nova fase da vida

12 de abril de 2026 - 8:00

Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho

VERSÃO BRASILEIRA

Nem todo clássico precisa de adaptação, e a chegada da Hofbräu no Brasil prova isso

11 de abril de 2026 - 9:11

Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como dobrar o patrimônio ao reinvestir dividendos, Regime Fácil, e o que mais você precisa saber hoje

10 de abril de 2026 - 8:30

Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa

SEXTOU COM O RUY

Receber dividendos é bom; reinvestir é melhor ainda. A estratégia confiável capaz de até dobrar o retorno dos seus investimentos

10 de abril de 2026 - 6:05

Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como surfar pela renda fixa, o preço do petróleo, e o que mais move os mercados hoje

9 de abril de 2026 - 8:27

Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia