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Sim, bilionários como Elon Musk devem existir

O problema não está na existência de bilionários, mas na destruição de valor e no populismo orquestrados pelos governos e que favorecem essa minoria

O bilionário Elon Musk, CEO da Tesla
O bilionário Elon Musk, CEO da Tesla - Imagem: Shutterstock

Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, nasceu numa região remota do interior do Rio Grande do Sul, tendo se mudado para o Rio de Janeiro, a capital do país, ainda adolescente. 

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Na capital, Irineu traçaria uma longa carreira, começando do zero até se tornar o maior "tycoon" (magnata), da história do país.

Em 1867 a fortuna de Mauá atingiria incríveis 60 milhões de dólares, valor superior ao orçamento do governo brasileiro e equivalente a ¼ do patrimônio do Banco da Inglaterra.  

Pelo mesmo período, Cornelius Vanderbilt deixava a maior herança da história americana até então, uma fortuna de US$ 100 milhões.

Tendo fundado o primeiro banco comercial do país, a indústria naval, ferroviária, de saneamento, de iluminação e outros diversos setores, Mauá foi também político, tendo sólida atuação para combater a escravidão, prática abolida em suas empresas. O barão contribuiu até para a chegada do futebol ao Brasil.

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Há poucas dúvidas de que figuras como Mauá tenham colaborado no desenvolvimento do país. Ainda assim, nos tempos atuais, é improvável que tal figura sobrevivesse ao escrutínio da opinião pública.

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Bilionários se proliferam

Bilionários se tornaram figuras centrais no debate público, em um mundo onde o problema da fome foi substituído pelo problema da obesidade, e onde a pobreza é um problema de menor atenção do que a desigualdade. 

E eles têm aumentado de forma bastante impressionante. Desde que John D. Rockefeller se tornou o primeiro ser humano a ter mais de $1 bilhão, em 1996, o mundo ganhou um novo bilionário a cada 23 dias e em uma velocidade crescente. Na China de hoje, a cada 4 dias surge um novo bilionário.

É nos Estados Unidos, porém, que o tal “problema” se concentra. Se você possui um pouco mais de memória, deve lembrar que há alguns anos um grupo de manifestantes ocupou o distrito financeiro de Nova York para protestar contra a acumulação de riqueza nas mãos do 1% mais rico.

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Trata-se de um movimento que ganhou fama mundial, mas que não duraria tanto tempo.

O motivo para isso não é lá muito difícil de entender. Nos EUA, os 3% mais ricos possuem um patrimônio superior a $1 milhão. Em locais como Nova York, há 1 milionário para cada 9 habitantes, já na Califórnia a proporção é de 1 para 10.

Culpar os milionários por lá significa muitas vezes culpar seus pais, seus vizinhos, e convenhamos, não é esperado que alguém vá culpar a si mesmo ou sua família pelos problemas do mundo. Fica evidente portanto que o problema não é o 1% milionário, mas os bilionários!

No Brasil então, o caso sequer foi cogitado, pois logo se percebeu que o 1% mais rico por aqui inclui também parte do funcionalismo público que ganha mais de R$ 15 mil.

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[captacao]

O verdadeiro problema

A discussão americana em torno da riqueza acumulada por determinados indivíduos cresceu nos últimos em uma velocidade similar a outro problema, deixado de lado no debate: a desvalorização da moeda. 

Desde a crise de 2008, bancos centrais entraram em uma espiral de queda nos juros e impressão de dinheiro. O resultado é que temos hoje uma liquidez jamais vista na história, e que colabora para o aumento do número de bilionários.

No mundo dos juros negativos, é possível operar negócios que crescem queimando caixa e não tem lucro. Basta uma boa ideia, engajamento do número de clientes, e os recursos fluem, alimentando uma quantidade cada vez mais impressionante de “unicórnios”, como são chamadas as empresas com mais de $1 bilhão.

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E nessa espiral, os mais ricos se beneficiam como ninguém. A lógica é relativamente simples: o crédito ofertado aumenta, pessoas que possuem bens e direitos utilizam estes recursos para conseguir crédito e compram novos bens e direitos.

Tal lógica passa longe do debate público, ocupado demais em encontrar soluções fáceis, como a taxação de grandes fortunas.

A culpa não é do Elon Musk

No mundo encantado da política e das ideias políticas, tudo é muito simples. Cria-se um novo imposto, políticos têm mais recursos para gerir e podem enfim solucionar os problemas do mundo.

Se você tirar cinco segundos para refletir, porém, verá que o mundo continua com inúmeros problemas, mesmo que dos US$ 83 trilhões em riqueza que o mundo cria todos os anos, políticos abocanham ao menos US$ 25 trilhões.

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Seria absurdo portanto supor que ainda existe fome no mundo pois Elon Musk não paga US$ 6 bilhões por ano em impostos (de fato, Musk pagou US$ 15 bilhões em imposto no último ano).

Mas a lógica permanece, em um mundo onde problemas complexos recorrem a respostas fáceis e completamente erradas.

Na outra ponta, respostas não tão fáceis, como o bitcoin, também estão na mesa para aqueles que decidirem ir além dos tais cinco segundos. 

Trata-se de uma alternativa monetária fixa, que reconhece o valor da escassez e entende que o dinheiro não pode ser criado por mera vontade política, e que ampliar a quantidade de moeda no mundo, sem ampliar a riqueza produzida, significa pura e simplesmente inflação.

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O algoritmo do bitcoin e a sua própria formação histórica entendem o valor da estabilidade e previsibilidade. Por conta disso, enquanto o mundo bate recordes de inflação, a emissão de bitcoins segue exatamente o que diz o algoritmo, levando a uma diminuição no total disponível, tendo em vista o aumento de bitcoins entesourados. 

A ideia em si é fugir da insanidade monetária que vivemos.

É nítido, portanto, que há algo de errado com o excesso de bilionários ou a velocidade com que eles surgem e acumulam riqueza, mas o problema passa longe da existência, ou não, de bilionários em si.

Vivemos em um mundo onde a moeda perde valor constantemente, a inflação tira o sono das famílias e nossos políticos ignoram por completo as causas, focando em tentativas populistas de ludibriar a população com soluções simplistas.

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Bilionários, ou os muito ricos, existiram ao longo da história do capitalismo pela capacidade de desenvolver soluções para os problemas da sociedade. Não há qualquer problema nisso, ao contrário da destruição de valor e do populismo orquestrados pelos governos e que favorece essa minoria. 

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