Como Alex Behring, sócio de Lemann na 3G Capital, acumulou uma fortuna de mais de R$ 23 bilhões e virou o 9º homem mais rico do Brasil
O carioca é sócio e cofundador de uma das maiores empresas de private equity do Brasil, junto com outros três bilionários gigantes que criaram a Ambev e fazem parte do ranking da Forbes

Onde você se imagina aos seus 50 e poucos anos de idade? Em um cargo de liderança em uma empresa legal? Quem sabe em uma vida mais tranquila, morando em uma cidade do interior? Ou talvez apostando na loteria, às esperanças de conseguir um prêmio milionário. Pois Alex Behring, sócio de Jorge Paulo Lemann, chegou lá na invejável condição de um dos homens mais ricos do Brasil, segundo o ranking da Forbes.
O cofundador da 3G Capital, uma das maiores empresas de private equity do Brasil, é extremamente conhecido no mercado financeiro e entrou para a lista dos 10 homens mais ricos do país há dois anos, em sexto lugar. No ranking de 2022, o bilionário de 55 anos aparece na 9ª posição.
Hoje, Alex se encontra com um patrimônio líquido de US$ 5,1 bilhões, segundo a apuração da Forbes, equivalente a R$ 23,7 bilhões. Mas, para chegar até onde chegou, Behring teve que percorrer uma longa jornada em direção ao bilhão. Quer saber como ele fez isso? Confira o especial da Rota do Bilhão.
Este texto faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre os homens mais ricos do Brasil. Embarque na sua estação favorita:
- Luciano Hang (Havan)
- Alexandre Behring (3G Capital) — você está aqui
A formação de Alex Behring e um encontro transformador
De acordo com a Forbes, a fonte da fortuna de Alex Behring foram os investimentos e auto-fabricados. Mas comecemos pelo começo: o caminho de Alex até as grandes empresas.
Behring nasceu no Rio de Janeiro em 1967. O carioca se formou em Engenharia Elétrica na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ).
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Em seus anos de universidade, o executivo iniciou um estágio na área de redes internas de informação no Citigroup.
Em 1989, ou seja, aos 22 anos de idade, Alex fundou o seu primeiro negócio, o Modus OSI e Tecnologias, que prestava serviços para instituições bancárias e possuía escritórios no Brasil e nos Estados Unidos.
A trajetória na empresa durou cinco anos. Em 1994, Behring vendeu sua participação na companhia e foi aos Estados Unidos fazer um MBA na Harvard Business School. Foi nessa época que ele conseguiu um novo estágio, desta vez, no banco Goldman Sachs.
Na terra do Tio Sam, Alex teve um encontro que mudou sua vida e deu o pontapé inicial que Behring precisava na rota do bilhão: uma palestra com Beto Sicupira, um dos fundadores da GP Investimentos, considerado o primeiro fundo de private equity — que investe em participações em empresas — do Brasil.
Lá, depois de escutar boas coisas sobre o executivo, Sicupira ofereceu uma vaga de analista na GP para Behring. É aí que tudo mudou para Behring.
Alex Behring e a GP Investimentos
A GP Investimentos foi criada por três outros nomes que integram o ranking de bilionários da Forbes. São eles Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles.
A trajetória de Behring na empresa de private equity durou em torno de 10 anos e abriu as portas para o seu futuro que conhecemos hoje. Lá, o executivo aprendeu sobre como funcionavam fusões e outros investimentos, com mentoria de “luxo” de Jorge Paulo Lemann.
Alex trabalhou como analista na GP por aproximadamente um ano, até que foi convidado a se juntar ao time de sócios da companhia.
Behring atuou como sócio e membro do Comitê de Investimentos da empresa por cerca de mais oito anos.
Durante a passagem na GP, Alex ainda trabalhou como diretor e CEO da maior ferrovia da América Latina, a América Latina Logística (ALL) — que deu origem à atual Rumo — entre 1998 e 2004.
Behring e os três bilionários
Vou mudar o foco agora para explicar a jornada de Alex Behring com os três maiores empresários do Brasil.
No começo dos anos 2000, os bilionários Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles decidiram vender suas fatias na GP e concentraram os esforços no ramo de cervejas.
Em 1999, o trio de empresários, que já comandava a Brahma, fechou a compra da Antarctica, que deu origem ao “sonho grande” da AB Inbev, a quinta maior fabricante de cervejas do mundo e detentora de 73% do mercado brasileiro. Behring entrou para o conselho da companhia em abril de 2014, onde ficou por mais cinco anos.
Logo depois, Lemann e seus parceiros de negócios decidiram criar a 3G Capital em 2004 — e chamaram Alex para fazer parte da empreitada. Ele entrou como cofundador, sócio-gerente e membro do comitê de investimentos da companhia.
3G Capital e Alex Behring
É inegável a importância de Alex Behring na 3G Capital. Em 2010, a empresa de investimentos comprou o Burger King, um dos ícones do capitalismo dos Estados Unidos.
Logo depois, Alex se tornou co-presidente e membro do conselho da Restaurant Brands International, a unidade do setor alimentício da 3G Capital e gestora do Burguer King e da Tim Hortons.
Em 2013, a companhia incluiu a Kraft Heinz no portfólio, com a compra da Heinz pela 3G e pela Berkshire Hathaway. Com isso, Behring entrou como presidente e membro do Conselho da The Kraft Heinz Company.
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Burger King e Tim Hortons
Alex Behring acumulou no currículo boas tacadas e outras nem tanto à frente da 3G Capital. A estratégia foi a mesma que consagrou Lemann e os demais sócios: investir em empresas com marcas consolidadas, mas com problemas de gestão.
Esse era o caso do Burger King quando a 3G comprou a rede de fast food por US$ 4 bilhões há 12 anos.
Dois anos após a aquisição, o estilo de gestão da 3G, que envolve um severo controle de custos, começou a dar frutos. Atualmente, o BK é a segunda maior rede do segmento no mundo.
“Aplicamos inovações em nossas plataformas e investimos em campanhas de marketing bastante criativas. Procuramos dar aos nossos clientes várias razões para voltarem aos nossos restaurantes”, disse Behring ao Financial Times, em 2017.
Quatro anos depois da compra da rede de hambúrgueres, a 3G comprou a franquia canadense de café e fast food Tim Hortons por US$ 11,4 bilhões. Foi aí que surgiu a Restaurant Brands International, a nova controladora das duas redes.
Kraft Heinz
A compra da fabricante de condimentos Heinz parecia fadada ao mesmo sucesso do Burger King. A 3G Capital investiu US$ 28 bilhões na aquisição da gigante de alimentos em 2013.
Dois anos depois, um dos maiores investidores do mundo, Warren Buffett fechou negócio com Alex Behring e seus sócios da 3G Capital para comprar a Kraft por US$ 62,3 bilhões.
Essa fusão entre a Heinz e a Kraft deu vida à The Kraft Heinz Company em 2015, a quinta maior empresa de alimentos do mundo. Porém, o negócio não deu tão certo, a ponto de Lemann, mentor de Behring, chegar a afirmar que “o sonho grande da Kraft Heinz acabou”.
Apesar das dificuldades com a Kraft Heinz, o modelo de negócios dos empresários brasileiros segue como referência de gestão internacional. Em uma rara entrevista, o próprio Alex Behring resumiu o sistema:
“Quanto melhor você se desempenha, mais autonomia você tem para dizer o que você quer fazer. Mas você tem que botar o seu dinheiro onde está a sua voz.”
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