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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

UM PÉ NO TÚMULO

Fundo imobiliário MFII11 volta ao ramo de cemitérios com compra de participação em consórcio de serviços funerários

O FII detém 35% do Consórcio Cortel São Paulo, responsável pela gestão, operação, manutenção e exploração de cinco cemitérios na capital paulista

Larissa Vitória
Larissa Vitória
6 de outubro de 2022
18:26 - atualizado às 19:35
Cemitério do Araçá, em São Paulo | Cemitérios MFII11 Fundo Imobiliário
Cemitério do Araçá, em São Paulo. - Imagem: Gabo Morales/Wikimedia Commons

CORREÇÃO: Por um erro da redação, a matéria original informava que a participação do Mérito Desenvolvimento Imobiliário I (MFII11) constituía o primeiro investimento do FII em cemitérios, mas o fundo imobiliário já havia comprado ativos do setor anteriormente. Segue a íntegra da nota corrigida:

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O fundo imobiliário Brazilian Graveyard and Death Care (CARE11), pioneiro em cemitérios, jazigos e serviços funerários, não está mais sozinho na posição de grande player do setor lúgubre — e lucrativo — no qual escolheu atuar.

A Mérito DTVM, administradora do Mérito Desenvolvimento Imobiliário I (MFII11), comunicou nesta quinta-feira (6) que o FII ingressou com uma participação de 35% no Consórcio Cortel São Paulo.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi criada para participar da licitação pública de concessão de serviços cemiteriais da capital paulista e arrematou o bloco 2 do certame por R$ 200,2 milhões. 

O conjunto inclui a gestão, operação, manutenção, exploração, revitalização e expansão de cinco cemitérios pelos próximos 25 anos. Veja o nome e localização dos ativos:

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  • Araçá (Pinheiros e Pacaembu)
  • Dom Bosco (Perus)
  • Santo Amaro (Santo Amaro)
  • São Paulo (Pinheiros)
  • Vila Nova Cachoeirinha (Campo Limpo)

O investimento está previsto em R$ 80 milhões a serem desembolsados conforme a necessidade do empreendimento e não deverá impactar na distribuição de dividendos do MFII11 nos próximos seis meses.

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Vem mais um FII de cemitério por aí?

Os outros 65% do Consórcio Cortel SP estão divididos entre a holding Cortel, o CARE11 e sua gestora, Zion Capital, além de outro ativo sob administração da Mérito, o Mérito Cemitérios FII.

O fundo ainda não foi a mercado, mas já está constituído desde abril deste ano e deu início ao processo de sua primeira emissão de cotas.

O ativo fará uma oferta pública com esforços restritos — ou seja, voltada a investidores profissionais — e pedirá R$ 100 por cota. O objetivo é levantar até R$ 100 milhões para a aquisição de ativos imobiliários.

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Fundo imobiliário da Mérito coleciona polêmicas

Os cemitérios chamam a atenção dos investidores de fundos imobiliários desde o início de 2022. O FII CARE11 acumula ganhos de 44,04% no ano e é o fundo mais rentável de 2022 até agora, segundo dados da consultoria SmartBrain.

Mas, apesar da rentabilidade atrativa, os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro fazem uma ressalva a respeito do negócio: como este é um setor ainda incipiente, não há grandes players ou gestores consolidados que mostram como é possível contornar a inadimplência e gerar valor por meio dos empreendimentos funerários.

O investimento também foge do perfil atual do Mérito Desenvolvimento Imobiliário I. O fundo imobiliário já havia investido em jazigos em 2016 e 2017, mas depois voltou o foco para suas participações em 27 ativos de urbanização e incorporação residencial.

Além de se aventurar em um segmento cheio de incertezas e com características distintas dos outros ativos do portfólio, o FII coleciona polêmicas nos últimos anos.

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Uma delas aconteceu em 2018, quando a negociação das cotas do MFII11 foi suspensa pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM). O motivo foi a suspeita de que o fundo operava em um esquema semelhante a uma pirâmide financeira levantada pela denúncia de um investidor.

A negociação foi retomada mais de dois meses depois e, em abril de 2021, a CVM aceitou um termo de compromisso para encerrar o processo.

A Mérito Investimentos e a Planner — gestora e administradora do FII, respectivamente, na época — e os controladores de ambas as companhias desembolsaram pouco mais de R$ 1,5 milhão no acordo.

Poucos meses depois, porém, o fundo voltou para a mira do xerife do mercado de capitais. A autarquia notificou o MFII11 em novembro do ano passado a respeito de irregularidades nas demonstrações financeiras de 2020.

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Para a CVM, a maneira como o investimento na loteadora Nova Colorado foi contabilizada inflou o resultado do fundo. Já a Mérito destaca, em nota enviada ao Seu Dinheiro, que "mantém suas atividades dentro das melhores práticas do mercado".

Segundo a gestora, "os casos citados não passaram de questões pontuais e já devidamente equacionadas junto aos órgãos fiscalizadores".

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