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As perspectivas para a reeleição de Jair Bolsonaro em outubro de 2022 não são muito boas, embora no momento lidere todas as pesquisas de intenção de voto
O tema da crônica deste mês é o segundo tempo do governo Jair Bolsonaro e o que imagino que possa acontecer ao longo desse período.
Reparem: não escrevi “segundo mandato” mas sim “segundo tempo”, o que significa a segunda parte do mandato para o qual o capitão foi eleito em outubro de 2017, tendo tomado posse em 1º de janeiro de 2018.
O segundo tempo, aliás, já começou. Muito mal.
Em meu modo de entender (e isso é apenas um palpite, não baseado em pesquisas), Bolsonaro teve três tipos de eleitores:
Os antipetistas já começaram a se esquecer dos desmandos de Lula e Dilma. Agora estão enfurecidos com os de Bolsonaro, dando razão àqueles que dizem que “nada é tão ruim que não possa piorar”.
Já os verdadeiros liberais, adeptos da direita econômica e do centro ideológico, simplesmente se decepcionaram com a quase total ausência de reformas necessárias e exaustivamente prometidas durante a campanha eleitoral.
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Os bolsonaristas de carteirinha permanecerão bolsonaristas, tal como acontecerá nos Estados Unidos, onde os trumpistas continuarão fazendo o que seu mestre mandar, por mais insensata e antidemocrática que seja a ordem.
Com relação ao presidente Jair Bolsonaro, ele conseguiu nova categoria de adeptos – que não existia na época da eleição − ao distribuir dinheiro para a população economicamente afetada pela pandemia do coronavírus.
Resumo da ópera: Bolsonaro perdeu os liberalistas mas obteve ganhos expressivos nas classes C e D.
Só que esse apoio irá diminuir à medida em que as quantias recebidas mensalmente retroajam aos tempos do bolsa-família. Fora o emagrecimento dos valores e a diminuição do número de beneficiários do programa.
Se Bolsonaro conseguir eleger os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e seja bem-sucedido na aprovação de um segundo período de calamidade pública, é possível que retenha boa parte de seu apoio.
Só que, em algum momento, a Covid-19, que ainda não chegou ao seu pior momento, cobrará seu preço.
Duvido que as pessoas que perderam parentes próximos estrebuchando num leito de enfermaria, ou até mesmo no chão do corredor, de um hospital público em Manaus, como se fosse um peixe fora d'água, votarão em Jair Bolsonaro.
E quem pode garantir que Manaus não é apenas a primeira de uma série de cidades brasileiras que enfrentarão o mesmo tormento?
O irônico é que se, aos primeiros indícios da pandemia, Bolsonaro tivesse lançado todas as suas divisões na prevenção e no combate à pandemia, visitando hospitais, usando máscaras, comprando vacinas, seringas, agulhas, algodão e outros insumos, ele poderia ser hoje o ídolo do povão.
Independentemente do número de contaminados ou de óbitos.
“Pelo menos ele cumpriu seu papel de presidente”, diriam as pessoas.
Donald Trump foi ainda mais ingênuo. Apesar de comprar, ainda no escuro, centenas de milhões de doses de vacinas, e até de financiar pesquisas para desenvolvê-las e fabricá-las, preferiu se manter no negacionismo.
Sem usar máscara, aglomerou multidões em torno de si, pôs no colo e beijou bebês. Só não parou numa barraca de pastel e caldo de cana porque isso não existe por lá.
Pagou o preço na hora dos americanos votarem. O Colégio Eleitoral devolveu-lhe o mesmo placar que infligira a Hillary Clinton quatro anos antes: 306 x 232.
Como burrice não tem limites, incentivou uma turba de “supremacistas” (só rindo) bárbaros fantasiados a invadir o Capitólio, prometendo ir junto.
Dito isso, se escafedeu para dentro da Casa Banca. Foi assistir a invasão pela TV.
A maior parte dos invasores deverá passar os próximos anos, ou décadas, ou até mesmo permanecer, para sempre, na cadeia.
Um oficial agente da lei foi morto durante o ataque e o judiciário americano não costuma perdoar tal tipo de delito.
Duvido que Trump saia impune. Provavelmente será o primeiro ex-presidente americano que veremos algemado pelas costas e vestindo uma “farda” cor de laranja.
Mas nosso assunto é Jair Bolsonaro e seu futuro político.
Digamos que ele consiga prorrogar os auxílios em dinheiro à população até o final de 2021.
Nesse momento, o Tesouro brasileiro estará quebrado e faltarão ainda dez meses para as eleições presidenciais.
Como se tal desdita não bastasse, o capitão, seu filho Eduardo e o ministro das Relações Exteriores vivem vilipendiando a China, que é nosso maior parceiro comercial.
Na próxima quarta-feira, dia 20, o segundo parceiro cairá em “mãos erradas”.
Para dramatizar ainda mais o quadro, o parceiro número três, Argentina, acaba de nos levar a Ford. Vai fabricar picapes e SUVs lá, com mão de obra portenha, pra gente comprar aqui.
Não quero dar uma de adivinho, muito menos pretender ser o dono da verdade, mas as perspectivas para a reeleição de Jair Bolsonaro em outubro de 2022 não são muito boas, embora no momento lidere todas as pesquisas de intenção de voto.
Ah, tal como seu parça, Donald Trump, o capitão é adepto de teorias conspiratórias.
Trump disse que os democratas roubaram as eleições, encaixando votos nas urnas durante a calada da noite.
Quatro anos antes, mesmo tendo vencido, alegou que tivera mais votos populares do que Hillary Clinton, se não tivesse sido garfado.
Acho que Jair Bolsonaro e Donald Trump se valem de um contato telepático. Pois estão sempre dizendo as mesmas coisas.
Bolsonaro garante que, em 2018, venceu ainda no primeiro turno, não fosse a votação eletrônica programada para roubar.
Agora quer voto impresso. Vejam que despropósito, sob qualquer ângulo que se examine a ideia.
Se no papelucho cuspido pela impressora constar o nome do candidato escolhido, o voto deixa de ser secreto.
Imaginemos o chefe da milícia que comanda uma favela carioca, dizendo aos eleitores de sua “jurisdição”:
“Todo mundo vai votar no cabo Zé Pedro. Tragam os comprovantes para que eu possa conferir!”
Além disso, não é possível ter certeza que o nome que veio no documento entregue ao eleitor seja o mesmo que o sistema enviou para a central de apurações, em Brasília.
Caso não conste o candidato escolhido pelo eleitor, voto impresso não significa absolutamente nada. Será como é atualmente, quando a gente recebe aquele cupom, provando que votou.
Bem, este texto já está avançado e não falei no que mais interessa: qual será a influência da aproximação e do resultado das eleições no comportamento do mercado de ações?
Acho que nenhuma.
Explico:
Independentemente se até aqui a administração Jair Bolsonaro foi boa ou não, o certo é que, ao final da metade de seu mandato, a B3 bateu seu recorde histórico.
Suponhamos que Lula tenha seu julgamento anulado pelo Supremo, volte a ser ficha limpa, se candidate à Presidência e ganhe as eleições.
Não podemos nos esquecer que foi no primeiro mandato Lula que a bolsa experimentou um bull market no qual o Ibovespa subiu 600%, graças a alta das commodities puxada por compras da China.
Claro que programas políticos e econômicos são importantes, mas existem outros fundamentos que movem os mercados.
No momento, as bolsas de valores em todo o mundo estão sendo influenciadas por taxas de juros reais (e até absolutas) negativas.
Jerome Powell, chairman do Fed, vem proclamando a continuação dessa política. O mesmo acontece com Roberto Campos Neto, do BC brasileiro.
Os governos estão inundando os mercados de dinheiro.
Num pronunciamento em 14 de janeiro, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou um pacote de quase 2 trilhões de dólares de estímulo à economia do país.
Por essas razões, e apenas por essas razões, acredito que 2021 será um bom ano para as bolsas de valores, tal como acabou acontecendo em 2020.
Não porque as economias brasileira e internacional prometam um grande crescimento. Mas sim porque as ações são cotadas em moedas e estas estão cada vez valendo menos.
Com mínima de R$ 5,0055 nesta sexta-feira (10), a moeda norte-americana acumula perdas de 2,88% na semana e de 3,23% em abril, após ter avançado 0,87% em março, no auge da aversão ao risco no exterior em razão do conflito no Oriente Médio
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