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Sem crise

Com inflação em alta, Guedes questiona: “Qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara?”

Ministro afirma que economia está e vai continuar crescendo, mas admite que existem "algumas nuvens no horizonte" para o próximo ano

paulo guedes, ministro da economia
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Marcos Corrêa/PR

O aumento na conta de luz tem pesado no orçamento das famílias e é um dos fatores que pressionam a inflação, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, não vê problemas para atravessar o atual momento.

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"Se no ano passado, que era o caos, nós nos organizamos e atravessamos, por que nós vamos ter medo agora? Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos? Ou o problema agora é que tá tendo uma exacerbação porque anteciparam as eleições... Tudo bem, vamos tapar o ouvido, vamos atravessar", afirmou Guedes nesta quarta-feira, 25.

"Isso vai causar perturbação, empurra a inflação um pouco para cima, BC tem que correr um pouco mais atrás da inflação", afirmou no lançamento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo.

Guedes disse que a economia brasileira está "vindo com toda a força" após a crise causada pela pandemia de covid-19, mas admitiu que "há, sim, nuvens no horizonte". "Temos a crise hídrica forte pela frente, mas a economia brasileira está furando as ondas", disse.

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A crise hídrica levou o governo a anunciar nesta quarta-feira, 25, medidas para redução do consumo de energia para toda a administração pública federal. Decreto presidencial determina a redução do consumo de eletricidade desses órgãos entre 10% e 20% em relação ao consumo do mês nos anos de 2018 e 2019, ou seja, antes do período pré-pandemia.

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Além disso, o governo está pedindo que a sociedade e indústrias façam um esforço pela economia de energia e evitem desperdícios. Quem economizar terá conta menor a pagar e uma premiação pela redução do consumo.

Impacto na inflação

Pressionada pelo aumento da conta de luz, a inflação acumulada em 12 meses chegou à marca de dois dígitos em quatro capitais do País no IPCA-15 de agosto: Porto Alegre (10,37%), Goiânia (10,67%), Fortaleza (11,37%) e Curitiba (11,43%). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 25.

Durante a solenidade, Guedes apresentou dados da economia brasileira, destacando ganhos com as reformas feitas para controlar gastos. "Logo no primeiro ano (de governo), mostramos que viemos para controlar as despesas públicas", afirmou.

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Segundo ele, o "abismo fiscal que ameaçava o Brasil foi controlado", destacando a reforma da Previdência. E, apesar da covid, a economia brasileira se abre de novo, "temos superávit comercial e corrente de comércio recordes", acrescentou o ministro.

Arrecadação forte

Guedes destacou também o bom desempenho da arrecadação de impostos, e previu que "se a economia brasileira crescer 5,5% neste ano, com a arrecadação vindo forte, é possível o País ter superávit em 2022".

Nesta quarta-feira, a Receita Federal divulgou os dados de julho, quando o País arrecadou com impostos e contribuições federais R$ 171,270 bilhões, um aumento real de 35,47% na comparação com o mesmo mês de 2020.

"A economia está bombando e continua a narrativa de que o governo não faz nada", afirmou o ministro. Ele criticou o que chamou de visões negacionistas e agradeceu o empenho do Congresso na aprovação das reformas e de medidas encaminhadas pelo governo. Guedes destacou ainda a atuação do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que, segundo ele, é uma "liderança imprescindível".

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Segundo Guedes, os críticos já transferiram o colapso para 2022, ao perceberem que a economia voltou a crescer. "Mas vamos continuar crescendo", disse.

Reforma tributária

O ministro defendeu a proposta de reforma tributária do governo e disse que a intenção é reduzir os impostos das empresas e do setor produtivo. "Cada vez que a arrecadação (de impostos e contribuições) subir, vamos reduzir impostos", disse.

Guedes destacou que hoje a carga tributária das empresas no Brasil é de 35% do PIB e a média é de 23,5%. "Se aprovarmos a reforma tributária, nós vamos cair de 35% para 23% em um ano. Se a arrecadação continuar da forma que está, vamos reduzir mais no ano que vem. A nossa ideia é ir reduzindo cada vez que a arrecadação avançar mais. Ao invés de abraçarmos essa arrecadação melhor, nós queremos transformar isso em redução de impostos", reforçou.

Ele defendeu a reforma por etapas, como propôs o governo. Segundo ele, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ampla da reforma que está no Senado, na verdade, "era um brutal aumento de imposto". "Imposto em excesso, para juntar tudo e arrecadar a mesma coisa, o IVA ia ser de 30%", disse.

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