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Embora distante da realidade brasileira, a chance do conflito armado acelerou o movimento de rotação setorial, com a migração de recursos de ativos caros para ativos baratos, de teses de crescimento para teses tradicionais
As trincheiras normalmente são usadas por soldados como uma maneira de se proteger do inimigo na guerra sem perder a capacidade de ataque. Na iminência de um conflito armado entre Rússia e Ucrânia, como proteger investimentos dos riscos sem perder a rentabilidade?
Apesar de soar distante para muitos, a chance de um enfrentamento entre tropas russas e ucranianas tem muita relação com a realidade dos investidores. Isso por conta dos desdobramentos econômicos diretos e indiretos reservados aos países envolvidos no conflito.
Quando se avalia a Rússia e a Ucrânia, uma das primeiras coisas que saltam aos olhos é a relação dos dois países com commodities energéticas, mais precisamente petróleo e gás.
Embalados pela retomada da economia em nível global e a quebra da cadeia de suprimentos, os preços das matérias-primas passaram a subir, alimentando a inflação em várias partes do mundo.
Esse movimento de aumento de preço das commodities ganhou ainda mais força com a chance de uma crise geopolítica, o que fez o petróleo se aproximar dos US$ 97 o barril - o nível mais alto em mais de sete anos.
Como nem tudo são flores no caminho do investidor, quando as commodities energéticas ficam mais caras, o custo da energia também aumenta. O resultado? Inflação elevada.
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E, a partir daí, começa uma outra guerra, e a taxa de juros se torna a arma preferida dos bancos centrais para conter a disparada de preços.
Em certo grau, nasce o movimento de rotação setorial, com a migração de recursos de ativos caros para ativos baratos, de teses de crescimento (duration longo) para teses tradicionais (duration mais curto, ao menos relativamente), da nova economia para a velha economia.
Em meio a um processo que estava acontecendo e que a crise na Ucrânia acelerou, o analista da Empiricus, Matheus Spiess, dá três alternativas para investimentos: ativos de renda fixa atrelados à inflação, fundos imobiliários também indexados e ações bem selecionadas.
“Com a inflação em patamar elevado, é interessante ter títulos de renda fixa indexados à inflação (que pagam IPCA+ taxa). Para o momento atual, gosto de uma combinação de vértices relativamente mais curtos, como o título do Tesouro IPCA+2026, e mais longos, como o IPCA+ 2055”, diz Spiess, em análise publicada no site da Empiricus.
Sobre os fundos imobiliários, ele cita os FIIs de tijolo, que reajustam aluguéis conforme índices de inflação, além de fundos de crédito imobiliário - os chamados fundos de papel, que também sejam atrelados aos índices de inflação.
“Meus preferidos são o Kinea Securities (KNSC11) e o Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11)”, afirma.
No caso das ações, Spiess diz que é preciso fazer o picking, ou seja, escolher ações de companhias com bons fundamentos e baratas.
Segundo ele, o cenário de aperto monetário privilegia papéis da velha economia como de produtoras de commodities e bancos tradicionais, bem como de companhias de setores cíclicos domésticos descontadas.
“As posições em ações tendem a ganhar em ambiente inflacionário, pois são ativos que costumam andar nominalmente. Gosto particularmente das companhias do setor de energia, como Alupar (ALUP11) e Eneva (ENEV3)”, afirma.
Spiess ressalta que essas são algumas alternativas e lembra que o investidor precisa fazer um planejamento com o devido dimensionamento das posições em cada ativo, conforme o perfil de risco, considerando a diversificação da carteira, incluindo algumas proteções associadas.
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