Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Credit Suisse, alavancagem e confiança: Entenda os dois pilares mais importantes de um banco

O Credit Suisse é um exemplo clássico de um banco que perdeu sua principal vantagem competitiva: a confiança

Fachada do Credit Suisse, que gere fortunas e fundos imobiliários, como o HGLG11, no Brasil
Fachada do Credit Suisse - Imagem: Shutterstock

Conforme o Thiago Salomão bem colocou na newsletter que ele escreveu ontem, o “bom jogador” no mercado financeiro é aquele que tem a curiosidade intelectual o tempo todo ativadaEu não poderia concordar mais: o analista de ações que não é curioso perde o grande privilégio do seu trabalho que é aprender coisas novas todos os dias.

E por falar em aprendizado, nunca houve um momento tão propício quanto o atual para compreender o funcionamento do setor bancário.

O texto de hoje é uma continuação da newsletter que eu escrevi semana passada sobre a falência do Sillicon Valley Bank – a mais elogiada que já fiz. Abordarei hoje, os dois pilares que sustentam o setor e que todo acionista de bancos deveria saber: alavancagem e confiança.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bancos e a alavancagem

Uma característica que nem todo mundo se atenta é que poucos negócios são tão alavancados quanto um banco. Eu explico.

A função principal de um banco é captar recursos daqueles que têm dinheiro disponível (os depositantes) e emprestá-los para aqueles que precisam do dinheiro (pessoas físicas, empresas e governos). O banco também investe parte do depósito dos clientes comprando títulos de dívida pública ou privada.

Não à toa, o crescimento do banco depende da sua captação, pois quanto mais ele captar, mais poderá investir em novos empréstimos e títulos de dívida.

O pilar da confiança

Como o banco é uma máquina que transforma depósitos seguros em investimentos de risco, o pilar que sustenta essa transformação é a confiança. O depositante não pode perder o dinheiro que ele colocou.

Se os investimentos valerem mais do que os depósitos, os acionistas ficam com o que sobrar. Mas se os investimentos valerem menos do que os depósitos, haverá alguma interferência externa para que os depósitos sejam honrados.

Por conta dessa dinâmica, o patrimônio líquido – o ‘equity’ dos acionistas - é apenas uma pequena fração dos ativos (empréstimos e títulos) e passivos (depósitos) do banco.

O equity e a mudança de ativos

O Itaú Unibanco, por exemplo, reconhecido historicamente como o melhor banco privado brasileiro, fechou o 4º trimestre de 2022 com R$ 2,5 trilhões em ativos e “apenas” R$ 170 bilhões de patrimônio líquido.

Ou seja, o equity do banco representava em dezembro somente 6,9% dos ativos do banco. O Itaú possui R$ 6,9 de PL para financiar R$ 100 em ativos – uma alavancagem de 14,5 vezes!!

Se o valor dos ativos do Itaú sofrer uma correção de 6,9%, o PL do banco zera e o preço da ação deveria corrigir a zero. Ou seja, uma pequena mudança do ativo corrói todo o equity.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Credit Suisse e ativos com desconto

O leitor que passou por um aperto financeiro sabe o que é vender um ativo com desconto para pagar as obrigações.

Pegando um caso real como o do Credit Suisse, por exemplo. Em dezembro, o banco divulgou um balanço patrimonial composto por 531 bilhões de francos suíços (CHF) em ativos e CHF 486 bilhões em passivo, o que o deixava com um PL de CHF 45 bilhões (8,5% dos ativos). Na última sexta-feira o mercado pagava de CHF 7,4 bilhões pelo seu PL – o equivalente a 16% do book value e apenas 1,3% dos ativos.

Durante o fim de semana, as autoridades suíças buscaram uma solução rápida para evitar um possível colapso bancário iminente no país, que resultou na aquisição do CS pelo seu maior concorrente, o UBS, em uma negociação típica de um banco considerado too big to fail.

O preço pago pelo UBS foi de CHF 3 bilhões – 60% abaixo do preço de tela de sexta-feira e apenas 1% do pico atingido em 2007.

O Credit Suisse é um exemplo clássico de um banco que perdeu sua principal vantagem competitiva: a confiança.

Bancos não entram em falência da noite para o dia. As sementes de sua destruição são semeadas e regadas por anos até serem colhidas rapidamente.

O CS foi um desses casos.

Neste mini documentário de 26 minutos de duração feito pelo Financial Times sobre o Credit Suisse, diversos especialistas do setor – incluindo a participação do até então presidente do Conselho de Administração do banco – exploram os inúmeros e sucessivos escândalos que o banco passou ao longo dos últimos anos: simpatia histórica à tomada de riscos, conflito de interesses, problemas de governança, relacionamento com facções criminosas e envolvimento com as oligarquias russas, para citar alguns.

Apesar de não explicar o recente problema de liquidez financeira, trata-se de um excelente material para entender como o banco plantou as sementes que o levaram à insolvência.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O efeito rebote das canetas emagrecedoras para o mercado, o novo tarifaço de Trump e o que mais move os mercados hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: A precificação de opções eleitorais é pouco convencional

Um abraço,
Matheus Soares

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
9 de julho de 2026 - 9:35
Ilustração sobre inteligência artificial 8 de julho de 2026 - 19:59
8 de julho de 2026 - 8:36
Imagem vetorizada mostra dois robôs brancos correndo com uma cidade futurística ao fundo 7 de julho de 2026 - 8:45
Nota 100 Reais Rasgada Inflação IPCA deflação agenda econômica ipca 7 de julho de 2026 - 7:27
Ferramentas de IA gratuitas 6 de julho de 2026 - 19:03
6 de julho de 2026 - 8:32
Haaland na campanha realizada para a marca de chás Walovi 4 de julho de 2026 - 9:22

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

É hora de parar o viking: o fenômeno Haaland no caminho do Brasil 

4 de julho de 2026 - 9:22
Um desenho do centro do campo de futebol traz a metade de uma bola e a metade de um mapa mundi. Da fenda entre elas saem cédulas. 3 de julho de 2026 - 7:04
Thumb do primeiro dia do evento Onde Investir no Segundo Semestre de 2026, do Seu Dinheiro 2 de julho de 2026 - 9:27
Técnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022 1 de julho de 2026 - 19:29

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Qual é o gênero do novo ciclo eleitoral?

1 de julho de 2026 - 19:29
30 de junho de 2026 - 7:23
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar