Royal Enfield agita o mercado de motos com a Classic 350; saiba mais sobre o modelo
A Royal Enfield Classic 350 entrega uma ótima relação custo-benefício, na faixa dos R$ 20 mil, mas o preço do frete tem gerado reclamações

Em ritmo forte de produção e vendas, o segmento das motos deve fechar o ano com crescimento em torno de 20% sobre 2021, perto de 1,4 milhão de unidades.
Das 986 mil motos vendidas no acumulado de janeiro a setembro no Brasil, 40% (ou em torno de 400 mil) são do segmento City, ou motos urbanas, utilizadas para delivery, trabalho ou deslocamentos pela cidade. Outros 35% são representados pelas scooters.
Mas é de um segmento de menor participação, com apenas 0,77% nas vendas, que um modelo vem chamando a atenção. Trata-se da nova Classic 350, uma moto custom, da anglo-indiana Royal Enfield. A marca está há quase seis anos no Brasil e a moto recém-lançada passa a ser a sua de entrada no Brasil.
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Quem é a Royal Enfield
Para leitores menos familiarizados com o segmento, a Royal Enfield é uma das marcas de motocicleta mais antigas do mundo. O primeiro modelo da empresa foi lançado no Reino Unido em 1901.
Na metade daquele século, a empresa fez uma parceria com a indiana Madras Motors, e passou a produzir motos naquele país. Em 1970, a Royal Enfield encerrou suas atividades fabris no Reino Unido, mantendo a produção apenas na Índia.
A marca fundou uma subsidiária no Brasil em 2017 e iniciou a importação de motocicletas.
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Há um planejamento da marca em montar as atuais motos no Brasil (os chamados kits CKD), nas instalações da Dafra, em Manaus (AM).
Hoje o país é seu segundo maior mercado depois da Índia e a Royal Enfield é a quinta maior marca em volume de vendas por aqui — atrás apenas de Honda, Yamaha, Shineray e BMW, todas essas com fábrica no Brasil.
Até setembro, registrou o emplacamento de 7.454 unidades. Ou seja, a Royal Enfield tem forte potencial para crescer ainda mais no Brasil.
Por que a Classic 350 está tão badalada?
O aumento do preço dos combustíveis, a extinção do segmento de carros “populares”, o encarecimento generalizado dos automóveis, o retorno ao trabalho presencial e a busca por um deslocamento mais seguro (em termos de saúde e isolamento social) fizeram os emplacamentos de motocicletas novas e usadas dispararem nos últimos dois anos.
Não só as vendas, como também o crescimento do número de emissões de CNH categoria A — aquela que permite a condução das motocicletas.
É nesse perfil que a moto de entrada da Royal Enfield atinge em cheio. Ideal para deslocamentos na cidade, pilotagem confortável e com uma certa dose de estilo, a Classic 350 entrega uma ótima relação custo-benefício, na faixa dos R$ 20 mil.
É aquele tipo de motocicleta que impressiona, por causa de seu estilo retrô. Quem não conhece vai achar que custa bem mais por causa da aparência. Além disso, a Classic 350 foi feita para desfilar em um ride no domingo.
Não adianta parecer sem ser. A proposta da Royal Enfield ao trazer para o Brasil a Classic 350 é justamente oferecer um modelo de visual vintage, resgatando o motopurismo de forma mais acessível.
Não é moto para atravessar a estrada como uma esportiva ou touring, mas se precisar viajar, sem tanta pressa, ela cumpre esse papel.
A Royal Enfield ganha cada vez mais adeptos no Brasil, que exaltam sua autenticidade, o legado da construção de motocicletas simples e clássicas, que combinam o estilo de vida com a experiência de uma condução suave.
Os destaques da Royal Enfield Classic 350
A nova Royal Enfield Classic 350 se destaca por combinar num modelo custom, preço, motor de média cilindrada, conforto, posição de pilotar e estilo arrojado.
Equipada com motor monocilíndrico de 349 cm³, refrigerado a óleo e ar, a nova Classic 350 rende 20,2 cv de potência a 6.100 rpm e 2,75 kgfm de torque a 4.000 rpm.
A marca não divulga o consumo do modelo, mas espere algo entre 28 e 30 km/l.
A Classic é toda construída em metal, por isso pesa um pouco mais do que concorrentes de mesma cilindrada: 195 kg.
O visual vintage é inspirado nas motos dos anos 50 do pós-guerra, nicho que a Royal Enfield explora com sucesso. Por isso, prioriza a ergonomia.
Na posição de pilotagem, mantém as pernas sobre o tanque e dobradas (como se estivesse sentado numa poltrona), coluna ereta e braços semiflexionados.
O assento mais alto, largo, com bastante espuma, ajuda a absorver as imperfeições do castigado asfalto das grandes cidades, junto com a suspensão de curso curto.
A posição mais baixa e larga do guidão também contribui para a ergonomia, mas requer atenção porque pode incomodar quem tiver mais de 1,80 m de altura.
Em relação ao desempenho, não é uma moto para esticar na estrada, nem ideal para quem busca performance. Roda tranquila a 90 km/h, podendo ser solicitada até 110 km/h. Importante também ressaltar que a Classic 350 possui freios a disco nas duas rodas e ABS de canal duplo, bons itens de segurança.
Se por um lado tem preço mais acessível, por outro economiza para entregar uma boa relação custo-benefício: por exemplo, utiliza lâmpadas halógenas (ao invés de modernas LEDs) e não traz controle de tração.
Embora já pareça ser uma moto customizada, a marca dispõe de 39 acessórios para complementar seu estilo.

Preços e o (polêmico) frete da Royal Enfield
A Royal Enfield Classic 350 está disponível em quatro versões com o mesmo conjunto chassi e motor, se diferenciando pelo acabamento, equipamentos e cores.
Halcyon é o modelo de entrada, a R$ 18.490, disponível nas cores sólidas preto, cinza e verde.
A seguir vem a Signals, por R$ 19.490, que traz pintura fosca nas opções caqui e verde, inspirada nas motos militares.
A Classic 350 Dark, que custa R$ 20.490, é a única versão com rodas de liga leve (e pneus sem câmara). Traz motor na cor preta e disponível nos tons preto e prata.
E a top de linha Chrome, que sai a R$ 21.490, exibe cromados nos para-lamas e tanque, e está à venda nas cores bronze e vermelha.
Enquanto a Classic 350 encanta boa parte dos interessados em adquirir uma moto do estilo retrô a preço mais acessível, o consumidor esbarra no alto custo do frete, que é cobrado separadamente.
Conforme a cidade, o acréscimo no preço final varia de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Ou seja, o frete pode representar quase 1/4 de seu preço. Isso sem dúvida tem gerado muitas reclamações.
De acordo com o porta-voz da marca, “a Royal Enfield disponibiliza o preço público final do valor da motocicleta. A incidência de valor de frete fica a cargo da rede de concessionárias e conta com diversas variáveis regionais que envolvem outros custos implicados”.
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Pós-venda: revisões a preço fixo
É importante também considerar a assistência técnica: a marca possui 20 lojas, a maioria em capitais, todas com oficina.
Valores fechados de revisão ajudam a balizar o cliente sobre custos de manutenção. A Royal Enfield lançou pacotes de revisão a preços fixos, que incluem neles a checagem, peças de troca previstas e a mão de obra.
No caso da Classic 350, a inspeção começa em 500 km ou 45 dias (o que ocorrer primeiro) a R$ 375,47.
Depois, a segunda checagem aos 5 mil km (ou 6 meses) a R$ 172,50; 10 mil km (ou 12 meses) por R$ 535,48; 15 mil km (ou 18 meses) por R$ 172,50; 20 mil km (ou 24 meses) a R$ 705,04; 25 mil km (ou 30 meses) a R$ R$ 172,50 e 30 mil km (ou 36 meses) ao custo de R$ 595,49.
Em três anos ou 30 mil km, o proprietário já sabe que vai gastar R$ 2.728,98 com as 7 revisões.
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