O preço da incerteza no mercado financeiro
Existem muitas expressões clássicas entre os agentes financeiros, mas nenhuma vem sendo tão repetida quanto “o mercado odeia incertezas”. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE E é bem fácil entender o porquê. Desde junho, quando a bolsa alcançou os 130 mil pontos, o Ibovespa perdeu mais de 16 mil pontos, mesmo com os […]

Existem muitas expressões clássicas entre os agentes financeiros, mas nenhuma vem sendo tão repetida quanto “o mercado odeia incertezas”.
E é bem fácil entender o porquê. Desde junho, quando a bolsa alcançou os 130 mil pontos, o Ibovespa perdeu mais de 16 mil pontos, mesmo com os índices americanos acumulando altas expressivas no ano e renovando máximas por meses seguidos, e uma temporada de balanços que mostrou que a maior parte das empresas brasileiras engrenaram em uma recuperação robusta pós-pandemia.
A triste marca coincide com a elevação dos ruídos políticos em Brasília. Nesse meio tempo, entre outras coisas, tivemos uma reforma do imposto de renda que mais desagradou do que ajudou, problemas com o teto de gastos e troca de ofensas entre membros dos Três Poderes.
O ápice da tensão foi o 7 de setembro, que causou apreensão e cautela antes, durante e promete repercutir por um bom tempo depois da data. Em semana mais curta, o Ibovespa recuou 2,2% e o dólar subiu 1,59%.
Com a bolsa brasileira descontada perante os seus pares internacionais, mas apresentando bons fundamentos, o aceno de paz de Bolsonaro ontem permitiu que em pouco mais de 15 minutos o principal índice da B3 saísse do vermelho para fechar o dia em uma alta de quase 2%.
A sexta-feira começou com a mesma força alucinante da véspera, ainda que o mercado já tivesse sinalizado que era muito cedo para comprar uma trégua definitiva entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Os temores não demoraram a se confirmar.
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Enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão pregava o diálogo entre os Poderes, Bolsonaro minimizou as palavras divulgadas ontem. Ao contrário do que mostrou a carta, hoje o presidente disse não ter cometido erros e que o 7 de setembro “não foi em vão”.
Em outro momento, o chefe do Executivo justificou o aceno de paz ao apontar que “falar para cima” faz o dólar disparar e pressiona o preço dos combustíveis. A resposta veio no tradicional “cercadinho do Alvorada”, após parte da base aliada do governo ficar desconfortável com o tom de recuo do documento orquestrado com a ajuda de Michel Temer.
Como lá fora as bolsas cederam com o peso das preocupações do ritmo de recuperação econômica diante da variante delta, o Ibovespa abandonou o campo positivo para renovar mínimas ao longo de todo o dia, até fechar no nível mais baixo do pregão, em queda de 0,93%, aos 114.285 pontos. Nem mesmo a elevação das vendas no varejo acima do esperado serviu de bálsamo.
O dólar à vista também foi pressionado, fechando próximo da máxima, em alta de 0,78%, a R$ 5,2671. Os juros futuros tiveram mais resistência aos novos ruídos, mas também seguiram o mesmo roteiro e acabaram voltando a apresentar alta.
Confira os destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira:
- UBS vê potencial para que as ações da Raízen se valorizem 50%;
- O Bank of America estima que as units do Banco Inter, que já subiram 240% em 12 meses, podem subir ainda mais;
- A CSN comprou ativos da Holeim no Brasil por mais de R$ 1 bilhão.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta sexta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho na semana.
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