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Para o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, a explosão dos preços do gás vendido pelas nações “amigas” impacta diretamente os custos de energia no país
Winter is coming. Enquanto a Europa se prepara para adentrar um longo e gélido inverno devido aos repetidos cortes no fornecimento de gás anunciados pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, existem países “aliados” que podem estar lucrando às custas da guerra, na visão do ministro da Economia da Alemanha.
Bem, imagine viver rodeado pelos temores da chegada de uma possível recessão e da instalação de racionamentos de energia para conseguir manter milhares de famílias aquecidas nos meses mais frios do ano. Basicamente, essa é a realidade na Alemanha há alguns meses.
Agora, suponha ainda que, em meio a toda a angústia, você perceba que as nações fornecedoras de gás consideradas “amigáveis”, como os Estados Unidos, estavam, na realidade, se beneficiando para cobrar “preços astronômicos e excessivos” de seus suprimentos.
Esta foi a acusação levantada pelo ministro alemão, Robert Habeck, em entrevista ao jornal regional alemão NOZ nesta quarta-feira (05).
Para o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, a explosão dos preços do gás vendido pelas nações “amigas” impacta diretamente os custos de energia no país, que atingiram patamares elevados em setembro.
“Famílias e empresas enfrentam contas de energia exorbitantes. As importações de energia da UE no primeiro semestre de 2022 totalizaram quase 380 bilhões de euros, o que é próximo do que costumamos pagar por um ano inteiro”, informou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
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Um dos principais alvos da revolta de Robert Habeck são os Estados Unidos.
A terra do Tio Sam tornou-se o maior fornecedor de combustível marítimo para a Europa em 2022, responsável por mais de 70% das importações de gás natural para a Europa de janeiro a setembro.
“Os Estados Unidos nos contataram quando os preços do petróleo dispararam, e, como resultado, as reservas nacionais de petróleo na Europa foram exploradas. A mesma solidariedade seria boa para reduzir os preços do gás”, disse o ministro da Economia alemão, em entrevista.
Porém, os países aliados não seriam os únicos culpados pela disparada dos preços, na visão do político.
Segundo Habeck, a União Europeia deveria tomar novas medidas para lidar com a crise energética no continente.
“A União Europeia deveria reunir seu poder de mercado e orquestrar um comportamento de compra inteligente e sincronizado pelos países membros, para que os estados da UE não se superem e aumentem os preços do mercado mundial. [...] O mercado europeu é enorme, só precisa ser usado.”
De acordo com o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, Berlim está preparada para discutir medidas para conter os preços do gás e da energia na União Europeia.
"Precisamos enfrentar esse problema em suas raízes. Por isso, estou aberto a tomar medidas conjuntas nos mercados internacionais de gás e reformar o desenho de nossos mercados de energia para que os preços para os consumidores não sejam mais determinados pelo preço do gás.”
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, destaca a necessidade de uma “verdadeira união energética”.
“Uma união energética resiliente não aparecerá magicamente ao combinar a energia de 27 nações – devemos torná-las compatíveis. Isso exigirá uma coordenação forte e sincera entre os Estados. E devemos criar o quadro regulamentar necessário e as condições de mercado que melhor sirvam aos interesses dos nossos cidadãos e empresas.”
A Europa atualmente enfrenta sua pior crise energética em décadas, uma vez que a Rússia segue em um verdadeiro “vai-não-vai” em relação ao fornecimento de gás natural ao continente.
Isso porque o país de Vladimir Putin é responsável por 40% de todo o gás consumido na Europa e até 60% em países como a Alemanha.
Agora, o continente europeu enfrenta o risco de apagões, racionamento e uma recessão caso o governo russo decida diminuir ainda mais as entregas de gás.
Isso porque países como a Alemanha dependem do fornecimento de gás russo há décadas, e utilizam infraestrutura de energia como os gasodutos Nord Stream 1 e 2 para transportar o gás através do Mar Báltico.
Desse modo, os bloqueios de Putin impactam diretamente o reabastecimento dos estoques de gás para fornecer às famílias europeias combustível para manter as luzes acesas e as casas aquecidas durante o inverno.
“A Alemanha tem a maior população da Europa, é a maior economia, é o maior consumidor de gás, é o maior importador individual de gás russo e tem nove fronteiras terrestres. Então, o que quer que aconteça lá se espalha para o resto do continente”, disse Henning Gloystein, diretor de energia, clima e recursos do Eurasia Group, em entrevista à CNBC.
Recentemente, os principais gasodutos da Rússia, o Nord Stream 1 e 2, que levam gás natural para a Europa, sofreram vazamentos — em um período em que o continente corre contra o tempo para encontrar gás suficiente para substituir as fontes russas antes do inverno.
Os escapes nas tubulações não devem afetar diretamente os fluxos de gás russos, afinal, nenhum dos oleodutos estava em operação no momento das explosões.
Porém, de acordo com analistas consultados pela CNBC, os recentes vazamentos nos dois principais gasodutos para a Europa acabam com quaisquer expectativas restantes de que a Rússia retomará o fornecimento de gás através do Nord Stream 1 antes do inverno.
“Isso tornaria realidade o pior cenário para o qual os governos europeus se prepararam durante todo o verão: um mercado de gás europeu sem gás russo”, explicou a analista Natasha Fielding, da Argus.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Europa provavelmente será capaz de enfrentar os congelantes meses de inverno deste ano com a ajuda de tanques de gás natural. Porém, o continente deverá se preparar para enfrentar uma crise energética ainda mais profunda em 2023.
Isso porque os países europeus encheram os tanques de armazenamento em aproximadamente 90% de sua capacidade após o presidente russo Vladimir Putin fechar as torneiras em resposta às sanções do Ocidente impostas após a invasão da Ucrânia.
"Com os estoques de gás quase em 90%, a Europa sobreviverá ao próximo inverno com apenas algumas contusões, desde que não haja surpresas políticas ou técnicas", disse Fatih Birol, diretor-executivo da IEA, em entrevista.
Porém, o pior ainda estará por vir. Na visão do executivo, os desafios devem começar, realmente, entre fevereiro e março do ano que vem — período em que o continente deverá preencher novamente os estoques.
Isso porque, após o alto consumo do gás no inverno, Birol estima que os níveis de armazenamento da commodity cairão para o patamar de 25% a 30%.
"Este inverno é difícil, mas o próximo inverno também pode ser muito difícil", disse o diretor-executivo.
*Com informações de CNBC, Reuters e Financial Times
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