Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Credit Suisse, alavancagem e confiança: Entenda os dois pilares mais importantes de um banco

O Credit Suisse é um exemplo clássico de um banco que perdeu sua principal vantagem competitiva: a confiança

21 de março de 2023
11:18 - atualizado às 11:21
Fachada do Credit Suisse, que gere fortunas e fundos imobiliários, como o HGLG11, no Brasil
Fachada do Credit Suisse - Imagem: Shutterstock

Conforme o Thiago Salomão bem colocou na newsletter que ele escreveu ontem, o “bom jogador” no mercado financeiro é aquele que tem a curiosidade intelectual o tempo todo ativadaEu não poderia concordar mais: o analista de ações que não é curioso perde o grande privilégio do seu trabalho que é aprender coisas novas todos os dias.

E por falar em aprendizado, nunca houve um momento tão propício quanto o atual para compreender o funcionamento do setor bancário.

O texto de hoje é uma continuação da newsletter que eu escrevi semana passada sobre a falência do Sillicon Valley Bank – a mais elogiada que já fiz. Abordarei hoje, os dois pilares que sustentam o setor e que todo acionista de bancos deveria saber: alavancagem e confiança.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bancos e a alavancagem

Uma característica que nem todo mundo se atenta é que poucos negócios são tão alavancados quanto um banco. Eu explico.

A função principal de um banco é captar recursos daqueles que têm dinheiro disponível (os depositantes) e emprestá-los para aqueles que precisam do dinheiro (pessoas físicas, empresas e governos). O banco também investe parte do depósito dos clientes comprando títulos de dívida pública ou privada.

Não à toa, o crescimento do banco depende da sua captação, pois quanto mais ele captar, mais poderá investir em novos empréstimos e títulos de dívida.

O pilar da confiança

Como o banco é uma máquina que transforma depósitos seguros em investimentos de risco, o pilar que sustenta essa transformação é a confiança. O depositante não pode perder o dinheiro que ele colocou.

Se os investimentos valerem mais do que os depósitos, os acionistas ficam com o que sobrar. Mas se os investimentos valerem menos do que os depósitos, haverá alguma interferência externa para que os depósitos sejam honrados.

Por conta dessa dinâmica, o patrimônio líquido – o ‘equity’ dos acionistas - é apenas uma pequena fração dos ativos (empréstimos e títulos) e passivos (depósitos) do banco.

O equity e a mudança de ativos

O Itaú Unibanco, por exemplo, reconhecido historicamente como o melhor banco privado brasileiro, fechou o 4º trimestre de 2022 com R$ 2,5 trilhões em ativos e “apenas” R$ 170 bilhões de patrimônio líquido.

Ou seja, o equity do banco representava em dezembro somente 6,9% dos ativos do banco. O Itaú possui R$ 6,9 de PL para financiar R$ 100 em ativos – uma alavancagem de 14,5 vezes!!

Se o valor dos ativos do Itaú sofrer uma correção de 6,9%, o PL do banco zera e o preço da ação deveria corrigir a zero. Ou seja, uma pequena mudança do ativo corrói todo o equity.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Credit Suisse e ativos com desconto

O leitor que passou por um aperto financeiro sabe o que é vender um ativo com desconto para pagar as obrigações.

Pegando um caso real como o do Credit Suisse, por exemplo. Em dezembro, o banco divulgou um balanço patrimonial composto por 531 bilhões de francos suíços (CHF) em ativos e CHF 486 bilhões em passivo, o que o deixava com um PL de CHF 45 bilhões (8,5% dos ativos). Na última sexta-feira o mercado pagava de CHF 7,4 bilhões pelo seu PL – o equivalente a 16% do book value e apenas 1,3% dos ativos.

Durante o fim de semana, as autoridades suíças buscaram uma solução rápida para evitar um possível colapso bancário iminente no país, que resultou na aquisição do CS pelo seu maior concorrente, o UBS, em uma negociação típica de um banco considerado too big to fail.

O preço pago pelo UBS foi de CHF 3 bilhões – 60% abaixo do preço de tela de sexta-feira e apenas 1% do pico atingido em 2007.

O Credit Suisse é um exemplo clássico de um banco que perdeu sua principal vantagem competitiva: a confiança.

Bancos não entram em falência da noite para o dia. As sementes de sua destruição são semeadas e regadas por anos até serem colhidas rapidamente.

O CS foi um desses casos.

Neste mini documentário de 26 minutos de duração feito pelo Financial Times sobre o Credit Suisse, diversos especialistas do setor – incluindo a participação do até então presidente do Conselho de Administração do banco – exploram os inúmeros e sucessivos escândalos que o banco passou ao longo dos últimos anos: simpatia histórica à tomada de riscos, conflito de interesses, problemas de governança, relacionamento com facções criminosas e envolvimento com as oligarquias russas, para citar alguns.

Apesar de não explicar o recente problema de liquidez financeira, trata-se de um excelente material para entender como o banco plantou as sementes que o levaram à insolvência.

Leia Também

Um abraço,
Matheus Soares

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FII favorito dos analistas, conflito no Oriente Médio, temporada de balanços e mais: veja o que agita os mercados hoje

7 de maio de 2026 - 9:07

Com a chegada da gestora Patria no segmento de shopping centers, o fundo Patria Malls (PMLL11) ganhou nova roupagem e tem um bom dividend yield. Entenda por que esse FII é o mais recomendado do mês de maio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Guerra do Irã — amargo mel, fogo gelado e caos organizado

6 de maio de 2026 - 20:49

Entre previsões frustradas, petróleo volátil e incerteza global, investidores são forçados a conviver com dois cenários opostos ao mesmo tempo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A carteira recomendada para maio, resultados do Itaú e Bradesco, e o que mais move a bolsa hoje

6 de maio de 2026 - 8:57

Na seleção da Ação do Mês, análise mensal feita pelo Seu Dinheiro com 12 bancos e corretoras, os setores mais perenes e robustos aparecem com frequência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como bloqueios comerciais afetam juros e inflação, e o que analisar na ata do Copom hoje

5 de maio de 2026 - 8:48

Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Petróleo caro, juros presos e a ilusão de controle: ciclo de cortes encurta enquanto a realidade bate à porta

5 de maio de 2026 - 7:14

O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BradSaúde sai do casulo no balanço da Odontoprev, conflito entre EUA e Irã, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

4 de maio de 2026 - 8:20

Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje

DÉCIMO ANDAR

Alta do risco no mercado de crédito impacta fundos imobiliários e principalmente fiagros; é hora de ficar conservador?

3 de maio de 2026 - 8:00

Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O paladar não retrocede: o desafio da Ferrari em avançar sem perder a identidade

2 de maio de 2026 - 9:00

Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos.  “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.”  Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que é ser rico? Veja em quanto tempo você alcança a independência financeira

1 de maio de 2026 - 10:04

Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá

SEXTOU COM O RUY

No feriado do Dia do Trabalho, considere colocar o dinheiro para trabalhar para você

1 de maio de 2026 - 7:01

Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia