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Entre os perfis suspensos estão os dos repórteres Ryan Mac, do The New York Times, Drew Harwell, do The Washington Post, Micah Lee, do The Intercept, Donie O’Sullivan, da CNN, Matt Binder, do Mashable, e Steve Herman, do Voice of America
Muito se discute sobre os limites da liberdade de expressão, se é que deva existir algum. Para Elon Musk, que se autointitula há muito como “defensor da livre expressão”, a fronteira para censurar contas no Twitter está muito bem delimitada: basta publicar coisas que desagradem o Chief Twit.
Só nesta semana, a plataforma de mídia social suspendeu inúmeros perfis na rede, a começar por 25 contas de rastreamento de jatos particulares de bilionários e agências governamentais — incluindo um perfil que monitorava os voos do avião de Musk.
Já na noite de ontem, as suspensões do site do passarinho azul atingiram as contas de destacados jornalistas norte-americanos que escrevem com frequência sobre a empresa e sobre Elon Musk, incluindo repórteres do New York Times e do Washington Post.
Apesar de Elon Musk avisar que as suspensões durariam apenas sete dias, tanto para os perfis de rastreamento quanto para os de jornalistas, algumas das contas contavam com mensagens indicando que as páginas estavam “permanentemente suspensas”.
Nesta sexta-feira, o chefe do Twitter abriu uma nova enquete na rede social questionando seus seguidores quando deveria reverter a suspensão dos perfis que praticaram doxxing.
O doxxing é a prática de divulgar na internet dados privados sobre uma pessoa ou organização, e, a depender do local, pode ser considerado um crime cibernético.
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Até o momento da publicação desta reportagem, a enquete contava com mais de 535 mil votos, sendo que 43% dos usuários escolheram a reativação imediata das contas.
Entre os perfis suspensos, estão os dos repórteres Ryan Mac, do The New York Times, Drew Harwell, do The Washington Post, Micah Lee, do The Intercept, Donie O’Sullivan, da CNN, Matt Binder, do Mashable, e Steve Herman, do Voice of America.
Além destes, os jornalistas independentes Aaron Rupar, Keith Olbermann e Tony Webster também tiveram suas contas desativadas na noite de quinta-feira.
“A suspensão desta noite das contas do Twitter de vários jornalistas proeminentes, incluindo Ryan Mac do The New York Times, é questionável e lamentável”, disse Charlie Stadtlander, porta-voz do New York Times.
“Nem o New York Times nem Ryan receberam nenhuma explicação sobre por que isso ocorreu. Esperamos que todas as contas dos jornalistas sejam restabelecidas e que o Twitter forneça uma explicação satisfatória para essa ação”.
Já a porta-voz da CNN, Kristine Coratti Kelly, disse ao New York Times que as suspensões são "preocupantes, mas não surpreendentes" e que "a crescente instabilidade e volatilidade do Twitter deve ser uma preocupação incrível para todos que o usam".
No caso do jornalista independente Tony Webster, que escreveu sobre uma conta de rastreamento que foi suspensa da plataforma antes dele mesmo ser banido, ele afirmou ter ficado “desapontado ao ver que foi suspenso do Twitter sem justificativa”.
Elon Musk chegou a responder um tweet sobre as contas desativadas de jornalistas dizendo que, “se eles forem desobedientes, eles serão suspensos”.
Em entrevista no Twitter Spaces, apresentado pela repórter do BuzzFeed News, Katie Notopoulos, o bilionário destacou que jornalistas são “apenas um cidadão do Twitter”.
"Não haverá nenhuma distinção no futuro entre jornalistas e pessoas comuns. Todos serão tratados da mesma forma", disse Musk. "Eles não são especiais por serem jornalistas. Vocês [faz] dox, você é suspenso, fim da história.”
Até o momento, nenhuma justificativa para a suspensão das contas foi dada pelo Twitter nem por Elon Musk. Entretanto, um tweet sugeria que os banimentos estariam relacionados aos perfis de rastreamento de jatinhos.
“Algumas das regras de doxxing se aplicam a ‘jornalistas’ e a todos os outros”, escreveu o bilionário.
Segundo o bilionário, não seria possível rastrear seu avião sem utilizar dados não públicos, o que violaria diretamente as regras do Twitter.
Alguns dos repórteres que tiveram suas contas desativadas na noite de ontem escreveram matérias sobre os perfis que rastrearam os aviões particulares ou tuitaram sobre essas contas.
Além disso, parte dos jornalistas escreveu artigos de opinião em que teciam críticas sobre Elon Musk e o comando do Twitter.
“Me criticar o dia todo é totalmente ok, mas “doxxing” [divulgar] minha localização em tempo real e colocar minha família em perigo não é”, tuitou Musk.
A diretora de segurança do Twitter, Ella Irwin, disse ao Verge que “sem comentar sobre nenhuma conta específica, posso confirmar que suspenderemos todas as contas que violarem nossas políticas de privacidade e colocarem outros usuários em risco”.
“Não abrimos exceções a esta política para jornalistas ou quaisquer outras contas.”
Muitos dos perfis de rastreamento de aeronaves suspensos nesta semana pertenciam a Jack Sweeney, um universitário de 20 anos já conhecido de Musk há algum tempo.
No começo de 2022, o CEO da Tesla ofereceu US$ 5 mil para um estudante universitário de 19 anos com experiência em tecnologia encerrar a conta que havia criado no Twitter, @ElonsJet.
O perfil fornecia atualizações regulares sobre os voos feitos pelo CEO da Tesla em seu avião particular, divulgando a localização da aeronave a partir de informações publicamente disponíveis.
A justificativa do bilionário para derrubar o perfil na época era que o site representava um risco para sua segurança. “Não gosto da ideia de levar um tiro de um maluco”, escreveu Musk a Sweeney, em mensagem privada.
O estudante, porém, recusou a oferta de US$ 5 mil — e exigiu um montante dez vezes maior, de US$ 50 mil, do chefe da Tesla.
No mês passado, após assumir o controle do Twitter, Elon Musk chegou a dizer que manteria a conta @elonsjet ativa para assegurar a liberdade de expressão na plataforma.
“Meu compromisso com a liberdade de expressão se estende até mesmo a não banir a conta que segue meu avião, mesmo que isso seja um risco direto à segurança pessoal”, tuitou o bilionário.
Porém, o CEO da Tesla voltou atrás da decisão nesta semana, após ter alegado que um carro em que viajava um de seus filhos foi abordado por um “perseguidor maluco”.
Na quarta-feira, o chefe do Twitter afirmou que qualquer perfil que publicasse “informações de localização em tempo real de alguém seria suspenso, pois é uma violação de segurança física. Isso inclui postar links para sites com informações de localização em tempo real.”
“Eles postaram minha localização exata em tempo real, basicamente coordenadas de assassinato, em (óbvia) violação direta dos termos de serviço do Twitter”, escreveu Musk nesta sexta-feira.
Ao que parece, a concorrência também não caiu nas graças de Elon Musk. Na última noite, a plataforma ainda desativou a conta oficial do Mastodon, rede que recentemente ganhou notoriedade por ser considerada uma alternativa ao Twitter de Musk.
Isso porque, após ser banido da rede social do passarinho azul, Jack Sweeney decidiu migrar para o Mastodon. E, por sua vez, a plataforma promoveu o perfil do estudante em um tweet.
*Com informações de The New York Times, The Verge e CNBC
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