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Presidente do BC

Campos Neto volta a defender vacinação e dá detalhes sobre a moeda digital do Banco Central

Ele reconheceu que o ritmo da imunização cedeu no Brasil, mas prevê que uma acelerada a partir de junho com a chegada de novas doses e insumos

residente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. - Imagem: José Dias/PR

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou, em evento digital promovido pelo eB Capital nesta segunda-feira (24), que diversos países têm mostrado ascensão no contágio pelo novo coronavírus, mas apontou que os programas de vacinação têm mostrado aceleração. 

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No caso do Brasil, contudo, ele reconheceu que o ritmo da imunização cedeu um pouco devido à falta de insumos para fabricação das doses, o que não era previsto pela instituição neste momento.

[captacao]

"A aceleração da vacinação é o que importa e o que fará as economias reabrirem. A Europa começou a acelerar a vacinação, a Alemanha e a China estão acelerando", afirmou. 

Porém, Campos Neto voltou a prever que a imunização será forte no País a partir de junho. "O que de fato está acontecendo em matéria de vacinação é menor do que esperávamos, mas tivemos boas notícias de grandes de compras recentes de vacinas", completou.

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PIB em 4%?

O presidente do BC também aproveitou sua participação no evento para destacar que março registrou resultados positivos na recuperação da economia brasileira. Ele apontou que diversas expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 estão indo em direção aos 4,00%.

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Na semana passada, o Ministério da Economia atualizou sua projeção de alta do PIB neste ano de 3,20% para 3,50% e, conforme o Relatório de Mercado Focus do BC divulgado nesta segunda-feira, a expectativa dos economistas do mercado também passou de 3,45% para elevação de 3,52%. Há quatro semanas, a estimativa era de 3,09%.

Auxílio preguiçosos?

O economista disse ainda que existe o questionamento em diversas economias sobre a eficiência de se fazer um programas de estímulos grandes demais neste momento, quando a economia está se reativando com os programas de vacinação.

"Dados recentes dos Estados Unidos mostram que pessoas decidiram não procurar emprego e preferiram ficar em casa recebendo um cheque do governo. Há questionamento nos EUA sobre eficiência do programa de ajuda neste momento da pandemia", alegou.

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Mais uma vez Campos Neto chamou atenção para o crescimento da dívida brasileira durante a pandemia. "Em termos de dívida bruta, o Brasil é o pior país no pós-crise. A dívida do mundo emergente aumentou muito, com mudança para mais detentores internos que externos", completou.

Reforma administrativa

Entrando na seara política, o presidente Banco Central considerou também que a reforma administrativa é "fundamental" para o país. O projeto ainda está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

"Além do custo de pessoal que é muito grande, o tema de eficiência e de busca de talentos para o setor público também é importante. Gastamos muito e os serviços públicos prestados não são de ótima qualidade. A reforma administrativa precisa vir com uma grande dimensão de digitalização, para reduzir custos e aumentar a eficiência dos serviços públicos, como ocorreu em outros países", declarou.

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Para ele, a reforma precisa avançar, mesmo sem condições políticas para mexer com os atuais servidores. "Mesmo a sinalização para o futuro terá efeitos positivos para o País", completou.

Moeda digital é extensão da moeda física

Por fim, Campos Neto deu mais detalhes sobre a moeda digital em desenvolvimento pelo Banco Central, que, de acordo com ele, é uma extensão da moeda física, com pagamentos online e offline. 

A autarquia divulgou neste dia 24 de maio as diretrizes gerais para o lançamento nos próximos anos do "real digital", uma criptomoeda que promete baratear operações de pagamento e ampliar as possibilidades de transações, inclusive no varejo.

O BC planeja ouvir sugestões da sociedade nos próximos meses e lançar a nova moeda em dois ou três anos.

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Bitcoin que se cuide

O real digital surge como uma espécie de concorrente para as criptomoedas, como o bitcoin. A diferença é que ele será uma divisa com lastro na própria moeda - ou seja, o real - enquanto o bitcoin não possui nenhum lastro.

Outra diferença é que o real digital será necessariamente custodiado por instituições financeiras. Em outras palavras, o saldo estará sempre dentro de um banco e as transações financeiras ocorrerão por intermédio do sistema bancário.

Não será possível fazer transferências e pagamentos diretamente entre duas pessoas, sem passar pelo sistema bancário, como ocorre hoje com criptomoedas. Com isso, o BC busca reduzir as chances de o real digital ser utilizado em atividades criminosas, como lavagem de dinheiro e remessas ilegais.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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