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Assim como fez a Ucrânia, Finlândia e Suécia, que estão na fronteira com a Rússia, cogitam entrar para a Otan e receberam ameaças do país de Vladimir Putin

O recado não podia ser mais claro: Finlândia e Suécia se tornarão inimigos da Rússia caso entrem para a Otan, disse o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev.
“Não se pode mais falar em status livre de armas nucleares para a região báltica, o equilíbrio precisa ser restaurado”, afirmou no Telegram.
Medvedev disse ainda que se os países passarem a fazer parte do pacto liderado pelos Estados Unidos, a extensão das fronteiras terrestres da aliança com a Federação Russa mais que dobrará, o que poderia causar represálias pelo país de Vladimir Putin.
A Rússia teria que “fortalecer seriamente o agrupamento de forças terrestres e de defesa aérea, implantar forças navais significativas nas águas do Golfo da Finlândia. Nesse caso, não será mais possível falar sobre qualquer status livre de armas nucleares do Báltico – o equilíbrio deve ser restaurado”, disse Medvedev.
Os comentários chegam após Suécia e Finlândia, que já são parte da União Europeia, afirmarem que a decisão de aderir à Otan seria tomada em algumas semanas.
Os líderes dos países disseram que suas avaliações de segurança mudaram drasticamente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro.
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Rússia e Finlândia compartilham uma fronteira de 1,3 mil km e Moscou enxerga a inclusão da vizinha na Otan como uma ameaça à sua segurança nacional. E, na visão de Medvedev, essa movimentação daria mais oponentes registrados oficialmente a Putin.
A Lituânia, que faz fronteira com a Rússia e é parte da região báltica, ignorou os comentários de Medvedev. A primeira-ministra do país, Ingrida Simonyte, disse que não há nada de novo nas ameaças.
O ministro de segurança do país, Arvydas Anusauskas, afirmou que a Rússia já mantém armas nucleares na região do báltico — composta por Letônia, Estônia e Lituânia.
“As atuais ameaças russas parecem bastante estranhas, quando sabemos que, mesmo sem a atual situação de segurança, eles mantêm a arma a 100 km da fronteira da Lituânia”, disse Anusauskas ao jornal BNS da Lituânia. “Armas nucleares sempre foram mantidas em Kalingrado”.
Kaliningrado, cidade russa, faz fronteira com o mar Báltico a oeste e fica entre a Polônia e a Lituânia, membros da OTAN.
“Até hoje, a Rússia não tomou tais medidas e não iria”, disse Medvedev. “Mas se nossa mão for forçada, tome nota que não fomos nós que propusemos isso”, acrescentou.
Cabe lembrar que a intenção da Ucrânia de entrar para Otan foi o motivo que fez a Rússia invadir o país e desencadear uma guerra que já dura quase dois meses.
Governantes da Suécia e Finlândia já se dizem cientes dos riscos. “Também precisamos ser muito francos sobre consequências e riscos. Existem riscos de curto prazo e mais de longo prazo. Esses riscos existem tanto se nos candidatarmos quanto se não nos candidatarmos”, disse a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, em entrevista coletiva.
Ainda assim, olhando para a devastação causada na Ucrânia em questão de semanas, Marin apontou para a importância de ser um membro de pleno direito da Otan, em vez de apenas um parceiro, que é seu status atual.
O Artigo 5º da aliança incorpora o princípio da defesa coletiva. Em suma, o Artigo 5 significa que um ataque contra um membro da Otan é considerado um ataque contra todos os aliados.
*Com informações de CNBC e CNN
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