Big Bang, a teoria: As leis da Física e a tributação dos dividendos
As empresas são organismos vivos, que precisam se adaptar às mudanças para sobreviver, como na recente proposta de tributação de dividendos

Eu sou formado em Física e perdi as contas de responder a seguinte pergunta: "Me explique por qual motivo você escolheu fazer Física?"
Eu sinto que na maioria das vezes as pessoas só queriam ouvir uma resposta do tipo "porque sou fã do Einstein" ou, pior, "porque eu adorava a série The Big Bang Theory".
Mas, para a decepção da maioria delas, a resposta é bem mais chata do que essas.
O que mais me encanta na Física é a sua capacidade de descrever e antecipar comportamentos da natureza com uma precisão simplesmente incrível.
Insira uma quantidade E de energia térmica num sistema isolado e a temperatura interna atingirá T.
Aumente a pressão para P e o volume se expandirá para V.
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Aplique uma aceleração X e você verá a velocidade alcançar Y em T segundos.
Alterando uma variável na fórmula você consegue prever com enorme precisão o que acontecerá com o restante do sistema. Tanto faz se você está realizando o experimento no Brasil, na Europa ou nas Olimpíadas de Tóquio. Se as condições forem as mesmas, o resultado será igual em qualquer lugar.
Não é incrível?
Infelizmente, essa é uma característica restrita às ciências naturais e que não pode ser replicada no mercado financeiro.

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Aumente o imposto sobre dividendos e as ações vão cair (será?)
Recentemente os investidores tiveram conhecimento da proposta de reforma tributária.
Entre as mudanças, estava um aumento de zero para 20% nos impostos sobre dividendos.
Em poucas horas pudemos observar uma série de reportagens e análises mostrando como a mudança faria as ações das grandes pagadoras de dividendos sofrerem na Bolsa, já que maiores impostos sobre dividendos implicam em menores retornos para os seus acionistas.
"Aumente a taxa de imposto de renda e o dividendo recebido cairá tantos por cento".
Isso até poderia ser verdade. Mas quem disse que o mercado funciona igual à Física?
Ao contrário dos sistemas de laboratório que têm um comportamento totalmente previsível, as empresas são organismos vivos, que precisam se adaptar às mudanças para conseguir sobreviver.
O aumento na tributação sobre dividendos é ruim, e se as grandes pagadoras de dividendos permanecessem com as mesmas políticas de distribuição depois das mudanças, é bem provável que o impacto para os seus acionistas fosse realmente muito negativo.
Mas elas podem e vão tentar utilizar todas as ferramentas possíveis para driblar essa taxação extra e continuar atraindo capital para manter suas operações.
Organismos vivos que se adaptam para vencer, lembra?
Menos dividendos no futuro, um caminhão de dividendos agora
Se os dividendos sofrerão uma taxação pesada depois que a reforma passar, há uma alternativa bem simples e eficaz que as companhias podem adotar para amenizar o impacto para os investidores: adiantar o pagamento de dividendos.
Em vez de distribuir o pagamento de dividendos pelos próximos cinco anos já com uma incidência de 20% de imposto, elas podem adiantar esse pagamento para antes das mudanças.
Imagine a alegria de um investidor recebendo vários anos de dividendos em apenas um — e sem imposto.
Uma companhia que já vinha pagando bons dividendos e que tem boas chances de acelerar essa distribuição no segundo semestre para evitar a taxação extra é a Vale (VALE3).
Menos dividendos no futuro, mais recompra
Uma outra maneira de utilizar o lucro para aumentar o retorno dos acionistas sem precisar pagar mais dividendos é a por meio da recompra de ações.
Imagine uma companhia cujo capital é formado por 10 ações e que lucra R$ 10 mil por ano.
O lucro é de R$ 1 mil por ação neste caso.

Agora, imagine que essa companhia, em vez de distribuir o lucro na forma de dividendos, opte por recomprar metade das ações em circulação.
O capital que era de 10 ações agora cai para 5.
E como o lucro da companhia permaneceu o mesmo, isso quer dizer que cada acionista terá direito ao dobro dos lucros de antes.

Como o lucro por ação aumenta, a tendência é que as ações se valorizem para refletir esse aumento em sua atratividade.
Ou seja, mesmo recebendo menos dividendos, os acionistas acabam se aproveitando de outras maneiras.
Agora, adivinha quem está com um programa de recompra de ações aberto?
Sim, ela mesma! A Vale.
Não é à toa que VALE3 está presente na série Oportunidades de Uma Vida e, além dos dividendos extras e das recompras, atualmente negocia abaixo de 3 vezes EV/Ebitda.
As oportunidades são muitas para quem está preparado
Como você pôde perceber, diferente do que acontece em um laboratório de Física, no mercado financeiro é muito mais difícil conseguir antecipar o que uma determinada mudança vai provocar no preço das ações no futuro.
Mas, ao contrário do que possa parecer, isso não é ruim.
É justamente essa dificuldade e imprevisibilidade que permite às mentes mais preparadas se sobressair diante daquelas que só conseguem pensar nos desdobramentos de primeiro grau.
Quanto mais conhecimento sobre o mundo financeiro tiver, mais você vai conseguir aproveitar aquelas janelas de oportunidades que se abrem e fecham rapidamente, mas que podem trazer grandes ganhos aos mais preparados.
Uma das formas de se alcançar tal objetivo é através da leitura de alguns dos melhores livros sobre o mercado: Iludidos pelo acaso (Nassim Taleb), O mais importante para o investidor (Howard Marks), Ações comuns, lucros extraordinários (Philip Fisher), A Bola de neve (Alice Schroeder) e Princípios do Estrategista (Felipe Miranda e Ricardo Mioto) vão te ajudar muito nessa jornada.
Mas é claro que se você conseguir complementar com uma formação na área, melhor ainda. Se você gostou da ideia, saiba que a Empiricus está oferecendo um curso de MBA completo sobre o mercado financeiro.
Além de aprender tudo o que você precisa saber para se dar bem no mundo dos investimentos, você receberá a lista de livros mencionada acima e ainda vai participar de um processo seletivo para trabalhar no mercado financeiro.
Se quiser conhecer mais sobre o assunto, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
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