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O Copom manteve a Selic inalterada pela primeira vez desde o começo de 2021; veja os detalhes da decisão de juros do BC
Passados 18 meses desde o início do ciclo de alta de juros, o Banco Central decidiu que já era o suficiente. Há pouco, o Copom manteve a Selic estável em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de 13 elevações consecutivas — no começo do processo, em março de 2021, as taxas estavam em 2%.
O parecer, no entanto, não foi unânime: dois diretores do BC — Fernanda Guardado, responsável pela pasta de assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos, e Renato Gomes, diretor de organização do Sistema Financeiro e Resolução — defenderam uma alta de 0,25 ponto na taxa básica de juros.
Em linhas gerais, essa divergência dentro do Copom já era refletida pelo mercado, uma vez que uma fatia minoritária dos analistas e economistas trabalhava com a hipótese de um aumento residual de 0,25 ponto na Selic — para eles, a tendência de alívio apontada pelo IPCA em julho e agosto não era suficiente para estabilizar o aperto monetário.
Mas, para o mercado, tão importante quanto a decisão em si é a sinalização dada pelo BC quanto aos próximos passos. Por quanto tempo a Selic permanecerá estável? A partir de quando será plausível pensar numa eventual queda dos juros?
E o comunicado do Copom respondeu algumas dessas dúvidas: a autoridade parece fazer questão de mostrar que segue em estado de alerta, sem descuidar do combate à inflação ou dar a batalha como ganha — e, sendo assim, é de se imaginar que um corte na Selic no curto prazo está descartado.
No documento, o Copom diz que a Selic em 13,75% é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", que inclui o ano de 2023 e, em menor escala, o de 2024. O comitê ressalta, no entanto, que "não hesitará" em retomar o ciclo de alta dos juros se julgar necessário.
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Em linhas gerais, o Copom manteve o tom cauteloso visto nas últimas reuniões, ponderando os riscos externos e domésticos à trajetória da inflação. Há, no entanto, uma série de surpresas positivas em relação ao cenário-base traçado pelo BC — algo que não vinha sendo muito comum nas comunicações da autoridade monetária.
A começar pelos dados de atividade no Brasil, com o avanço de 1,2% no PIB do segundo trimestre representando "um ritmo de crescimento acima do esperado"; segundo o Copom, os demais indicadores também sinalizam crescimento. E, no front da inflação ao consumidor, o BC destaca a "queda recente dos itens mais voláteis".
Isso, no entanto, não quer dizer que o cenário tenha melhorado por completo desde a última reunião, realizada em agosto. No exterior, o cenário segue adverso: revisões negativas para o crescimento, inflação global ainda pressionada e aumento de juros em andamento nas principais economias.
Por aqui, também há uma série de questões no radar: por mais que o nível médio de preços da economia brasileira esteja cedendo, o Copom destaca que o IPCA acumulado em 12 meses continua elevado — e as medidas de inflação subjacente seguem acima do ideal para o cumprimento das metas.
Ainda assim, o balanço de riscos agora encontra-se mais equilibrado, deixando de pender de maneira tão evidente para o lado negativo. E, como tal, o BC optou por encerrar o ciclo de alta de juros.
O Comitê se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação.
Comunicado de decisão de juros do Copom, de 21 de setembro de 2022
Por fim, também chama a atenção o tom firme adotado pelo BC ao se referir ao futuro. Segundo o comunicado, o Copom vai perseverar até que esteja consolidado o processo de desinflação e de ancoragem das expectativas em torno das metas — o que dá a entender que um corte de juros no curto prazo está fora da mesa.
E o que pode fazer com que o processo de desinflação não se consolide, como tanto teme o Copom? Bem, há duas grandes preocupações no radar: um ambiente prolongado de aumentos de preços em escala global e a incerteza quanto ao arcabouço fiscal do Brasil.
O segundo ponto merece atenção especial. Com o primeiro turno das eleições previsto para o começo de outubro, o BC deixa claro que a eventual adoção de novas medidas de estímulo trará consequências negativas para a trajetória da inflação — uma espécie de recado para os postulantes ao governo.
No lado de riscos de baixa, o Copom elenca três grandes fatores no radar:
O cenário-base do Copom parte de algumas premissas: taxa de câmbio a R$ 5,20 e petróleo aumentando 2% ao ano a partir de março de 2023. No lado das tarifas de energia elétrica, a bandeira verde da Aneel será mantida ao longo de 2022, passando para amarela ao fim de 2023 e 2024.
Nessas condições, o BC projeta inflação em 5,8% neste ano, recuando para 4,6% em 2023 e para 2,8% no ano seguinte.
"O Comitê optou novamente por dar ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, que reflete o horizonte relevante, suaviza os efeitos diretos decorrentes das mudanças tributárias, mas incorpora os seus impactos secundários", diz o comunicado. "Nesse horizonte, referente ao primeiro trimestre de 2024, a projeção de inflação acumulada em doze meses situa-se em 3,5%".
No documento abaixo, fizemos um comparativo entre o comunicado de hoje e a versão passada, de 3 de agosto — na ocasião, o BC elevou a Selic de 13,25% para 13,75% ao ano. Os trechos excluídos estão taxados em vermelho; os incluídos aparecem em negrito, na cor azul. Partes idênticas estão sem formatação. Para ter acesso à integra, basta clicar na imagem ou no link:

CLIQUE AQUI PARA FAZER O DOWNLOAD DO ARQUIVO
"O Copom indicou que a taxa de juros deve permanecer alta por um período prolongado, até a convergência da inflação para a meta e ancoragem das expectativas. [...] Esperamos que a Selic permaneça em 13,75% até o fim do primeiro trimestre de 2023".
"Acreditamos que o início da queda dessa taxa deve acontecer somente no segundo semestre de 2023. [...] Falando de investimentos, eu gosto muito do pós-fixado, gosto do Tesouro Selic. Muitas vezes queremos sofisticar, fazer algo inovador, mas esse número de 13,75% é bastante alto, com liquidez diária, sem risco para o investidor. Também gosto muito do “pré meio da curva”, porque a inflação implícita está acima de 5%. Também é interessante um título de curva mais longa, o Tesouro IPCA, 2050".
"Deixa alguma possibilidade de voltar a aumentar os juros caso o processo de desinflação não transcorra como o esperado. O comunicado é bem compatível com o cenário base da Selic estável, pelo menos até o início do segundo semestre de 2023, que já presume uma inflação mais alta do que esperado pelo Copom".
O Bacen confirmou as expectativas e manteve a Selic em 13,75%, mas deixou em aberto uma retomada do ciclo de alta se o processo deflacionário não se confirmar, enfatizando incertezas e balanços de riscos com variância acima do usual. [...] Com todos os fatores de riscos apontados no comunicado, o Banco Central parece que optou por não apertar demais as condições monetárias, sob o risco de afetar a atividade econômica".
“A gente acredita que agora o remédio está dado, é uma questão de quanto tempo ele vai manter isso. Por quanto tempo os juros vão ficar lá em cima. Acreditamos que seguirão por pelo menos uns seis meses, ou seja, a gente vai ver provavelmente o primeiro corte de juro só em maio do ano que vem. Foi usada a expressão "suficientemente longo" para manter. Então, na nossa opinião, vamos passar agora por um período de estabilidade".
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