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Rodolfo Amstalden: funções hiperbólicas para solucionar sua equação diferencial

O viés hiperbólico ajuda a entender uma série de decisões de investimento peculiares, mas pode ser aplicado a outras matizes cotidianas

19 de abril de 2023
20:14 - atualizado às 17:45
Arte conceitual mostrando uma pessoa de terno com um símbolo de interrogação no lugar da cabeça; em segundo plano, um fundo azul com um gráfico. A imagem representa uma pessoa com dúvidas na carreira e no mercado corporativo; também pode indicar dúvidas referentes aos investimentos
Imagem: Shutterstock

No clássico "O Valor do Amanhã" (toda biblioteca deve ter um exemplar, pelo menos), Eduardo Giannetti dedica um capítulo para discutir as nuances do chamado "viés hiperbólico".

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Esse tipo de viés governa situações nas quais a percepção de benefícios imediatos suplanta ou modera a expectativa confiável de ganhos futuros por uma proporção maior que a das taxas de juros livres de risco.

Por exemplo:

Você prefere receber R$ 1.000 hoje ou R$ 1.200 daqui a um ano?

Embora o retorno implícito nessa troca seja de +20% (confortavelmente acima do CDI), muitas pessoas vão preferir receber os R$ 1.000 imediatamente, só para sentir o gostinho do dinheiro pingando agora mesmo na conta.

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Esse viés é tão relevante e tão bem documentado que inspirou pesquisas acadêmicas icônicas no sentido de associar preferências hiperbólicas à demanda fiel por ativos pagadores de proventos.

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Mas isso é assunto para o nosso querido Vacas Leiteiras…

Por ora, vamos voltar ao curioso exercício das perguntas sobre dinheiro no presente versus no futuro.

Mexendo um pouquinho no enunciado anterior, chegamos a:

Você prefere receber R$ 1.000 em janeiro de 2030 ou R$ 1.200 em janeiro de 2031?

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Bem, apesar do ∆T de recebimento continuar sendo de exatos 12 meses, a vasta maioria dos entrevistados agora prefere os R$ 1.200.

Uai, o que aconteceu?

Bem, se você vai ter que esperar até 2030, então aproveita e espera logo até 2031 e leva +20% a mais! Esse é o raciocínio utilizado.

Até pouco tempo atrás, o viés hiperbólico era tido simplesmente como um traço de irracionalidade do homo economicus, um estranho bug em nosso código de programação.

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No entanto, hoje sabemos que a seleção natural favorece a perpetuidade de espécies que descontam hiperbolicamente, já que a sobrevivência do mais apto se dá em um contexto não-ergódico e dependente de caminho.

Tudo isso ajuda a entender uma série de decisões de investimento aparentemente peculiares, mas também pode ser aplicado a outras matizes cotidianas.

Quando eu recebo um save the date ou me deparo com um compromisso meses à frente do tempo presente, sempre gosto de me provocar com a seguinte heurística:

Se fosse hoje à noite, você aceitaria feliz ou recusaria de pronto?

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É um bom teste para tentar avaliar sua real impressão sobre o evento, filtrando eventuais efeitos hiperbólicos associados.

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