Elon Musk não está sozinho: o home office pode acabar com o fim da pandemia, alerta um dos principais gurus de carreiras do mercado
A exemplo do dono da Tesla um número cada vez maior de empregadores quer os profissionais de volta ao escritório, afirma o mentor de carreiras e escritor Luciano Santos

Uma das grandes novidades recentes do mundo corporativo é o trabalho a distância. Mas o chamado home office foi fruto de uma circunstância específica — a pandemia da covid-19. E agora que o coronavírus parece controlado, trabalhar sem pôr os pés no escritório deve se tornar uma tarefa cada vez mais difícil, na visão de um dos principais “gurus” de carreiras do mercado.
“A gente não sabe muito bem o que vai acontecer com o home office ainda. Algumas empresas oferecem esse modelo de trabalho como benefício, mas a gente está vendo um grande movimento [para voltar ao presencial] que sequer esperaríamos”, afirma Luciano Santos em entrevista ao Seu Dinheiro.
O escritor e consultor de carreiras relembrou a polêmica do primeiro semestre que envolveu o homem mais rico do mundo: Elon Musk. Em junho, dono da Tesla, fábrica de veículos elétricos, ordenou que os seus colaboradores “parassem de fingir que trabalham” e retornassem aos escritórios da empresa.
Apple e Google também “decretaram” o fim do trabalho remoto em suas empresas.
No Brasil, o modelo híbrido é, por enquanto, o formato presente na maioria das companhias. O formato que alterna dias de trabalho em casa e idas ao escritório é realidade para 56% dos profissionais brasileiros, de acordo com um estudo recente do Google Workspace em parceria com a consultoria IDC Brasil.
Mas, como afirmou Santos, não há como fincar uma bandeira no formato ideal, que vai variar de empresa para empresa. “Talvez no ano que vem poderemos observar melhor para saber qual vai ser o melhor modelo de trabalho”.
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Conhecido como mentor de carreiras, Luciano Santos é autor do livro “Seja Egoísta com a Sua Carreira” e Top Voice LinkedIn 2020, além de palestrante com um painel no Tedx Talks. O especialista em carreiras, que começou no Universo Online (UOL) e passou por cargos de liderança no Google e no Facebook, hoje também atua como um dos especialistas da MeetHub, uma plataforma de mentorias e consultoria para empresas.

Mito: Planejar a carreira
Falar sobre carreira é mais complexo do que se pensa. Assim como um rio é composto por vários afluentes — ramificações que o alimentam em diferentes direções —, a construção da trajetória profissional não é linear.
E, nesse contexto, o planejamento de carreira — criado como um mapa do caminho ao tesouro com grandes objetivos como ser o diretor ou vice-presidente de uma empresa — é “uma das maiores dores” de vários profissionais, afirma Santos.
Mas para o consultor, não há necessariamente uma relação de causa e efeito entre planejar a carreira e ser bem sucedido na profissão.
Em uma consulta com cerca de 2.600 profissionais com ao menos dez anos de experiência profissional, a partir da pergunta “Você planejou a sua carreira?”, Santos chegou ao seguinte resultado:
- 69% dos respondentes afirmaram que não fizeram um planejamento de carreira;
- 31% dos que disseram ter feito, metade foi para em um lugar totalmente diferente do planejado
“Então, planejamento de carreira não é uma régua de sucesso e, às vezes, conseguir ou não o que se quer é um verdadeiro golpe de sorte.” Mas isso não significa que saber onde se quer chegar na trajetória profissional seja irrelevante.
“Ter planos e objetivos para se desenvolver na carreira faz parte da vida de qualquer pessoa, como fazer uma graduação, estudar outra língua e entender as tendências do mercado”, afirma.
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Após a tempestade: a recolocação no mercado de trabalho
Em momentos de crise e demissões em massa, a recolocação no mercado de trabalho, principalmente para pessoas que dedicaram anos a uma única empresa, pode ser um grande desafio.
Para Luciano Santos, a conquista de uma vaga de emprego passa por três aspectos, que ele nomeia como “tripé da empregabilidade”. São eles: currículo, narrativa e networking.
Em primeiro lugar, o currículo é uma “carta-convite” para a apresentação do profissional para qualquer posição. “A gente fala o que a gente é e não o que quer.”
“Uma vez, eu estava entrevistando um rapaz para a posição de gerente de vendas e perguntei, nos minutos finais, se ele não tinha nada a acrescentar. Então, o candidato mencionou que tinha feito um curso de palhaço. O que poderia ser algo irrelevante, na verdade, era essencial para a vaga, porque nesse curso, exemplo, aprende-se a interpretação das reações, a ‘ler energia’, o que é necessário para quem trabalha com vendas”, conta.
Além disso, o segundo componente do tripé é a entrevista. Saber contar a sua história, antes de tudo, é uma técnica e um treinamento, segundo Luciano. Ou seja, ter em mente qual é a sua trajetória profissional, ser capaz de resumi-la em três ou cinco minutos e depois contá-la para você mesmo em frente ao espelho ou para algum amigo próximo.
Por fim, vem o networking, que deve ser construído a longo prazo. Uma conversa rápida em um evento ou criar uma conexão até mesmo por meio do LinkedIn são importantes na construção de uma rede de contatos, “não só quando você foi demitido”.
Para o mentor de carreiras, toda interação de qualidade no mundo corporativo é passível de ser um bom networking.
Tendências corporativas: quiet quitting, semana de quatro dias e benefícios
Nos últimos meses, algumas expressões e tendências surgiram no meio corporativo: home office, quiet quitting, semana de quatro dias, benefícios que têm o objetivo de promover a saúde mental e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Na visão de Luciano Santos, esses movimentos têm uma raiz: a felicidade no trabalho. “O ambiente corporativo ainda é precarizado, onde o salário ainda é muito importante”, afirma.
Em uma consulta com cerca de 1.500 profissionais em seu LinkedIn — rede em que reúne, atualmente, mais de 400 mil seguidores — quase 60% das pessoas responderam que não são felizes em seu trabalho e carreira.
Em linhas gerais, segundo o mentor de carreiras, entre os motivos que mais aparecem entre os profissionais que dizem ser infelizes na área profissional está a remuneração.
Contudo, o inverso não é o mesmo: entre as pessoas que afirmam serem felizes no trabalho, o dinheiro não aparece — mas sim, os benefícios corporativos. “Os benefícios se tornaram pontos muito importantes e potentes na hora de tomar uma decisão [de mudar ou aceitar um emprego].”
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Dica de carreira: “Aprenda inglês”
Essa é uma das três dicas primordiais para Luciano Santos quando o assunto é a construção de uma carreira. “Falar inglês ainda é um grande diferencial e um abridor de portas no mercado brasileiro”.
Em seguida, a capacidade de aprendizagem e a comunicação, que são técnicas que todos os profissionais precisam desenvolver e gerenciar a própria carreira.
Por fim, a mentalidade de continuar aprendendo e estudando é essencial no ambiente corporativo atual, que está cada vez mais, segundo Santos, "generalista do que especialista”.
“A gente fica muito angustiado por perder uma oportunidade. Mas, é importante a gente ter em mente que oportunidades são constantes, sempre vai existir uma outra”
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