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Felipe Miranda: Oi, sumido! A morte e a ressurreição do financial deepening

Depois de um longo sumiço, a volta do financial deepening é muito bem-vinda. Mas, aprecie com moderação: se você me engana uma vez, essa é uma falha sua; se você me engana pela segunda vez, a culpa passa a ser minha.

Montagem com um semáforo na luz amarela e a palavra "IPO" escrita nas três cores; ideia de dificuldade para as estreantes na bolsa e que fizeram seus IPOs desde 2020
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock/ako photography

Rodolfo nos provocou com um debate sobre a morte no último Puro Malte. Talvez seja mesmo o grande tema: uniforme, indiscriminado e democrático. Cedo ou tarde, chega igual a todo mundo, pelo menos enquanto a turma da Singularity não encontra uma solução. A ciência da finitude muda toda a interpretação da vida.

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Curioso também como o enfrentamento da questão, tão inexorável e homogênea, diverge entre extremos. Gosto da ironia de Woody Allen: "Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer”.

Mas tenho me aproximado mais da abordagem de Contardo Calligaris: “o ideal seria que alguém pudesse, sem dor, viver a sua morte. Porque, afinal de contas, é uma coisa que vai acontecer com você só uma vez na vida. E por que você seria privado desta experiência? Ninguém garante que seja uma experiência agradável nem desagradável, mas valorizar essa experiência única faz completo sentido para mim e anda junto com a ideia de ter uma vida interessante. Então eu preferiria, claro, se fosse possível, não apenas não sofrer (é meio ridículo dizer isso), mas estar vivo quando morrer.”

Tenho me inclinado mais a essa última ideia, meio naquela pegada “A morte é um dia que vale a pena viver”, da Ana Claudia Quintana Arantes. Mesmo se a morte for algo ruim (vai saber…), ela é algo a ser experienciado. Assim como várias outras experiências construtivas e constitutivas.

Como o sujeito que passou a tomar antidepressivo preventivamente pra evitar sofrer com a morte da mãe. Pô, cara, você tem que viver a morte da sua mãe, entendeu? Pobres daqueles privados de viver o luto. Há um pouco de amor fati nisso aqui, algo como “uma bela morte enobrece a vida toda”. 

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A morte do financial deepening

Há alguns meses, talvez coisa de um ano, o mercado, como sempre muito temático, viveu a ideia da morte do financial deepening. Era um samba de uma nota só. Voltaríamos ao velho equilíbrio macro de sempre, com problema fiscal, juro alto e câmbio caminhando à apreciação. Era para comprar bancão e vender as fintechs, os neobanks, XP, BTG, Banco Inter, BR Partners, por aí vai…

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Ainda que uns possam discordar, foi importante ter presenciado esse falecimento. Porque ele foi educativo, elucidativo até, necessário para corrigir excessos e devolver-nos às finanças elementares.

Precisamos olhar lucro e fluxo de caixa – não crescimento a qualquer custo, downloads no App ou curtidas no Instagram, pois nada disso paga conta ou gera valor ao acionista.

Vivemos com isso uma espécie de destruição criativa schumpeteriana, matando Adam Newmans mundo afora, para resgatar a representação darwinista do mercado (talvez por isso ele funcione tão bem, porque emula a natureza). Até os animais cobram juro positivo, como nos ensina o "Valor do Amanhã", do Giannetti.

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Ocorre que, em país católico, as ressurreições são comemoradas a cada 12 meses. Dada a natureza cíclica das economias e dos mercados, suas mortes são não-definitivas e admitem retornos. Com a mesma intensidade anterior, mudamos de tema, agora iniciando um processo de ressurgimento do financial deepening.

Infelizmente, talvez ainda não esteja claro ao investidor de varejo, embriagado pelo sabor etílico das rentabilidades de 1% ao mês com liquidez diária e sem volatilidade. É possível que ele só perceba o problema quando for tarde demais.

O investidor estrangeiro já é bastante comprador neste mês, enquanto o institucional local virou a mão sobre nossos ativos de risco. Falta o varejo, que embora tenha diminuído, ainda continua sacando de multimercados e fundos de ações. 

Mais disposição ao risco

Parte do ressurgimento no terceiro dia não é exatamente mérito nosso. Em grande medida, retomamos uma maior disposição a risco lá fora e uma volta a mercados emergentes, que, inclusive, podem perfazer um grande megatrend, junto com a Inteligência Artificial, para os próximos dez anos, dado que foram alijados de boa parte do fluxo de capital internacional na última década, em que a Nasdaq e a tecnologia (emergente) dentro dos EUA acabaram ocupando o espaço anterior da periferia.

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Seja como for, com sua típica tradição monotemática, o mercado agora parece só olhar para um Brasil que é barato, se beneficia da queda prospectiva dos juros e tem um governo se mostrando, ao menos frente às expectativas, um pouco mais racional e respeitoso à aritmética básica das contas públicas. Isso num momento em que há poucas alternativas minimamente razoáveis no mundo.

A América Latina virou um destino geograficamente seguro, produtor de commodities e, com uma exceção ou outra, alinhada aos princípios típicos das democracias liberais ocidentais, sendo que o México já ficou um tanto caro.

O playbook do que funcionou desde julho de 2021 é diametralmente oposto agora. Basta multiplicá-lo por -1. Reduzimos pós-fixados e paramos de apostar na abertura de juro; compramos Bs longas e bolsa. Saímos dos bancões e das commodities para comprar growth de qualidade e nomes ligados ao financial deepening. 

A ressurreição do financial deepening

Se havia dúvidas, a última sexta-feira emitiu um sinal importante, embora mais silencioso e tácito, pois longe das manchetes da ideologia política e pertencente à microestrutura do mercado.

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Localiza anunciou uma oferta de R$ 4,5 bilhões e suas ações fecharam em baixa de menos de 3%. Bicho, R$ 4,5 bilhões é lote em qualquer lugar do mundo. Mostra uma janela reabrindo para ofertas de ações grandes. Começamos ganhando intensidade nos follow-ons de empresas de altíssima qualidade e logo voltaremos a debater os IPOs. Ganham os nomes do financial deepening, como B3, BTG (que, aliás, é coordenador da oferta), XP, Br Partners…

Agora, temos a notícia de que Copel quer fazer sua oferta de ações, entre R$ 3 bi e R$ 5 bi (BTG também é coordenador líder; já podemos esperar melhora destacada das receitas de IB no segundo semestre?). E se você abrir a edição de hoje do Valor Econômico, vai encontrar lá: “Oferta de ações ganha tração com expectativa de queda de juros”. 

Talvez esse seja o grande tema para o segundo semestre. Depois de um longo sumiço, a volta do financial deepening é muito bem-vinda. Mas, aprecie com moderação: se você me engana uma vez, essa é uma falha sua; se você me engana pela segunda vez, a culpa passa a ser minha.

Que o novo ciclo de IPOs não represente a mesma tragédia da última safra. A morte seria mais suave do que repetir a dose. 

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VEJA TAMBÉM - ELETROBRAS (ELET3): UM ANO APÓS A PRIVATIZAÇÃO, A EMPRESA ENTREGOU O PROMETIDO?

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