Com R$ 1 bi em dívidas, Madero tenta emplacar IPO para tirar a corda do pescoço
No vermelho, o Madero — rede do empresário Junior Durski — vê no IPO uma chance para levantar capital e garantir o futuro de suas operações

A rede de restaurantes Madero já teve planos ambiciosos. Com o nada modesto lema The best burger in the world (o melhor hambúrguer do mundo, em inglês), o grupo do empresário Junior Durski chegou a ensaiar um IPO na Nasdaq — na ocasião, falava-se num valor de mercado de R$ 8 bilhões.
Esse objetivo, agora, parece um sonho distante, considerando a dura realidade do Madero em 2021: fortemente abalado pela pandemia, com graves problemas de imagem e dívidas de quase R$ 1 bilhão, a rede luta para sobreviver.
E é nesse contexto que a rede tenta uma espécie de cartada final: a abertura de capital na B3, aproveitando a onda de IPOs no Brasil em 2021. A ideia é simples: atrair investidores, colocar dinheiro no caixa e tirar a corda do pescoço.
Mas, se a abertura de capital não atrair investidores... Bem, aí a rede paranaense de restaurantes estará em maus lençóis.
Afinal, o próprio Madero alertou, em seu balanço do primeiro trimestre, que havia "dúvidas substanciais sobre a capacidade da companhia de continuar em funcionamento dentro de um ano após a data em que essas demonstrações financeiras consolidadas foram emitidas".
Não é a melhor introdução para um IPO, convenhamos.
Leia Também
Bicicletas elétricas e patinetes terão limite de velocidade em São Paulo; entenda as novas regras
96% da Lua vai desaparecer na madrugada e fenômeno poderá ser visto em todo o Brasil; veja horários
E já que estamos falando em IPO, confira a opinião da Larissa Quaresma, analista da Empiricus, sobre a abertura de capital da Raízen (RAIZ4) — ela responde se vale a pena ou não entrar nessa oferta:
Madero em crise
A decisão de entrar ou não num IPO é parecida com a de comprar uma ação qualquer na bolsa. É preciso entender as perspectivas futuras da empresa, em termos operacionais e financeiros — e, com base nisso, calcular se o preço atual do papel oferece um potencial atrativo de valorização.
Dito isso, o Madero apenas protocolou a intenção de abrir seu capital. Sendo assim, ainda não foram definidas a quantidade de ações a serem vendidas ou a faixa de preço pretendida pela companhia.
No entanto, é perfeitamente possível analisar com calma as finanças do grupo — e o resultado desse estudo não inspira muita confiança. O Madero até mostrou uma expansão nas receitas ao longo dos últimos meses, mas continua dando prejuízo e com operações no vermelho.
| (R$ mi) | Receita líquida | Resultado operacional | Prejuízo líquido |
| 2018 | 729,8 | 43,2 | -109,2 |
| 2019 | 888,9 | 20,1 | -26,6 |
| 2020 | 795,8 | -87,7 | -248,9 |
| 1S21 | 468,6 | -24,8 | -90 |
Tão preocupante tanto é a gestão do endividamento: os compromissos financeiros do grupo Madero explodiram de 2020 para cá — e, considerando o desempenho operacional ainda fraco, há motivos de sobra para ficar receoso.
Ao final de junho, a empresa tinha R$ 989,7 milhões em dívidas brutas e R$ 913,5 milhões em endividamento líquido — desde o começo da pandemia, o Madero precisou contrair empréstimos bancários e acessar diversas fontes de financiamento para evitar o fechamento de muitos de seus restaurantes.

Futuro melhor para o Madero?
A situação operacional do Madero já mostra sinais de recuperação, com o primeiro semestre de 2021 sendo melhor na comparação com o mesmo período de 2020. Afinal, com uma incerteza menor em relação à pandemia, há a expectativa de que os setores mais penalizados pela Covid-19 — como viagens e restaurantes — tenham uma normalização rápida na demanda.
Nesse cenário em que tudo dá certo — a vacinação avança, não há novas ondas da doença e o consumo presencial nos restaurantes volta ao que era antes —, o Madero tem condições de sanar gradualmente seu balanço. Mas, é claro, é preciso considerar os riscos a essa premissa.
Em primeiro lugar, ainda há uma incerteza considerável na dinâmica da pandemia no Brasil. O processo de imunização ganhou tração, mas avança num ritmo relativamente lento; novas variantes do vírus, como a Delta, têm provocado novos fechamentos econômicos no exterior — e podemos ter algo semelhante por aqui.
Em segundo lugar, o setor de hamburguerias tem competição ferrenha: há cada vez mais restaurantes que utilizam ingredientes premium e que conseguem vender a preços competitivos — e que estão muito mais habituados ao sistema de delivery que o Madero.
Por mais que a rede de Durski não seja 100% dependente dos shoppings, possuindo também diversas lojas de rua, ela explora de maneira tímida as vendas por drive-thru e delivery. Tanto o Madero quanto o Burger King têm cerca de 30% do faturamento bruto vindo das vendas digitais, embora o BK seja muito mais exposto aos centros comerciais.
Crise de imagem
Um terceiro fator a ser levado em conta é a crise de imagem envolvendo o Madero: Junior Durski, CEO, porta-voz e garoto propaganda, é um ferrenho defensor do governo Bolsonaro e criticou o fechamento da economia por causa da Covid.
Em abril de 2020, ainda no início da pandemia, Durski demitiu cerca de 600 funcionários do Madero, alegando dificuldades financeiras para manter a saúde financeira da rede. Pouco tempo depois, em vídeo postado em suas redes sociais, ele deu uma declaração que pioraria ainda mais sua situação:
Não podemos parar por conta de cinco ou sete mil que vão morrer
Junior Durski, fundador e CEO do Madero
A fala causou enorme repercussão e desencadeou um movimento de boicote ao Madero — Durski virou uma espécie de símbolo da classe empresarial que despreza a pandemia e a morte dos brasileiros, uma fama que, naturalmente, respingou em seus restaurantes.
E, não custa lembrar: o Brasil já tem mais de 550 mil óbitos por causa da Covid-19.
Madero: IPO com cheiro de queimado
As próprias características do IPO são motivo de desconforto. Há uma oferta primária, quando novas ações são emitidas e o dinheiro vai para o caixa da empresa, mas também há uma oferta secundária, em que os recursos vão para o bolso dos acionistas que estão vendendo sua posição.
E, no caso, entre os vendedores está o próprio Junior Durski, que é dono de 64,8% do Madero — outros 27,6% estão com o Carlyle e 7,6% com outros acionistas.
Mesmo a parcela primária da oferta tem lá suas ressalvas. Metade dos recursos levantados servirão para o pagamento de dívidas — e a abertura de capital para a quitação de compromissos financeiros não costuma ser bem vista pelo mercado. A outra metade irá para o plano de expansão da empresa.
Como já foi dito, ainda não há detalhes quanto ao total de ações a serem vendidas, nem na parcela primária, nem na secundária. Ainda assim, estamos falando de uma empresa altamente endividada e com operações que ainda estão ensaiando uma recuperação — e cujos acionistas pretendem vender parte de sua posição.
É um combo atrativo para o Madero, mas que pode ter um gosto amargo na boca do investidor.
PLANETA EM ALERTA
Oceanos batem recorde histórico de temperatura e assustam especialistas; e o pior ainda pode estar por vir
25 de agosto de 2026 - 10:50CINEMA BRASILEIRO
Oscar 2027: 15 filmes brasileiros disputam vaga para representar o Brasil; veja a lista e os trailers
25 de agosto de 2026 - 10:18RODADA BARULHENTA
Lotofácil 3770 premia aposta simples e 5 bolões com quase R$ 2 milhões cada; loterias terão duas sessões de sorteios hoje
25 de agosto de 2026 - 6:51É HOJE!
INSS e BPC/LOAS são pagos hoje; confira datas de agosto de 2026 e regras dos benefício
25 de agosto de 2026 - 5:08MORAR NA LUA?
Água na Lua: missão da China é adiada e disputa espacial ganha novo capítulo
24 de agosto de 2026 - 17:07NOVAS RELAÇÕES
Do chat ao altar: os casamentos entre humanos e inteligência artificial que já acontecem pelo mundo
24 de agosto de 2026 - 16:15AZEDOU?
Ração para pets ou sorvete? Como uma mudança de prioridade levou a dona da Häagen-Dazs a encerrar distribuição da marca no Brasil
24 de agosto de 2026 - 15:45HERANÇA DO PIX?
Galípolo acende alerta sobre crédito e prepara novas medidas do BC para conter endividamento das famílias
24 de agosto de 2026 - 14:58MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
Simples Nacional muda regra e empresas terão de fazer adesão já em setembro; entenda
24 de agosto de 2026 - 14:06NO PÓDIO
‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ continua escalando em bilheteria; Tom Holland terá o filme mais vendido da história?
24 de agosto de 2026 - 13:10ENXUGANDO AS DESPESAS
A conta de luz está pesando no bolso? Condomínios podem aliviar gastos com energia; veja como economizar
24 de agosto de 2026 - 12:31CARMA?
CEO que demitiu 900 funcionários por Zoom perde o comando da própria empresa
24 de agosto de 2026 - 12:30CASTELO DE STRANCALLY
Como é o castelo gótico comprado por Mark Zuckerberg para “ficar mais perto do trabalho”
24 de agosto de 2026 - 10:29DANÇA DAS CADEIRAS
Mega-Sena paga R$ 57 milhões em SC e +Milionária volta a oferecer o maior prêmio das loterias da Caixa
24 de agosto de 2026 - 6:44É HOJE!
IRPF 2026: Receita libera hoje consulta ao quarto lote de restituição do Imposto de Renda
24 de agosto de 2026 - 5:43ATENÇÃO, ESTUDANTES!
Pé-de-Meia volta a ser pago hoje; confira calendário, valores e quem tem direito em agosto de 2026
24 de agosto de 2026 - 5:06Conteúdo Empiricus
Enquanto o mês do ‘desgosto’ castiga o Ibovespa, traders se preparam para uma disputa milionária
23 de agosto de 2026 - 9:00TEMPESTADE À VISTA?
É hora de comprar ouro? Veja se dois bancões gringos acreditam que é hora de correr para a segurança
22 de agosto de 2026 - 16:02AS MAIS LIDAS
O impacto do Wellhub e Total Pass, a pechincha do Banco do Brasil (BBAS3), investimentos para renda passiva: o que chamou a atenção nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:00Conteúdo Empiricus