Bolsa, juros, dólar ou commodities: o que comprar e o que vender segundo duas das principais gestoras de fundos brasileiras
Especialistas da Kinea e da Legacy Capital participaram do primeiro painel da Semana da Previdência da Vitreo e contaram suas visões para o cenário macroeconômico e os ativos de risco nos próximos meses

Cautelosos com as bolsas mundiais — especialmente com a brasileira — e commodities, confiantes na alta do dólar e de olho em estatais descontadas. Esses são os pontos em comum nas estratégias de Marco Freire, gestor na Kinea Investimentos, e Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, para os fundos de previdência de multimercados.
Os dois especialistas participaram do primeiro painel da Semana da Previdência da Vitreo nesta terça-feira (27) e contaram suas visões para o cenário macroeconômico e os ativos de risco nos próximos meses. Assista à íntegra da transmissão a seguir:
Freire, responsável por fundos multimercados na gestora ligada ao Itaú, destacou que uma de suas posições convictas é que, enquanto o Federal Reserve seguir com o ciclo de aperto de juros, o dólar terá apenas uma direção: para cima.
As autoridades do banco central dos Estados Unidos se reúnem amanhã (27) para mais uma decisão de política monetária e o mercado espera uma elevação de 75 pontos-base da taxa de juros americana.
O ajuste colocará a taxa na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano, nível atingido no pico do último ciclo de alta de juros, em 2019.
Considerando esse cenário, o CIO da Legacy, que possui mais de R$ 20 bilhões de ativos sob gestão, concorda que o momento é propício para uma posição comprada em dólar.
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E a bolsa brasileira?
Além de apostarem na alta do dólar, os dois especialistas também concordam em relação a outro tema: o momento delicado para as ações brasileiras.
“Com esse cenário de contração econômica à frente e juro real alto, não estamos buscando comprar nada aqui, por enquanto”, resume Felipe Guerra.
A exceção, para o CIO da Legacy, são empresas que negociam com múltiplos baixos e algumas estatais. O Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo, não perde em performance e métricas para nenhum banco privado e está descontado, na visão de Guerra.
Marco Freire, da Kinea, também enxerga oportunidades nas empresas ligadas ao governo, ao setor elétrico e à infraestrutura.
Para ele, a Petrobras (PETR4), por exemplo, está “super barata” porque o mercado já precifica uma mudança brusca na abordagem do governo caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as próximas eleições.
Já a Vale (VALE3), que é uma das queridinhas da B3, não é recomendada pelo gestor. Segundo Freire, com os ruídos vindos da economia chinesa, a demanda pelo minério de ferro no longo prazo é questionável e pode prejudicar os números da mineradora.
Veja também — Petrobras (PETR4) está extremamenta barata: vale o risco?
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