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Como não cair em uma fraude: Entenda por que você não deveria odiar os short sellers de uma ação

O short seller é o investidor que está apostando na queda do preço da ação de uma empresa. Em alguns casos, ele enxerga uma fraude, um golpe, e faz sua operação porque acredita que a empresa deveria valer zero

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Imagem: Pixabay

“A função mais importante que um short seller fundamentalista traz ao mercado é a de detetive financeiro em tempo real”

— Jim Chanos

Se eu tivesse assistido a “O Escândalo da Wirecard” achando que fosse uma história de ficção, provavelmente teria abandonado no meio. Seguramente eu acharia a história maluca demais, os personagens excessivamente caricatos e a trama extremamente rocambolesca para uma roteiro ligado ao mercado financeiro.

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Acontece que se trata de um DOCUMENTÁRIO.

A história do filme da Netflix, apesar de fazer jus a todos os adjetivos acima, é chocantemente real, e, portanto, traz elementos comuns a outras fraudes, podendo servir de lição para que você, investidor de boa fé, não caia em armadilhas.

Vamos ao contexto da fraude da Wirecard

A Wirecard era uma empresa de serviços financeiros (principalmente pagamentos), sediada na Alemanha. 

Fundada em 1999, a companhia cresceu basicamente lavando dinheiro de companhias duvidosas de apostas e pornografia mundo afora, criando empresas de fachada na Ásia para justificar seus números e inventando lucros bilionários que nunca existiram.

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A companhia operou assim por mais de uma década, e não foi nas sombras. A Wirecard tinha capital aberto, chegou a entrar no DAX, principal índice de ações da Alemanha, e cogitou comprar o Deutsche Bank (ele mesmo).

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O documentário conta como tudo isso aconteceu e a saga de uma equipe de reportagem que tenta por anos convencer o público e as autoridades de que algo estranho acontecia, sem ser levada a sério e sofrendo consequências sinistras.

Algumas lições sobre fraude

Recomendo veementemente que você assista ao documentário, pois esta não é a história da Wirecard, sim algumas lições sobre fraude que vêm do filme. 

Abaixo, exerço a prerrogativa de engenheiro de obra pronta que meu CNPI me dá e listo alguns elementos desse golpe que poderiam ter sido identificados como sinal de alerta, mas não foram pela maioria. 

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Esses elementos são comuns a outros golpes — arrisco dizer, inclusive, a aqueles que ainda não foram desmascarados.

Empresas e o ódio aos short sellers 

Se sua empresa favorita está em guerra contra um short seller, reveja seus investimentos.

O short seller é o investidor que está apostando na queda do preço da ação de uma empresa. 

Compreensivelmente, CEOs e donos das companhias não costumam gostar de quem faz isso, por que um short é fundamentalmente uma afirmação como “essa empresa deveria valer menos do que vale; o patrimônio deste CEO deveria ser menor; o trabalho desta equipe tem menos valor do que o mercado acredita”.

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O short é uma discordância de preços, mas em alguns casos o short seller enxerga uma fraude, um golpe, e faz sua operação porque acredita que a empresa deveria valer zero.

É o caso da Wirecard

A Wirecard e a guerra contra a imprensa

A empresa começa a enfrentar problemas de credibilidade quando o Financial Times expõe inconsistências em seus balanços e questiona seu modelo de negócios. 

Sem argumentos para refutar o conteúdo, a companhia acusa o jornal e o repórter responsável pelo conteúdo de estarem sendo pagos pelos short sellers, que têm interesse em ver a queda do preço dos papéis.

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A guerra da Wirecard contra a imprensa foi longe e chegou a envolver arapongas, microfones ultra-sensíveis e táticas de hacking. 

É uma manobra inútil a longo prazo, mas que rendeu algum tempo e empatia à Wirecard (ao menos em um curto período). 

Como o filme revela, short sellers estavam entre as fontes do Financial Times, mas isso não tornava a fraude falsa.

Short sell e a estratégia do IRB

No Brasil, vimos o IRB tentar usar parte dessa tática contra a Squadra. 

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Quando a gestora revelou sua carta de mais de 200 páginas que acusava a resseguradora de fraude, a defesa da companhia se resumiu a lembrar os investidores que tinha sido auditada e que a Squadra mantinha um short.

Autoridades lenientes e auditoria

Ter passado por uma auditoria e estar em dia com as autoridades também não garante muitas coisas. 

No caso da Wirecard, a empresa foi até protegida pelas autoridades regulatórias alemãs. 

Quando as notícias do FT vieram a público, a reação da BaFin, a CVM alemã, foi a de proibir short com as ações da Wirecard e abrir uma investigação contra o jornal e seus repórteres.

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A empresa também passava constantemente por auditorias de grandes consultorias e nada havia sido encontrado. 

O que o documentário revela é que elas não foram capazes nem de checar nos bancos apontados pela companhia como depositário de seus bilhões se o dinheiro estava efetivamente lá.

O Cosplay de Steve Jobs

A Wirecard era comandada por Markus Braun, um executivo afeito às camisas pretas de gola rolê e aos lançamentos em forma de palestra no qual encantava o público ao mesmo tempo que confundia, falando de conceitos abstratos e que não podem ser checados independentemente por ninguém.

Era comum que o Dr. Braun, como era conhecido, falasse em suas apresentações em machine learning e inteligência artificial, mas relatos posteriores de pessoas de dentro da empresa revelam que, enquanto ele falava coisas desse tipo, a empresa era operada 100% em planilhas no Excel.

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Cabe lembrar que o Cosplay de Steve Jobs foi usado também por ninguém menos que Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, que prometeu ao mundo exames feitos na farmácia com apenas uma gota de sangue e que detectariam qualquer doença. 

Depois de encantar a imprensa também de gola rolê, arrecadar milhões de venture capital e mentir como se não houvesse amanhã, Holmes foi desmascarada e condenada. Ela tem seu próprio documentário.

Convite

Na semana que vem, o Market Makers dá o pontapé inicial para o projeto mais significativo para mim, o Salomão, o Josué e o Matheus. 

É o projeto que vai dar sentido a nossa empresa e a concretização do que nós mais acreditamos: conteúdo + investimento + skin in the game. Tudo junto.

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Entre para o nosso Telegram para ficar sabendo de tudo.

Um abraço,
Renato Santiago

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