Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Cenário (aparentemente) binário: o governo Lula e o fim do Brasil

Na retórica, a responsabilidade fiscal foi condenada e o mercado financeiro virou o malvado favorito da vez, como se não fosse apenas um mecanismo de alocação de recursos que obedece às sinalizações do sistema de preços

21 de novembro de 2022
18:13 - atualizado às 15:13
teto de gastos se quebrando | Ibovespa
Imagem: Andrei Morais/ Shutterstock

"Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Preto é preto? Branco é branco? Ou: quando é que a velhice começa, surgindo de dentro da mocidade”.

Quando falta conteúdo, muita gente cita o Buffett. Tenho uma regra interna, que não conto pra ninguém: se, em uma conversa, o interlocutor cita uma frase do velhinho, sempre tentando impressionar com um argumento de autoridade pseudossofisticado, desligo meu aparelho do centro auditivo Telex. Apelou, perdeu.

Entre nós dois aqui, posso confessar que sempre preferi as ideias de Soros àquelas de Buffett. A dialética e a endogeneidade da teoria da reflexividade me parecem mais capazes de descrever o funcionamento das coisas do que o maniqueísmo da dicotomia entre preço e valor intrínseco.

É como se esse último, que eu nunca encontrei na rua, vivesse isolado do mundo, com suas próprias (intrínsecas) características, sem influência externa, passível de ser tocado e medido com precisão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Kant resolveu essa questão há tempos. A realidade só existe a partir do nosso próprio filtro. Então, o tal valor intrínseco teria efeitos do olhar do observador, passando, assim, a ser extrínseco.

Leia Também

Dicotomia infantil

Se a linguagem nos impõe limites intransponíveis, melhor apelar para a arte, que costuma apontar boas respostas, ainda que ela não saiba. Volto ao clássico (e citado aqui repetidas vezes) de Guimarães Rosa, com sua capacidade atemporal de descrever problemas ontológicos.

Perdão, desculpe a digressão intrometida, mas permita-me perguntar: qual foi o momento exato em que você passou a amar sua esposa (ou seu marido)? Quando você percebeu ser apto a realizar a tarefa hoje desempenhada com grande facilidade?

O mocinho contra bandido, o médico e o monstro, o genocida contra o comunista, os apartamentos comprados com dinheiro vivo contra as mazelas do petrolão, a rachadinha e o mensalão, o neoliberalismo contra o desenvolvimentismo, o Lula 1 contra o Dilma 3 (Deus tenha piedade de nós!), a política social contra a fiscal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vivemos uma dicotomia infantil na análise brasileira, numa guerra retórica de bem contra o mal. Nas minhas ideias platônicas, concordo que ninguém é voluntariamente mau. Ah, e como gosta de repetir o Pondé, se você se acha do bem, meu amigo, tenho até medo do tanto de maldade que carrega dentro de si sem perceber.

Convivem dentro da gente, dos políticos (que, sim, são pessoas também) e dos países (formados por pessoas, que criam suas instituições formais e informais) ambivalências e multiplicidades variadas, resultando em equilíbrios, muitas vezes, fora dos dois extremos.

A pergunta de 1 bilhão de dólares

Neste momento, a pergunta de um bilhão de dólares parece ser: Lula terá responsabilidade fiscal?

Voltamos ao problema da linguagem e do observador. Não vejo resposta precisa possível neste momento. Talvez, no entanto, as últimas sinalizações e a observação da História brasileira possam permitir arriscar um palpite.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As indicações das últimas duas semanas foram as piores possíveis. Discutimos o orçamento de 2023 sem a definição da equipe à frente da Economia. Foi enviada uma PEC, que batizei de “PEC da Boa Sorte” (prescinde de explicação), com gastos muito além do razoável (estamos falando de 2% do PIB a mais de gasto, sem anúncio de contrapartidas de receita tributária ou redução de despesa) e por prazo indefinido.

Na retórica, a responsabilidade fiscal foi condenada e o mercado financeiro virou o malvado favorito da vez, vilão nacional, como se não fosse apenas um mecanismo de alocação de recursos que obedece às sinalizações do sistema de preços. Só há dois botões: você compra se vai subir; você vende se vai cair.

Lula e o fim do Brasil

Como qualquer outro analista, vi as notícias com preocupação. Aumentou a probabilidade de caminharmos para um novo equilíbrio macro de pior qualidade, com maior presença do Estado na Economia (e queda da já combalida produtividade dos fatores), mais inflação e mais juros.

Também hei de reconhecer que todos nós, ainda que de maneira não deliberada, estamos sujeitos aos próprios vieses. É sempre muito difícil, mesmo que não se admita, traçar a linha exata de onde começa a análise, onde termina a torcida. Os analistas também são humanos, muitos, inclusive, da pior qualidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ressalvas feitas e ponderações à parte, o cenário “O Fim do Brasil” ainda não me parece o mais provável, vendo boas chances de as sinalizações das últimas semanas comporem retórica negocial do que propriamente uma caminhada pragmática naquela direção.

Gostemos ou não de Lula, falamos de uma das maiores lideranças políticas da história brasileira, talvez a maior, com capacidade ímpar de leitura das situações políticas e articulação. O próximo Congresso é diferente do atual, mais à direita, conservador e bolsonarista, tendo boa parte já com cabeça em 2026. Seu espaço de negociação tende a ser menor em 2023 do que neste momento.

Por isso parece fazer sentido pedir tudo que for possível (e até o impossível!), sem prazo definido, para não ter de voltar ao balcão de negócios à frente, quando as coisas ficam mais difíceis pra ele. Lula tenta mais graus de liberdade agora, pois sabe que não os terá depois na mesma magnitude.

Do outro lado, o Congresso

Do outro lado, há o Parlamento. Por que assinar um cheque em branco agora, se haveria, no limite, o risco até de o novo Congresso revisitar a PEC da transição em 2023? Boa parte do Parlamento será renovado. Por que muitos sairiam assinando um orçamento sem saber os rumos do país? Vamos dar uma licença para gastar por quatro anos, sem nem saber quem será o ministro da Fazenda e o novo regime fiscal? Não seria mais racional manter para si o poder de barganha e aprovar um prazo menor, voltando a negociar em 2023?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como sabe o Capitão Nascimento, o sistema é f…. E ele reage. O senador Alessandro Vieira já trabalha numa PEC alternativa, envolvendo “apenas" R$ 70 bilhões de gastos fora do teto, para 2023.

Boa parte dos deputados do chamado “Centrão" se reúne com o mundo empresarial e o sistema financeiro — não nos iludamos: ainda estamos no Brasil e parte desse pessoal é funcionário, devidamente remunerado, por grandes grupos empresariais. Lobby não formalizado, mas institucionalizado — da série, jaboticabas. Entre outras coisas, isso ajuda a explicar porque é tão difícil explodir o país.

A própria PEC original não é binária. Há espaço para sua desidratação. Davi Alcolumbre foi explícito ao dizer que o texto final será muito diferente do inicial.

Os sinais do último final de semana também são mais palatáveis. Guilherme Mello, o representante da Unicamp (e isso diz muita coisa!) na equipe de transição, deu entrevista à Folha quase como um fiscalista. O presidente Lula disse ter recebido construtivamente a carta de Armínio, Bacha e Malan. "Conselho bom a gente escuta” (tomara!).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A imprensa fala da possibilidade de anúncio iminente do novo ministro da Fazenda e do novo regime fiscal — um olhar atento talvez aponte boa probabilidade de Felipe Salto estar na secretaria do Tesouro; é um excelente quadro, que já fala quase como um governista.

Ademais, há de se notar o nível da reação ao discurso populista, que antagoniza política fiscal e social. Eu me pergunto se Perón seria o mesmo na era das redes sociais, dos grupos de Zap e da maior disseminação da informação. A imprensa tradicional, com sólidos e críticos editoriais de Folha e Globo, alvos típicos do bolsonarismo, se revolta contra a irresponsabilidade (não custa lembrar: “Globo golpista” foi expressão cunhada pelo petismo).

Lula 1, Dilma 3

Por fim, em democracias consolidadas, com mecanismos de pesos e contrapesos, imagina-se que alguma racionalidade prevaleça ao final, ainda que não muita e mesmo depois de tentarmos vários outros caminhos. Se insistir na aventura heterodoxa de experimentações com a macroeconomia, Lula corre o risco de inviabilizar seu governo logo na entrada.

Se a Selic for mesmo a 15%, conforme já se especula, mataremos famílias mais pobres, endividadas nos vários cartões de crédito, novidade da era dos bancos digitais e fintechs (dá-lhe seleção adversa; qualquer contra-argumento pode ser invalidado pela observação dos resultados do segundo trimestre, simplesmente horrorosos para a situação creditícia).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A resposta seria a necessidade de mais auxílio emergencial. Entramos na espiral de mais dívida, mais dólar, mais juro. A dominância fiscal captura a agenda. Chegamos ao Dilma 3 e, sendo assim, seguindo à risca o processo, ao governo Alckmin. Como político experiente, ainda que possa questionar os manuais ortodoxos de Economia, Lula sabe dessa lição.

Aqui, porém, não há espaço para falsas esperanças ou expectativas ingênuas. Entre o Lula 1 e o Dilma 3, talvez fiquemos como algo no meio do caminho, típico da mediocridade brasileira de sempre e do caráter macunaímico de que Lula é grande representante.

Enquanto isso, como resumiu Samuel Pessoa, voltamos ao Brasil velho de guerra, paraíso do CDI. As taxas de juro oferecem oportunidades formidáveis na renda fixa. Aproveite enquanto é tempo. Nossa Black Week já está no ar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia