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Os resultados das gigantes da tecnologia terão grande influência no resto da semana. No Brasil, após o sell-off de ontem, que corrigiu parte da alta da semana passada, voltamos a conviver com volatilidade eleitoral
Bom dia, pessoal. Lá fora, os mercados asiáticos encerraram o pregão de forma mista nesta terça-feira (25), tentando seguir as movimentações predominantemente positivas dos mercados globais durante o dia de ontem, em meio à incerteza sobre as perspectivas para as taxas de juros nos EUA antes da reunião do Federal Reserve da próxima semana.
Um relatório recente sobre o Fed sinalizou uma desaceleração no ritmo de aumento das taxas, fato que está ajudando o sentimento do mercado.
Enquanto, na Ásia, os investidores anseiam por mais medidas de estímulo do governo chinês, a história é diferente no Ocidente.
Os mercados europeus abriram sem uma única direção, predominantemente em queda.
Os futuros americanos também não estão apresentando um bom desempenho nesta manhã. Os resultados das Big Techs terão grande influência no resto da semana.
No Brasil, depois do sell-off de ontem, que corrigiu parte da alta da semana passada, voltamos a conviver com volatilidade eleitoral. A ver...
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Por aqui, no Brasil, os investidores se debruçam sobre a prévia da inflação oficial de setembro, o IPCA-15, que deve mostrar estabilidade no mês, levando a comparação anual para 6,75%.
Eventuais surpresas devem pressionar a curva de juros, principalmente em meio ao início do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e apresenta amanhã, depois do mercado, sua resolução ao mercado.
Entendo que a autoridade monetária manterá a taxa de juros inalterada.
Resta entender o comunicado que acompanha a decisão e por quanto tempo a taxa de juros permanecerá elevada, em 13,75% ao ano (a redução só deve vir na segunda metade de 2023).
Enquanto isso, o mercado ainda se recupera da queda de ontem, com destaque para o tombo das estatais, que foram sensibilizadas depois de uma semana agitada e do evento envolvendo Roberto Jefferson.
A Petrobras, por exemplo, caiu mais de R$ 50 bilhões em valor de mercado (outro vetor de preocupação era o relatório da produção da companhia, que também não foi lá grande coisa).
Como deveria ser, começamos a sentir a volatilidade do processo eleitoral.
Ontem, a campanha do presidente Bolsonaro fez uma grave acusação ao indicar que mais de 154 mil inserções da propaganda eleitoral da campanha à reeleição do incumbente não foram veiculadas.
Agora, o TSE deu até a noite de hoje para que provas fossem apresentadas. Qualquer que seja o desfecho, o contexto é grave (se a campanha mentiu ou se de fato houve prejuízo para Bolsonaro).
Retrato de um país que vive um de seus momentos mais instáveis da história recente do ponto de vista institucional.
Hoje, nos EUA, entre os dados econômicos, se espera que o sentimento do consumidor possa ter efeito sobre o mercado a depender de seu resultado.
Além desse número, também esperamos que haja entrega de dados do setor imobiliário americanos, com o índice nacional de preços de residências.
O setor imobiliário, diferentemente dos demais setores, já começou a enfrentar sinais de recessão.
Outro ponto de atenção, porém, talvez até mais relevante, são as 165 empresas do S&P 500 que estão divulgando seus resultados corporativos nesta semana (cerca de 45% do índice).
Os destaques virão das grandes empresas de tecnologia nos próximos três dias (trataremos na sequência).
Em outras palavras, a semana será lida como a mais importante da temporada de resultados.
Enquanto os lucros ainda mostrarem crescimento, as previsões de recessão carecem de credibilidade.
Hoje, depois do fechamento do mercado, teremos os resultados de Microsoft e Alphabet.
Outros nomes também são aguardados para hoje, como 3M, Coca-Cola, General Electric, General Motors e Visa.
Mas o destaque, como não poderia deixar de ser, fica por conta das grandes empresas de tecnologia, as grandes campeãs de desempenho dos últimos 10 anos, até 2022, ano que tem servido como um momento de forte correção para os nomes do setor.
Na quarta, ainda teremos Meta, dona do Facebook. Na quinta-feira, Amazon e Apple. Ou seja, de hoje até quinta, em um período de 72 horas, cerca de 25% do valor de mercado do S&P 500 reportará o resultado do último trimestre.
O período é sempre importante para a temporada, mas dessa vez parece ser especial, principalmente por conta da correção verificada nos últimos meses — o índice Nasdaq cai mais de 30% em relação ao recorde de novembro de 2021.
Teremos agora, portanto, a última janela para uma leitura completa sobre o desempenho do setor antes do final do ano.
As empresas de tecnologia continuam enfrentando fortes desafios, como o dólar forte, a diminuição dos gastos dos consumidores, o aumento das taxas de juros, a inflação alta e a possibilidade de recessão. O bear market ainda não acabou, que fique claro.
A temporada de resultados também acontece na Europa, que passa por um dos períodos mais delicados da história recente.
A inflação elevada, a crise energética, a instabilidade política e a guerra na Ucrânia são fatores que nos impedem de criarmos cenários construtivos para o velho continente em uma janela salutar de tempo.
Para o dia, vale acompanhar os dados de sentimento de negócios na Alemanha e os números de empréstimos do Banco da Inglaterra.
O Reino Unido, aliás, como falamos aqui ontem, consolidou o nome de seu primeiro-ministro como sendo o de Rishi Sunak.
Seu perfil fiscalmente responsável deveria endereçar a crise de credibilidade, mas dificilmente conseguiria unir os britânicos em prol de uma solução de longo prazo.
Hoje, antes da abertura do mercado, os investidores digerirão o resultado do Twitter. Mais do que os números do trimestre, a semana é importante porque deverá marcar o fim de uma saga que permeia a empresa por meses.
Até sexta-feira, Elon Musk deverá concluir sua compra de US$ 44 bilhões do Twitter — as ações do Twitter negociam hoje a US$ 51,52, menos de US$ 3 do preço de US$ 54,20 de Musk.
Para os próximos meses, muitas coisas devem mudar na empresa, uma vez que seu novo dono parece acreditar que a companhia pode reduzir sua força de trabalho de 7.500 pessoas da empresa em 75%, deixando menos de 2.000 funcionários para proteger contra ameaças de segurança e resolver o problema dos bots.
Vale notar que demissões já eram esperadas dentro da companhia (corte de US$ 800 milhões na folha de pagamento até o final de 2023), mas nada como a proposta de Musk.
A ideia é tornar o negócio realmente lucrativo, algo que o Twitter sempre teve dificuldades — mesmo com mais de 200 milhões de usuários, não conseguiu se manter lucrativo.
A revolução na companhia deverá ser acompanhada pelo mercado, considerando que a rede social é relevante para muitas pessoas, mas o curto e médio prazo prometem volatilidade, incertezas e desafios.
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