A vitória de Haddad! Entenda por que pagar mais caro por combustíveis pode ajudar o Brasil
Por mais contraintuitivo que possa parecer, pagar mais caro pela gasolina vai ajudar o governo a caminhar em uma direção de maior responsabilidade fiscal

Não resta dúvida de que o grande tema no Brasil hoje seja a questão fiscal. Em nossa história recente, ainda que o Plano Real tenha pavimentado consideravelmente a via para a pacificação das discussões monetárias do país, deixamos o âmbito orçamentário aberto, o que vem provocando graves distorções na curva de juros, em especial nos vértices mais longos, claro, e afetando o prêmio do risco dos ativos.
O problema se intensificou na era Dilma, sofreu um choque durante a pandemia e é resgatado anualmente desde então.
O ponto central repousa no estabelecimento de um novo arcabouço fiscal crível e responsável, o qual permitiria uma caminhada mais promissora para o país, sem que tivéssemos que retomar o assunto periodicamente, ancorando novamente as expectativas com o endividamento do país.
Ao mesmo tempo, temos que batalhar para zerar o déficit primário o quanto antes, de modo a começarmos a sonhar com um superávit sustentável ao longo dos próximos anos.
As alternativas para um ajuste
Grosso modo, porém, há duas alternativas para a realização de um ajuste fiscal: corte de gastos ou aumento de impostos. Não há saída. O governo atual é de centro-esquerda, possuindo resistência ao primeiro aspecto, restando o segundo.
O problema foi que partimos o ano com a PEC da Transição e com a falta da reoneração sobre os combustíveis, movimentos que deixaram um gosto amargo na boca dos formadores de expectativas.
Leia Também
Para piorar, como comentamos aqui no passado, o pacote fiscal do ministro Fernando Haddad, embora tenha seus méritos, acabou focando excessivamente na arrecadação, ficando escanteado nas percepção dos agentes.
A reoneração dos combustíveis
Restava, portanto, a reoneração dos combustíveis, que enfrentou ruídos nos últimos dias.
Felizmente, como vimos ontem, depois de uma reunião com Lula e com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, o Ministério da Fazenda de Haddad confirmou a volta integral do PIS/Cofins sobre gasolina e etanol — há garantia de R$ 28,9 bilhões em receitas em 2023, o que é positivo para a percepção fiscal (só em janeiro, o governo deixou de arrecadar R$ 3,75 bilhões com a prorrogação da medida).
Não custa lembrar que o benefício foi concedido inicialmente pelo governo de Jair Bolsonaro como forma de controlar a evolução dos preços dos combustíveis, instáveis por conta da volatilidade de preços do barril de petróleo com a explosão da guerra na Ucrânia, mas foi mantido por Lula nos dois primeiros meses do ano, em meio à preocupação com o choque de uma reoneração no início do governo.
Naturalmente, há previsão de uma oneração maior para combustíveis fósseis (gasolina) frente aos biocombustíveis (etanol), acompanhando os incentivos existentes anteriormente e fortalecendo a narrativa ambientalista do governo.
- O SEGREDO DOS MILIONÁRIOS: as pessoas mais ricas do Brasil não hesitam em comprar ações boas pagadoras de dividendos. Veja como fazer o mesmo neste treinamento exclusivo que o Seu Dinheiro está liberando para todos os leitores.
Quais dúvidas ainda restam
Agora resta saber se haverá alguma contraparte, como redução dos dividendos da Petrobras ou ingerência política sobre os preços praticados pela companhia.
Sobre a questão, segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o retorno da cobrança vai significar uma alta de R$ 0,68 no litro da gasolina nos postos de abastecimento.
Ao mesmo tempo, a Petrobras está praticando no mercado interno preços mais altos do que no exterior, o que deixa uma margem para uma redução dos preços, ainda que pequena.
O presidente Lula deverá alinhar melhor com o próprio presidente da estatal e com os membros da ala política, que estão insatisfeitos com a vitória da Fazenda, antes de oficializar.
Por que Haddad venceu
É curioso que, anteriormente, havia um receio de que uma nova postergação da reoneração ou um movimento parcial para evitar um choque pudesse representar mais uma derrota da equipe econômica, mas não foi o caso.
Aliás, vale dizer que não creio que seria o caso se fosse confirmada uma recomposição gradual. Haddad é uma das pessoas de mais prestígio no governo, tendo influência direta na tomada de decisão de Lula.
Em outras palavras, em um cenário alternativo, concordaria em chamar como meio vitória, ao invés de meia derrota. Contudo, o ministro se sagrou integralmente vitorioso, mesmo que haja perda de dividendos.
Neste sentido, por mais contraintuitivo que possa soar, pagar mais caro pela gasolina vai ajudar o governo a caminhar em uma direção de maior responsabilidade fiscal, amenizando os ruídos sobre a curva de juros, permitindo uma maior tranquilidade por parte do BC para reduzir os juros ainda em 2023, ainda que marginalmente, e abrindo espaço para uma nova apreciação dos ativos brasileiros.
No curto prazo, vai doer no bolso do consumidor e provocar uma pequena inflação. Mas reforço minha visão de que a desoneração é um barato que sai caro, uma vez que deságua em mais déficit fiscal e, consequentemente, mais juros, prejudicando as perspectivas com a atividade.
No longo prazo, podemos caminhar para um equilíbrio mais promissor e menos artificializado, principalmente se houver um bom arcabouço fiscal em março. Com isso, abriremos espaço para uma possível nova alta dos ativos.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O pote de ouro da Vivara (VIVA3), o que fazer com a ação da Vale (VALE3), e o que move os mercados hoje
18 de setembro de 2026 - 8:11SEXTOU COM O RUY
Vale (VALE3) escapa do jogo de “vida ou morte” — mas você sabe o que fazer com as ações agora?
18 de setembro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A nova estratégia da XP Asset, o risco de o Brasil quebrar, o corte na Selic: o que afeta os mercados hoje
17 de setembro de 2026 - 8:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A tempestade sobre o Banco Central e o Fed, a crise no STF e o que mais move os mercados hoje
16 de setembro de 2026 - 8:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As PMEs na disputa com gigantes no marketplace, o sobe e desce dos juros no Brasil e nos EUA e o que mais move os mercados
15 de setembro de 2026 - 8:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como os grandes investidores buscam ganhar com o trade eleitoral, o império de bolos de R$ 800 milhões, e a última pesquisa eleitoral: o que ler hoje
14 de setembro de 2026 - 8:06TRILHAS DE CARREIRA
O fim da carreira em 3 fases: por que a transição profissional está se tornando a norma no mercado
13 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como resolver briga por aluguel em uma fração do tempo e do custo, as oportunidades na bolsa de valores e o que mais agita o mercado hoje
11 de setembro de 2026 - 8:15SEXTOU COM O RUY
Ainda vale comprar ações? Histórico indica que a bolsa brasileira pode não estar tão cara quanto parece
11 de setembro de 2026 - 7:31O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como calcular o valor justo do IPTU ou ITBI, o futuro da Selic e a crise no STF: o que move os mercados hoje
10 de setembro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: De agora em diante, o trade eleitoral é com emoção
9 de setembro de 2026 - 19:55O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O retorno da Petz Cobasi (AUAU3), a crise no STF e o que mais movimenta os mercados hoje
9 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Imposto sobre herança e doações pode ficar mais caro, payroll afeta juros nos EUA e qual o risco do IPCA +8%: os mercados hoje
8 de setembro de 2026 - 8:14INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
O CPI virou o voto de Minerva do Fed: o que o dado pode revelar sobre os próximos passos dos juros nos EUA?
8 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O Brasil pode dar calote na dívida, a agenda de inflação e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de setembro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O FII do mês com desconto e qualidade, as oportunidades de investimento em bancos, o caso Master no STF: o que ler hoje
4 de setembro de 2026 - 8:19SEXTOU COM O RUY
O cenário está cada vez mais difícil para os bancos, mas ainda existem boas oportunidades para investir
4 de setembro de 2026 - 7:02O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O back to basics na bolsa, o quebra-quebra corporativo e o que mais mexe com o mercado hoje
3 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET