Banco Central aumenta taxa básica de juros para 2,75% e prevê novo reajuste em maio
Copom elevou a Selic em 0,75 pontos percentuais; próximo reajuste deve levar a taxa a 3,50%, mas decisão ainda depende da evolução da atividade econômica, balanço de riscos, além de projeções e expectativas de inflação

O Banco Central acaba de iniciar um ciclo de ajuste na taxa básica de juros, diante do avanço das expectativas de inflação. A autoridade monetária aumentou em 0,75 ponto percentual a Selic, acima da expectativa majoritária do mercado, que era de 0,50 ponto.
Com isso, a taxa básica passa de 2% para 2,75%. A decisão foi unânime entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom). Na avaliação do grupo, o ajuste deve reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, "assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos".
"Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social", diz o grupo em comunicado.
É a primeira vez que o Copom eleva a Selic em quase seis anos. O ciclo atual, de reduções, começou em 2016 e foi intensificado pela pandemia de covid-19. A doença, que em março do ano passado impôs restrições de circulação e desacelerou a atividade, agora não é motivo suficiente para o BC manter a Selic na mínima histórica.
Copom já prevê Selic a 3,50%
Para a próxima reunião, que acontece em 4 e 5 de maio, o Copom prevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude.
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No entanto, o grupo ressalta que a decisão vai depender da evolução da atividade econômica, balanço de riscos e projeções e expectativas de inflação.
A inflação tem subido nos últimos meses por conta de, entre outras razões, a elevação do preço de commodities internacionais, especialmente o petróleo - que afeta os preços dos combustíveis.
O Copom comenta que, "apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução".
O BC considera que há uma recuperação "consistente" da economia, levando em conta o PIB do quarto trimestre, mas lembra que ainda não estão claros os efeitos da piora da pandemia no país neste ano. "O agravamento da doença pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado", diz.
"Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco".
O Copom comenta que o cenário pode ser desafiador para economias emergentes como o Brasil por conta também de um eventual reprecificação dos ativos financeiros causada por questiomentos do mercado a respeito dos riscos inflacionários em economias desenvolvidas.
Inflação a 5% para 2021
As projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022, considerando câmbio de R$ 5,70. A expectativa para o final deste ano é classificada como "surpreendente" pela economista-chefe da gestora Armor Capital, Andrea Damico.
Ainda assim, a especialista ressalta que a dinâmica inflacionária é mesmo ruim e que o IPCA em 12 meses deve escalar até a metade do ano, para desacelerar e chegar ao final do em um patamar mais baixo.
O indicador chegaria a 4,60% ao final deste ano, segundo a edição mais recente do Boletim Focus. O centro da meta estabelecida para 2021 é de 3,75% — com o teto em 5,25%.
O principal instrumento do BC para perseguir a meta de inflação é taxa de juros. A alta da Selic desestimula o crédito e o consumo, o que impacta a alta dos preços. Hoje, as instituições acreditam que o BC vai aumentar a Selic até chegar 4,50% no final deste ano, de acordo com o Focus.
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