Brasileiros vão aos EUA mostrar soluções climáticas e buscar investimentos gringos
Quarta edição do Brazil Climate Summit NYC acontece em 19 de setembro e deve reunir investidores, lideranças empresariais e formuladores de políticas públicas

Em tempos de tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, um grupo de brasileiros vai aos EUA apresentar as soluções climáticas do país em busca de investimentos gringos.
Nesse grupo está Luciana Antonini Ribeiro, sócia e CEO da vertical de clima da gestora de investimentos alternativos eB Capital, ao lado de Jorge Hargrave, diretor da Maraé Investimentos.
No dia 19 de setembro, eles promovem a quarta edição do Brazil Climate Summit NYC, logo antes da Climate Week NYC e da Assembleia Geral da ONU, todos eventos realizados em Nova York. O evento é realizado em parceria com a Columbia University.
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O evento brasileiro espera atrair cerca de 600 pessoas, entre investidores, lideranças empresariais e formuladores de políticas públicas, para discutir o papel do Brasil na transição climática global.
“Não é uma conversa de brasileiro para brasileiro, mas uma conversa do Brasil com o restante do mundo”, destaca Ribeiro, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Evento vem na hora errada?
Mas você deve estar se perguntando: bem agora, em meio à treta de Trump com o Brasil? E, como se não bastasse isso, também tem a saída dos EUA de acordos climáticos importantes, ao mesmo tempo em que grandes bancos e gestoras têm recuado em seus compromissos ambientais.
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Segundo os organizadores, justamente este é o momento para o Brasil se posicionar (e se mostrar) como um player importante, fornecedor de soluções climáticas transformadoras, escaláveis, competitivas e de alto retorno, prontas para receber capital internacional.
“Nesse momento de uma geopolítica mais confusa e de uma polarização das grandes potências, o redesenho das grandes cadeias emerge. E esse redesenho obviamente impacta países como o Brasil, que tem muito a oferecer”, diz a executiva, citando exemplos como desenvolvimento da indústria de minerais críticos e a necessidade de mais energia para alimentar os data centers para a inteligência artificial.

“De uma certa maneira, é muito bem-vindo que esse evento vá acontecer agora e que justamente a gente vá discutir cadeias de valor globais e como o Brasil pode colaborar nessas cadeias. Eu acho que ficou ainda mais importante essa discussão sobre uma perspectiva do setor privado.”
Isso porque, quando se negocia com investidores que investem em clima, segundo Hargrave, o Brasil não é um hub óbvio para o qual eles estejam olhando para direcionar seu capital.
“Faz parte do trabalho do próprio setor privado se unir e colocar o Brasil no radar dos investidores, das empresas que estão investindo nesse tópico.”
Colocando o Brasil na mira dos investidores
O que nos impede, então, de nos tornarmos mais relevantes globalmente em temas ambientais e atrair mais capital para nossas soluções?
Para Ribeiro, um dos problemas é a falta de um movimento conjunto para colocar o Brasil como uma opção no mapa dos investimentos globais.
“A gente tradicionalmente não tem feito esse esforço quase que de marketing, de buscar as oportunidades lá fora. Isso é feito muito individualmente por algumas empresas, mas não pelo país de uma maneira mais ampla, como setor privado”, opina ela.
Esse desafio apontado por ela se impõe ao setor privado, não exatamente ao setor público. “Nosso objetivo não é criticar o governo ou apoiar o governo, mas entender como é que nós, do setor privado, podemos contribuir para uma agenda favorável de Brasil.”
Este, portanto, é um dos objetivos do summit brasileiro em Nova York.
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O que muda com Trump e afins?
Segundo Ribeiro e Hargrave, seria ingênuo afirmar que esses “ruídos” gerados por Trump não afetam as discussões climáticas, mas a tendência de longo prazo não se altera.
“A tendência de longo prazo não muda. Ela oscila, como em qualquer revolução”, diz Hargrave.
“Apesar dos ciclos políticos que vão e vêm, eu acho que na cabeça do setor privado e dos investidores essa transição para uma economia de baixo carbono está cada vez mais difundida”, segundo o executivo. “Dá para argumentar se ela está um pouquinho mais rápida, um pouquinho mais devagar, mas acho que a direção não muda.”
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Como isso impacta os seus investimentos?
A transição para uma economia de baixo carbono, destaca Ribeiro, vai passar necessariamente por uma mudança radical na alocação de capital das empresas.
Ao olhar para o longo prazo — por exemplo, para os investimentos para a aposentadoria —, não há como negar as mudanças climáticas, seus impactos no mundo real e a necessidade de uma transição para uma economia de baixo carbono.
“Ela vai acontecer? Sim ou sim? A gente não sabe a velocidade em que ela vai acontecer, mas dizer que daqui a 30 anos você vai estar emitindo [gases de efeito estufa] como você emite hoje, é quase como determinar a própria sentença de morte ou de caos mundial”, diz Hargrave.
Por isso, defende ele, quando o pequeno investidor vai alocar seu capital, é importante olhar quem são as empresas e os fundos que estão levando esses quesitos em consideração. “Isso é uma tendência inexorável da sociedade, da economia e, por consequente, das empresas que vão ter sucesso no futuro.”
Serviço
Mais informações sobre o evento Brazil Climate Summit NYC podem ser encontradas no site https://www.brazilclimatesummit.com/bcsnyc2025.
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