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Desde 2019, a Binance não oferece mais serviços de trading de criptomoedas para quem mora nos Estados Unidos
A corretora de criptomoedas Binance está sob investigação do Departamento de Justiça e Receita Federal dos Estados Unidos. A maior exchange de criptoativos do mundo deve ajudar os EUA a localizar e combater transações ilícitas e não-regulamentadas, de acordo com o que foi dado em primeira mão pela Bloomberg.
Desde 2019, a Binance não oferece mais serviços de trading de criptomoedas para quem mora nos Estados Unidos. Entretanto, existem suspeitas de que a exchange tenha clientes em solo americano.
A Receita está investigando os crimes de lavagem de dinheiro e evasão fiscais de acordo com funcionários internos da Binance que possuem conhecimento sobre os negócios da exchange. Eles pediram anonimato pois a investigação é confidencial.
De acordo com o governo americano, a empresa tem conseguido escapar das acusações por não estar sediada nos Estados Unidos. A Binance tem sede corporativa em Cingapura e escritórios nas Ilhas Cayman.
Uma empresa que oferece serviços de criminalística utilizando blockchain chamada Chainalysis tem entre seus clientes algumas agências federais dos Estados Unidos. Foi por meio dela que os investigadores da receita concluíram que a Binance foi a corretora por onde mais passaram fundos vinculados a atividades criminosas.
De acordo com o relatório da Chainalysis, as transações criminosas envolvem tokens digitais. A empresa rastreou US $ 2,8 bilhões que migraram para plataformas de negociação em bitcoins. Desse total, 27% (US$ 756 milhões) acabaram na Binance. Em comunicado, a empresa afirmou que está trabalhando com a Chainalysis para esclarecer o caso.
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A porta-voz da Binance, Jessica Jung, afirmou, por meio de uma circular, que a empresa está tomando as providências cabíveis para explicar o caso. “Levamos nossas obrigações legais muito a sério e nos envolvemos com os reguladores e as autoridades de aplicação da lei de forma colaborativa”, comentou ela. “Trabalhamos muito para construir um programa robusto que incorpore princípios e ferramentas de combate à lavagem de dinheiro usados por instituições financeiras para detectar e lidar com atividades suspeitas”.
A binance se pronunciou em sua conta no twitter. Alguns usuários também chamaram a matéria da Bloomberg de “irresponsável” e incentivaram o uso da criptomoeda da empresa, a Binance Coin (BNB).
Oficiais da Receita Federal dos Estados Unidos não comentaram o caso.
As cotações da BNB, entretanto, seguem normalizadas. No acumulado da semana, o valor da criptomoeda caiu 5,53%, enquanto nas últimas 24h, registra valorização de 6,98%, aos US$ 607.
O Departamento de Justiça expressou sua preocupação de que as criptomoedas estejam sendo usadas para tráfico de drogas, sequestros e sonegação de impostos. Com o aumento vertiginoso do criptomercado em geral, os especialistas temem que os investidores não estejam pagando as taxações correspondentes aos ganhos.
O ataque cibernético contra a Colonial Pipeline, que gerou escassez de combustível no leste dos EUA, é o caso mais recente desse uso indevido de criptomoedas. A empresa pagou para os hackers do Leste Europeu um resgate de quase US $ 5 milhões em criptomoedas não rastreáveis, de acordo com matéria publicada na própria Bloomberg.
Coincidência ou não, a queda do bitcoin acelerou na quinta-feira (13), depois que o jornal relatou a investigação sobre o Binance. Entretanto, ontem também houve o anúncio de que a Tesla não aceitará mais pagamentos em bitcoins. Com o mercado de criptomoedas sendo tão sensível ao noticiário, fica difícil especificar o motivo da queda.
A investigação, que já dura alguns meses, também conta com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA. O grupo está investigando se a Binance permite que os investidores comprem derivativos vinculados a tokens digitais. A legislação impede os residentes dos EUA de comprar esses produtos, a menos que as empresas que os oferecem sejam registradas na Comissão.
O CEO da Binance, Changpeng Zhao, já afirmou que está tomando as medidas cabíveis em caso de irregularidades. No ano passado, a exchange começou a congelar as carteiras suspeitas de lavagem de dinheiro.
Os Estados Unidos estão liderando uma verdadeira inquisição.Uma exchange em São Francisco, chamada Kraken, perdeu um caso contra o governo dos EUA por fraude fiscal. Em outubro, a BitMEX, das ilhas Seichelles, também foi alvo da procuradoria americana.
Além de analisar o caso, a Receita Federal dos EUA está examinando cada passo que a Binance dá no país.Uma das fontes internas da Binance chegou a relatar que a empresa recomendava aos seus clientes o uso de redes privadas (ou VPN, na sigla em inglês) para acessarem a plataforma. Dessa forma, o governo não poderia rastrear as contas.
Em janeiro, Zhao twittou que os sistemas de segurança da Binance bloqueiam os americanos, mesmo que eles tentem se conectar por meio de uma das redes. tanto ele quanto a porta voz declaram que nunca encorajaram seus clientes a usar VPNs.
*Com informações da Bloomberg
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