Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Como a alta dos juros afeta o valor das ações da bolsa, e ainda mais as empresas de tecnologia

Enquanto as empresas tech dispararam em 2020 e 2021, hoje, as companhias ligadas a commodities são as que possuem fluxos de caixa de curto prazo mais relevantes

9 de junho de 2022
6:31 - atualizado às 13:10
Computador tecnologia ações
Ações de tecnologia - Imagem: Shutterstock

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O aumento dos juros é, novamente, o foco central dos investidores. Falar sobre o assunto é naturalmente algo especulativo.

Parte do mercado teme que o Fed (o Banco Central americano) não seja capaz de implementar um aperto monetário forte o suficiente para controlar a inflação. 

Outra vertente de investidores teme exatamente o oposto: que o Fed vá longe demais e afogue o mundo numa recessão. 

Onde a maioria dos investidores se perde, porém, é nos desdobramentos práticos dessa discussão para os mercados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quais ativos se beneficiam dos juros aumentando? Entre os prejudicados, qual o tamanho do problema?

Leia Também

Quando falamos em empresas, existe impacto operacional em seu dia a dia?

Na coluna de hoje, meu objetivo é responder essas perguntas de uma maneira que te ajude a alocar seu capital em meio a um cenário tão conturbado. 

Existe valor "justo"?

A primeira coisa que precisamos ter claro é que nenhum ativo tem um valor absoluto, único e verdadeiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O valor de qualquer ativo imobiliário é relativo, e essa relatividade se expressa através dos juros.

Quero dizer o seguinte: é perfeitamente possível que uma empresa valha "X" em 01 de janeiro e "Y" em 31 de dezembro, mesmo que muito pouco mude em sua operação no transcorrer de 12 meses.

Avaliação em duas etapas

A avaliação de um qualquer ativo financeiro tem duas etapas principais: estimar os seus fluxos de caixa futuros e depois transportar esses valores para o presente.

Se eu estimo que uma empresa será capaz de gerar R$ 1 milhão em fluxo de caixa em 2030, eu preciso estimar também o valor desse R$ 1 milhão hoje.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É aquela velha noção, super intuitiva, de que R$ 1 hoje tem um poder de compra muito menor que o mesmo R$ 1 há 20 anos.

Para isso, utilizamos um conceito de taxa de desconto, que nada mais é do que o "custo de oportunidade" do nosso dinheiro.

Taxa de juros longa

Essa taxa de desconto pode ser entendida como a taxa de juros de longo prazo de um país, acrescido de um prêmio de risco.

E qual a taxa de juros longa de um país?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O consenso entre os investidores é que essa taxa é o juros de 10 anos. No caso dos EUA, o Treasury de 10 anos de que tanto falamos.

E como essa taxa impacta o valor das empresas?

Se o meu prêmio de risco (ou seja, o retorno que eu, enquanto investidor, acredito ser suficiente para me remunerar adequadamente pelo risco) for de 5% ao ano, e o juros for de 1% ao ano, minha taxa de desconto (simplificando a aritmética) será próxima de 6%.

Estimar o valor daquele fluxo de caixa de R$ 1 milhão que está a 10 anos no futuro, resume-se a seguinte equação:

R$ 1.000.000 / [(1+6%)^10] = R$ 558.394,78.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em outras palavras, se eu pagar por esse ativo R$ 558.394,78 e receber R$ 1 milhão em 10 anos, meu retorno terá sido de 6% ao ano.

É assim que os investidores pensam sobre o valor "justo" dos ativos.

O juros soberano

Agora, o que acontece se a taxa de juros de 10 anos - nosso juro soberano - sair de 1% para 2%?

Nesse caso, vamos repetir a equação, mantendo o prêmio de risco em 5%:

R$ 1.000.000 / [(1+7%)^10] = R$ 508.349,29

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao aumentarmos a taxa de desconto, o valor presente diminui. Naturalmente, para chegar no mesmo R$ 1 milhão em 10 anos, se eu terei 1 p.p a mais de retorno todos os anos, eu posso partir de um valor inicial menor.

Da teoria à prática

Nesse exemplo ilustrativo, o juros de 10 anos saindo de 1% para 2% representou uma queda de aproximadamente 8,9% no valor presente do nosso ativo, que possui apenas um único fluxo de caixa, 10 anos à frente no tempo.

Se ele fosse listado na Bolsa, essa é a reação que esperaríamos.

Agora, o que acontece na prática?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os infinitos fluxos de caixa

Bom, empresas são compostas não de um, mas de possivelmente infinitos fluxos de caixa. Quanto mais distantes no futuro esses fluxos de caixa estiverem, mais sensíveis eles serão às mudanças nos juros.

Se você estiver genuinamente interessado(a), repita sozinho(a) as duas contas que fizemos acima, substituindo os 10 anos por 20 anos, e veja o que acontece.

Commodities e tecnologia

E quais são as empresas com fluxos de caixa mais distantes no futuro? Geralmente, as empresas de tecnologia.

E quais são as empresas cujos fluxos de caixa de curto prazo são os mais relevantes? As commodities.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bem resumidamente, sob o risco de sermos excessivamente simplistas, esse é o movimento que o mercado batizou de "reflation trade": uma rotação de portfólios, saindo de posições com fluxos de caixa muito distantes no futuro (como tecnologia) e migrando para ativos com fluxos de caixa mais próximos do presente (como commodities).

Elaboração: Autor | Fonte: Koyfin

Em 2022, mesmo setores mais resilientes, como o de ativos reais (o "real estate"), ficaram muito para trás em relação às commodities.

Performance dos ETFs de commodities, tecnologia e ativos reais dentro do S&P 500 | Elaboração: Autor | Fonte: Koyfin 

Conclusão

Como eu tentei demonstrar acima, é perfeitamente possível termos mudanças significativas no preço das ações, sem que os fundamentos de uma empresa tenham se deteriorado (ou melhorado) na mesma magnitude. 

Em 2020 e 2021, por exemplo, as ações de tecnologia subiram muito além do que era razoável para seus fundamentos, justamente devido à queda vertical dos juros. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Este começo de 2022 nos apresentou umas das conjunturas mais complexas que já vimos: guerra, inflação de dois dígitos e a pandemia (ainda fortíssima em países como a China). 

Num ambiente como esse, é perfeitamente normal que ativos se descolem de seus fundamentos e criem excelentes oportunidades de investimento. 

Há algumas semanas, falei sobre três que considero enormes para quem deseja investir em tecnologia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como surfar pela renda fixa, o preço do petróleo, e o que mais move os mercados hoje

9 de abril de 2026 - 8:27

Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia