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A incerteza fiscal nos EUA, a possibilidade de shutdown e a polarização política abalam a confiança dos investidores
Dificilmente conseguimos escapar da realidade que tem sido predominante nos EUA nos últimos meses, especialmente devido à significativa elevação das taxas de juros de mercado desde agosto.
Já compartilhei com os leitores as razões por trás desse aumento recente, que se justifica pela incerteza fiscal nos Estados Unidos, a possibilidade de um cenário de no landing (ausência de uma recessão) e desafios na dinâmica entre oferta e demanda de títulos públicos para financiamento do déficit público.
Nesse contexto, a última sexta-feira trouxe mais uma notícia desfavorável sobre o tema.
A Moody's alterou a perspectiva do rating "Aaa" dos Estados Unidos de “estável” para “negativa”.
De acordo com a agência de classificação de risco, essa mudança decorre de riscos fiscais que podem não ser compensados pelo perfil de crédito norte-americano.
Essa decisão ocorre em uma semana crucial, com os congressistas americanos prestes a deliberar sobre a possibilidade de um novo shutdown a partir do dia 17.
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Certamente, a trajetória fiscal americana é uma fonte legítima de preocupação, atraindo a atenção de diversas personalidades nos EUA.
Diante de taxas de juros mais altas e da ausência de medidas eficazes de política fiscal para reduzir despesas públicas ou aumentar receitas, os déficits fiscais dos EUA tendem a permanecer elevados, comprometendo consideravelmente o perfil da dívida.
O mercado já não parece disposto a endossar as aventuras orçamentárias da Casa Branca.
Essa nova realidade repercute diretamente nos mercados financeiros globais, incluindo o Brasil.
A contínua polarização política no Congresso dos EUA amplia o risco de governos sucessivos não conseguirem chegar a um consenso sobre um plano fiscal para conter o declínio da acessibilidade da dívida.
Não parece haver uma solução iminente, especialmente porque os dois principais candidatos às eleições do próximo ano têm visões expansionistas (Joe Biden, por meio do aumento dos gastos, e Donald Trump, por meio de cortes de impostos), sem apresentar um plano para a convergência desse déficit público.
Por outro lado, uma solução para a instabilidade nas taxas de juros de mercado poderia ocorrer por meio de uma desaceleração mais pronunciada na economia dos EUA.
Nas últimas semanas, observamos uma convergência dos dados para um cenário mais moderado após um terceiro trimestre robusto, o que poderia neutralizar pelo menos um dos pilares que sustentaram a elevação das taxas de agosto a outubro, o risco de no landing.
Portanto, é relevante monitorar os dados de inflação nos EUA, prevendo um aumento de 3,3% em relação ao ano anterior.
Na quarta-feira, enquanto nosso mercado estiver fechado para o feriado de Proclamação da República, também teremos o índice de preços ao produtor americano.
Um resultado acima do esperado pode exercer pressão sobre os ativos de risco, repetindo o padrão observado entre agosto e outubro.
No entanto, resultados abaixo das expectativas podem desencadear uma alta ao longo da semana.
Essa perspectiva é mais provável e poderia favorecer o mercado diante das decisões iminentes relacionadas à possibilidade de shutdown do governo americano.
No que diz respeito aos preços ao consumidor, observamos uma queda contínua da inflação, mas ainda aguardamos uma redução convincente da inflação da moradia, que continua sendo o fator que mais contribui para o aumento do custo de vida.
O núcleo da inflação, considerando a média dos últimos três meses, situa-se em 3,2%, aproximando-se da meta anual de 2% do Fed.
A perspectiva para os meses de outubro e novembro é de uma inflação mais moderada, embora o núcleo permaneça em um patamar consideravelmente acima do desejado.
Se houver convergência para uma situação mais equilibrada, podemos vislumbrar um otimismo no final do ano, algo semelhante a um pequeno rali. Isso ocorre em meio a um novo episódio geopolítico intrigante.
As relações entre os Estados Unidos e a China, marcadas por vários pontos de inflexão no ano passado, atravessam um dos períodos mais tensos, possivelmente comparável a 1972, quando ambas as nações estabeleceram laços diplomáticos.
Nesse cenário desafiador, diversas situações merecem atenção, como o incidente envolvendo um balão espião chinês, os encontros militares no Estreito de Taiwan e as disputas diplomáticas abrangendo temas como roubo de tecnologia, hacking e comércio.
Em meio a esses desafios, os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, têm uma reunião programada em São Francisco para esta semana.
Com as taxações comerciais ainda em vigor, implementadas pela administração Trump, os mercados estarão atentos a sinais de desescalada das tensões bilaterais.
Apesar das expectativas moderadas, especialistas e autoridades dos Estados Unidos alertam que não se deve esperar uma melhoria acentuada nas relações após a reunião.
Antecipa-se que os líderes abordarão questões polêmicas, como comunicações militares, direitos humanos e a situação no Mar do Sul da China.
Embora as expectativas sejam comedidas, a reunião pode abrir caminho para futuras discussões sobre soluções para questões que impactam ambos os países. Qualquer sinal de melhoria nas relações seria positivamente recebido pelos mercados.
Todos esses fatores indicam pontos de atenção para os investidores nos próximos dias, e a perspectiva mantém a possibilidade de um final de ano mais promissor, dependendo da verificação adequada desses sinais anteriormente indicados.
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