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O bilionário começou a programar aos 13 anos; estudou em Harvard, mas deixou a graduação para fundar a Microsoft, na década de 1970
Hoje em dia é difícil imaginar como seria a sua jornada de trabalho sem Bill Gates. Ou melhor, sem uma planilha de Excel, um documento em word ou uma apresentação sem o PowerPoint. Isso sem falar que todos eles rodam sob o sistema Windows.
O que há em comum em todas essas ferramentas que revolucionaram a forma como lidamos com a tecnologia é justamente o grande cérebro por trás delas.
Entusiasta da tecnologia, escritor, filantropo e “blogueiro” nas horas vagas, Bill Gates fez parte da história recente e dificilmente alguém não saiba quem é ele. Empreendedor de sucesso, sua empresa ultrapassou décadas e crises mundiais e em 2025 completa meio século de existência.
Com um patrimônio de US$ 129 bilhões, aos 66 anos, Gates é o quarto homem mais rico do planeta, segundo o ranking anual da Forbes, divulgado em abril.
Mas, será que a riqueza de Bill Gates vem somente da Microsoft? Como ele se mantém como um dos homens mais ricos do mundo há mais de 10 anos?
Confira nosso especial da Rota do Bilhão.
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William Henry Gates, mais conhecido como Bill Gates, nasceu em Seattle, em 1955. Amante de leitura — e em um tempo que não havia celulares — ele era uma daquelas crianças que só largava o livro quando ia para a mesa de jantar.
A trajetória de Gates no universo da tecnologia começou cedo. Filho de William Gates Sr., um advogado, e da professora universitária Mary Gates, Gates começou a programar aos 13 anos.
Durante o ensino médio, o jovem prodígio fazia pausas nas aulas para aprender mais sobre o mundo da informática. Naquela época, os computadores ocupavam salas inteiras.
Aos 18 anos, Gates se tornou um aluno da prestigiosa Universidade Harvard — mas por pouco tempo.
Estudar não era um sacrifício para Gates. Na universidade, ele cursou matemática, direito e ciência da computação. Porém, a vontade de “revolucionar” os computadores não podia esperar o término da graduação.
Gates era visionário e enxergava um futuro em que cada pessoa poderia ter um computador em casa, sem a necessidade de um cômodo exclusivo para o equipamento — e ele estava certo.
Ele deixou Harvard dois anos depois de ingressar na instituição e, junto com o amigo de infância Paul Allen, criou um sistema de interpretação da linguagem BASIC, voltado para o computador Altair 8800, da empresa Micro Instrumentation and Telemetry Systems (MITS).
Na época, a linguagem havia sido desenvolvida por professores americanos para não especialistas em informática, mas não era qualquer um que conseguia operar a máquina. O desenvolvimento do programa de interpretação foi o pontapé inicial para a fundação da Microsoft.
Isso porque a atividade de programar era vista como um hobby; o grande negócio, até então, era produzir as máquinas.
Em 1975, Gates e Allen fundaram o que viria a ser uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Mas, naquele momento, já havia consolidadas corporações no ramo e que poderiam desafiar a sobrevivência da Microsoft.
Só que em vez de enxergar concorrentes imbatíveis, Gates viu prováveis parcerias com os gigantes da época. A primeira delas foi com a IBM.
No início dos anos 1980, a então líder no mercado dos grandes computadores decidiu desenvolver os primeiros computadores pessoais. Mas o sistema operacional era o problema. Esta era a oportunidade do jovem empresário — que se tornou um dos maiores blefes da história.
Gates disse que tinha o programa, assinou o contrato e assumiu um prazo de entrega impossível. Tinha tudo para dar errado — mas se revelou uma tacada de mestre. Ele pegou um avião, comprou um sistema pronto de um programador, fez alguns ajustes e deu o nome de MS-DOS, que se tornou o programa mais importante da história da Microsoft.
A parceria deu certo e a Microsoft revendeu o sistema por US$ 8 milhões, mantendo a licença do produto. Isso lhe rendeu a posição de milionário aos 26 anos, antes mesmo do lançamento do seu principal produto, o Windows.
Anos depois, a primeira versão do sistema operacional da Microsoft foi lançada. Versões foram melhoradas e o Windows passou a ser o software mais utilizado do mundo. Em 2005, cerca de 90% dos computadores pessoais operavam o sistema da empresa de Bill Gates.
A parceria com a IBM também fez a Microsoft prosperar. Ainda na década de 1980, a Microsoft abriu o capital na bolsa de valores.
Em 1986, ano em que a empresa passou a ser negociada no mercado de ações, o então milionário detinha 45% dos papéis da companhia, na época avaliada em US$ 315 milhões.
No ano seguinte, aos 31 anos de idade, Bill Gates fez o seu primeiro bilhão e se tornou um dos homens mais ricos do mundo.
Nove anos depois, o jovem bilionário assumiu a liderança do ranking dos bilionários da Forbes, e repetiu o feito por outras 18 vezes, do total de 34 edições. O único na história que conseguiu aparecer tantas vezes.
Em 2008, ele perdeu o posto para um grande amigo e parceiro na filantropia, Warren Buffett, mas recuperou as perdas no ano seguinte.
Por fim, Gates ficou entre os três mais ricos entre 2010 e 2013, e reassumiu a liderança entre 2014 e 2017. Depois, outros nomes desbancaram o bilionário como Elon Musk, Jeff Bezos e Bernard Arnault.
A vida de Gates longe dos negócios sempre foi reservada. Ele se casou com Melinda French em 1994, um ano antes do lançamento do Windows 95.
Ela era cientista de computação na Microsoft e juntos tiveram três filhos: Jennifer, Rory e Phoebe.
Em 2000, Bill Gates deixou a cadeira de CEO da Microsoft, dando lugar a Steve Ballmer.
Isso porque a dedicação do bilionário se voltou para outro lugar: junto com a então esposa Melinda, fundou a instituição filantrópica que leva o nome deles: Fundação Bill & Melinda Gates.
As atividades da instituição são voltadas para a promoção da preservação e manutenção da existência da humanidade e do planeta. Educação, prevenção de pandemias, redução de mortes na infância, erradicação de doenças, melhora na segurança alimentar e mitigação das mudanças climáticas são algumas das pautas defendidas.
Desde a criação da entidade, o bilionário doou quase US$ 57 bilhões, incluindo a mais recente de US$ 20 bilhões, anunciada por ele na última quarta-feira (13).
A fundação ainda contou com a ajuda e o apoio de Warren Buffett. Em 2010, o megainvestidor criou juntamente com Bill e Melinda Gates, então esposa do dono da Microsoft, o projeto “The Giving Pledge”. A ideia era estimular bilionários a destinarem pelo menos a metade de sua fortuna à filantropia.
Buffett, então, tornou-se curador da Fundação Bill & Gates e realizou doações bilionárias. A última foi feita em junho de 2021, quando renunciou ao cargo na instituição, no valor de US$ 32,7 bilhões.
Gates se dedica integralmente à fundação desde 2020, quando deixou o conselho da Microsoft e reduziu a participação para um pouco mais de 1% em ações.
Apesar da parceria na filantropia, o casamento de Bill e Melinda, porém, durou 27 anos. Em maio de 2021, o mundo se surpreendeu com o divórcio.
O motivo real da separação nunca foi oficialmente divulgado, embora existam rumores de que Gates estivesse envolvido em casos extraconjugais.
O divórcio também envolveu bilhões. Melinda se tornou uma das mulheres mais ricas após a transferência de pelo menos US$ 5,7 bilhões em ações de empresas que estavam na carteira de Gates.
Digamos que Gates aprendeu que a fortuna não deve ser constituída de um ativo apenas — talvez por influência de Warren Buffett.
De certo, as ações, hoje minoritárias, da Microsoft não foram os únicos “tijolos” na construção de império de bilhões.
Na carteira de Gates, há empresas de biotecnologia, transporte e energia, por exemplo. As mais expressivas delas são a companhia ferroviária canadense Canadian National Railway, a varejista norte-americana no segmento de veículos novos e usados AutoNation e a rede de hotéis de luxo Four Season.
Além disso, o bilionário tem participações na empresa de Buffett, da Berkshire Hathaway, e é um dos maiores proprietários de terras agrícolas nos EUA.
Por fim, vale saber que a Microsoft não foi a única empresa fundada por Gates. Em 2015, o bilionário criou a Breakthrough Energy, que atua na transição energética, bem como em iniciativas de geração de energia de zero carbono.
Além de empresário e um investidor nato, Bill Gates também escreve além do mundo dos negócios.
Com autoria em mais de 10 livros, os mais recentes são "Como evitar um desastre climático: as soluções que temos e as inovações necessárias” (2021) e “Como prevenir a próxima pandemia” (2022).
Ele ainda mantém um blog, o GatesNotes, com resenhas de livros, recomendações de leitura, percepções e opiniões sobre os problemas enfrentados pelo planeta, como os temas de equidade e diversidade de gênero, desigualdade social e mudanças climáticas.
Por lá também escreve sobre a Fundação “Bill & Melinda Gates” e os planos futuros. Todas as publicações são adaptadas e publicadas nas redes sociais do bilionário, que tem perfis ativos no Instagram, Twitter, Facebook e Youtube.
Por fim, não podemos terminar esse especial da Rota de Bilhão sem falar do anúncio mais recente de Bill Gates: a doação de US$ 20 bilhões para a sua instituição filantrópica. Mas, essa não era a informação mais importante.
Por meio do blog “GatesNotes”, e depois nas redes sociais, o bilionário anunciou que pretende deixar a lista Forbes, por conta própria, em breve.
“Ao olhar para o futuro, meu plano é dar toda a minha riqueza à fundação, além do que gasto comigo mesmo e com minha família. [...] Eu sei que vou perder posições e eventualmente sair da lista das pessoas mais ricas do mundo.”, afirmou Gates no último dia 13 de julho.
“É genial festejar o sucesso, mas é mais importante aprender com lições do fracasso.”
Bill Gates
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