De olho no dinheiro de investidores, 15 clubes de futebol viraram SAF, mas só três acharam parceiro; veja quais
Botafogo, Cruzeiro e Vasco já colhem os frutos da SAF, mas outros 12 times ainda não acharam parceiro; clube tradicional recusou a SAF mesmo com investidor interessado

Cruzeiro, Botafogo e Vasco da Gama foram os primeiros clubes brasileiros a colocarem em prática a chamada Sociedade Anônima de Futebol (SAF).
No caso do trio de gigantes do futebol brasileiro, os investidores já batiam nos portões dos clubes de olho em grandes oportunidades de negócio.
Ronaldo Fenômeno surpreendeu o mundo do futebol ao comprar o Cruzeiro, clube que o lançou para o estrelato.
Depois, o magnata norte-americano John Textor fechou com o Botafogo.
No último fim de semana, os sócios do Vasco votaram pela cisão do departamento de futebol para viabilizar o investimento da 777 Partners, empresa com sede nos Estados Unidos.
Botafogo, Cruzeiro e Vasco colhem os frutos da SAF
Afinal, por mais endividados que Botafogo, Cruzeiro e Vasco possam estar, o fluxo de receitas proporcionado por suas imensas torcidas, a formação de atletas e as facilidades proporcionadas pela SAF soam como música para os ouvidos de quem reconhece os acordes de um bom negócio.
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Em campo, Cruzeiro e Vasco posicionam-se para retornar à Série A. Já o Botafogo vive altos e baixos com o objetivo de não voltar para a Série B.
Já os efeitos das parcerias nas finanças dos clubes serão entendidos somente no ano que vem, quando foram publicados os balanços do trio.
O principal motivo por trás da conversão de potências como Botafogo, Cruzeiro e Vasco em SAFs foi justamente a situação periclitante das finanças.
O que é preciso para um clube converter-se em Sociedade Anônima de Futebol
Isso não impede diversos outros clubes de prepararem o terreno para a transformação em SAF.
O primeiro passo, conforme o Seu Dinheiro explicou em uma série de reportagens no início do ano, é cindir o departamento de futebol do restante do clube.
Explicamos também que a conversão em Sociedade Anônima do Futebol não serve para todo mundo, motivo pelo qual outros grandes clubes ainda monitoram os desdobramentos antes de passos mais ousados.
O passo seguinte à cisão do departamento de futebol é mais complicado.
Se os investidores já batiam à porta do Botafogo, do Cruzeiro e do Vasco antes mesmo da conversão dos clubes em SAF, times de menor porte enfrentam dificuldade para encontrar quem esteja disposto a investir.
Quem já virou SAF?
Agora que os três clubes prepararam o terreno para a conclusão de suas SAFs, o Seu Dinheiro decidiu mapear quais clubes já separaram o departamento de futebol do restante do clube - e agora procuram um parceiro para chamar de seu.
Descobrimos que 12 clubes já estão em condições de receber investimento de um parceiro externo como SAF. Entretanto, eles continuam sem investidor.
Descobrimos também o caso de um tradicional clube de São Paulo que já tinha parceiro para receber o investimento, mas rejeitou cindir o departamento de futebol e o negócio naufragou.
Até agora, 12 clubes já se converteram em SAF, quase todos eles com passagem recente ou atualmente na Série A do Campeonato Brasileiro.
São eles:
- América-MG;
- Bahia-BA;
- Chapecoense-SC;
- Coritiba-PR;
- Figueirense-SC;
- Gama-DF;
- Joinville-SC
- Londrina-PR;
- Noroeste-SP;
- Paulista de Jundiaí-SP;
- Portuguesa-SP; e
- Santa Cruz-PE.
Em todos os casos, o departamento de futebol já foi separado do clube, mas investidor entrando com a grana que é bom, nada. Ainda.
Ao mesmo tempo, três times de médio para grande porte já operam com estrutura de clube-empresa e teriam facilidade para conversão em Sociedade Anônima de Futebol.
Estamos falando de:
- Athletico-PR;
- Botafogo de Ribeirão Preto-SP; e
- Red Bull Bragantino-SP.
Há também os casos de clubes tradicionais que avaliam a possibilidade de conversão em SAF, mas ainda estão na fase de estudar os prós e os contras.
São os casos de:
- Atlético-MG
- Avaí-SC;
- São Paulo; e
- Tupi-MG.
Juventus tinha investidor, mas rejeitou SAF
Mas o caso mais paradigmático envolve um clube que já dispunha de um investidor, mas, na hora de votar a conversão em SAF, o conselho vetou.
Uma das grandes preocupações dos clubes com a conversão em SAF é a reação de seus torcedores à possibilidade de venda do departamento de futebol para um sócio privado que, na prática, atuaria como dono do time.
Diante disso, não é de espantar que estejamos falando do Juventus da Mooca, uma espécie de símbolo maior do futebol raiz na cidade de São Paulo.
O tradicional clube paulistano estava com tudo pronto para a conversão em SAF.
A empresa de telemarketing AlmavivA pretendia investir R$ 13 milhões para arrematar o departamento de futebol do Clube Atlético Juventus.
Levada a votação no início de junho, a proposta foi barrada já no conselho deliberativo do clube e nem chegou a ser levada à assembleia geral de associados.
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