‘É preciso tirar o Estado do cangote do cidadão’: entenda como a máquina pública derrotou os planos de Salim Mattar de privatizar o Brasil
Em entrevista ao podcast RadioCash, o ex-secretário do Ministério da Economia e fundador da Localiza, Salim Mattar, divide os desafios para o Brasil se afirmar como um país liberal; O empresário compartilha sua passagem pelo governo Bolsonaro, sua perspectiva de privatização da Eletrobras e defende o liberalismo econômico; Confira a entrevista na íntegra:

Fundador da Localiza (RENT3) e um dos maiores patrocinadores do liberalismo no Brasil, Salim Mattar chegou ao governo Bolsonaro em 2019 querendo ‘transformar o Brasil’. Seu objetivo? Privatizar mais de 600 estatais brasileiras. Mas a expectativa não correspondeu à realidade: ele deixou o governo 18 meses depois de assumir a secretaria. Até agora, só uma empresa foi fechada na gestão atual.
O que levou o empresário a sair do governo e abandonar sua missão de privatizar o Brasil? Existe algum culpado nessa história?
Em entrevista ao RadioCash, podcast produzido pela Empiricus e pela gestora Vitreo, Mattar revela o que deu errado em sua passagem pelo governo Bolsonaro, tece críticas ao sistema público e explica o quão distante estamos de ter um Brasil liberal, sob a ótica de quem conheceu as “entranhas do poder”.
Basta apertar o play abaixo e confira em primeira mão o que uma das maiores referências liberais no Brasil tem a dizer:
Caso você defenda o liberalismo, ou então queira aprender sobre, sugiro conferir a entrevista de Salim Mattar na íntegra. O empresário “dá aula” sobre o tema de maneira leve, didática e bem-humorada em conversa com o analista Felipe Miranda, o gestor Jojo Wachsmann e a jornalista Ana Westphalen.
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A seguir, trago nessa matéria algumas das principais discussões que surgiram durante a entrevista:
Privatização no governo Bolsonaro: a que ponto ela se encontra?
“Vinte oito meses de governo se passaram. Uma empresa foi fechada”, diz Mattar, se referindo a extinção da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg), processo que durou 21 anos para acontecer, segundo ele.
Durante a entrevista, o criador da Localiza conta sobre a burocracia e lentidão da máquina pública no processo de privatizações de estatais brasileiras ineficientes. “A máquina não aceita ser reduzida de tamanho. Para ter poder, ela precisa de grandiosidade. Se o estado for pequenininho, enxuto, o pandeiro diminui. Então, não há interesse das elites brasileiras em aprovar, apoiar ou concluir um processo de privatização”, explica o empresário.
Justamente por isso, Mattar não está confiante de que os Correios sejam privatizados este ano, apesar de toda a discussão sobre o tema.
Já em relação a privatização da Eletrobras, que também vem sendo muito comentada, Salim está mais otimista e vê chances disso acontecer ainda em 2021, embora este projeto esteja parado no Congresso há 14 meses.
O empresário torce para que a estatal seja capitalizada o quanto antes, já que ela precisa de 14 bilhões de investimento por ano para continuar em exercício, enquanto ela só vem recebendo dois bilhões. Ele explica: “o governo não tem dinheiro nem para ajudar a população em necessidade nesse momento de pandemia. Enquanto isso, tem dinheiro sobrando na iniciativa privada, que pode investir na companhia e acelerar seu crescimento”.
“Existe uma grande resistência ainda com relação à capitalização da Eletrobras, porque o Congresso está dominado por uma mentalidade social democrata, que é a favor de um Estado grande, que tudo pode e que tudo deve fazer pelos cidadãos”, afirma Salim Mattar.
No RadioCash, Mattar desenvolve um pouco mais os benefícios acerca da privatização dessas empresas, entenda:
Também nesse episódio, Mattar divide um episódio ocorrido quando era secretário de desestatização:
Entregaram-no um relatório que dizia existir 134 estatais federais no Brasil. “Mineiro que sou, desconfiado, não acreditei e resolvi fazer um levantamento real de quantas estatais subsidiárias, coligadas e investidas existiam no Governo Federal. Encontrei 698”, revela.
Para o ex-secretário, isso demonstra o gigantismo do Estado, característica que deve ser combatida o quanto antes, segundo ele. “Há anos o Brasil está sendo governado pelos sociais-democratas, que aumentam a máquina pública. Graças a isso, temos um estado gigantesco. É como numa balança, alguém paga por isso. Daí a tamanha pobreza e desigualdade no Brasil.”
O criador da maior empresa de aluguel de carros da América Latina defende a necessidade de reduzir o tamanho do estado para aumentar a liberdade do cidadão, bem como sua qualidade de vida. “Somente os liberais serão capazes de fazer isso”.
Falta pouco para o liberalismo no Brasil?
De acordo com Salim Mattar, o pensamento liberal ainda é elitista e desconhecido por grande parte da população. Justamente por isso, o empresário se dedica a difundir essa corrente, com a esperança de que um dia o Brasil possa se afirmar como um país liberal.
Embora o Ministro da Economia, Paulo Guedes, represente o liberalismo no governo Bolsonaro, Mattar enxerga esse governo como social-democrata, isto é, aquele que aceita o capitalismo mas se utiliza de intervenções econômicas e sociais. “Guedes está atado, não consegue fazer as coisas. Passou a reforma da previdência, a lei do gás, do saneamento... Mas vinte e oito meses se passaram, e só isso foi feito”.
Ainda que você não concorde com o discurso liberal de Mattar, ter o contato com diferentes linhas de pensamento é fundamental para pensar em como podemos melhorar o Brasil, escolher seu posicionamento político e também entender o impacto desses ideais nos seus investimentos.
Por isso, recomendo que escute esse episódio do RadioCash, o podcast que toda semana traz grandes personalidades para ampliar seu conhecimento de mercado financeiro e para te deixar alinhado com o que acontece de mais quente na economia.
Pode ser que você até discorde de Salim Mattar em alguns pontos, assim como aconteceu comigo. Mas uma coisa é certa: você vai aprender e ampliar sua visão depois de escutar esse podcast.
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