Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Quem tem medo do lobo mau? Entenda por que a tão temida eleição de 2022 pode se transformar em um grande catalisador positivo

Haverá muita volatilidade, mas o final pode ser mais feliz para os mercados, seja com Lula, Bolsonaro ou uma terceira via

22 de novembro de 2021
11:11 - atualizado às 13:18
Imagem: Getty Images

O humorista Robert Benchley oferece uma ironia de que gosto muito. Diz que existem dois tipos de pessoas: as que dividem o mundo em dois tipos de pessoas e as que não fazem isso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A resposta talvez esteja em Walt Whitman (ah, sim, a resposta sempre está na poesia): é necessária uma multidão de opiniões para ajudar as pessoas a entenderem que elas também são múltiplas. Há sempre várias perspectivas e possibilidades sobre cada assunto.

Eleição é um tema complexo. Dinâmico. E também bastante incerto. Evitemos a polarização das conversas com o titio do Zap e tratemos o tema com a profundidade que ele exige.

Perdidos no labirinto da PEC dos Precatórios, da Selic indo para 12%, da inflação de dois dígitos e da recessão esperada para 2022, já tendo perdido o fio de Ariadne desde que abandonamos a âncora fiscal, deixamos escapar algo importante: talvez a eleição de 2022 tenha sido definida e ninguém percebeu.

Calma. Mais uma vez: calma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isto aqui não é uma tentativa de adivinhação do nome vitorioso no pleito de 2022. Seria ridículo. Uma semana é muito tempo em política. Imagine um ano. Neste momento, parece haver boas chances de o presidente Bolsonaro ser reeleito. Também parece existir boa chance de o ex-presidente Lula ser eleito. E há ainda probabilidade razoável de eleição de uma terceira via. Resumidamente, portanto, os modelos mais científicos do planeta Terra podem afirmar sobre o tema: ninguém sabe nada.

Leia Também

Capital não tem ideologia

Segundo esclarecimento: as palavras aqui escritas têm como objetivo aventar hipóteses de impacto das eleições sobre os ativos financeiros. Ideologia política não combina com seu home broker.

Não é porque seu candidato vai ganhar a eleição que, necessariamente, você precisa ficar mais otimista com ativos de risco. Também não é razão para vender tudo se sua preferência for derrotada.

O mercado é aético (não significa antiético). E, com a transparência de sempre, àqueles que nutrem algum tipo de curiosidade sobre minhas preferências individuais, informo: sou liberal na economia e nos costumes. Lembrando que a essência do liberalismo e da meritocracia pressupõe igualdade de oportunidade. A falsa narrativa que tenta impor uma dicotomia entre responsabilidade social e responsabilidade fiscal deve ser evitada a qualquer custo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Agora podemos prosseguir

O grande medo do mercado é de que resgatemos, à esquerda ou à direita, uma política fiscal irresponsável e um maior dirigismo estatal, semelhante àquele da época da trágica nova matriz econômica, cujas consequências infelizmente sentimos até hoje.

Como a prioridade de um político é se eleger (ou se reeleger), Bolsonaro poderia topar de tudo até o fim de 2022. Não haveria limites para a caixa de “bondades" (que, na verdade, representam maldades de médio e longo prazo, traduzidas em inflação, que piora a distribuição de renda, e juros mais altos, que aumentam o desemprego).

Teríamos mesmo irrompido para o lado da completa irresponsabilidade fiscal?

Não me parece o caso. Obviamente, a gestão do Orçamento e das diretrizes fiscais, sobretudo desde o fim de junho com o envio da nova reforma do IR e depois com a necessidade de se fazer o novo Auxílio Brasil, com brechas para mais emendas do relator e fundo partidário, tem sido um desastre completo. Isso é indiscutível. A questão que se coloca é: dado o nível de preços, as coisas já não parecem exageradamente negativas?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do ponto de vista objetivo, a relação dívida/PIB, que todos temiam bater 105%, caminha para 80-81%. Há quem estime superávit primário em 2021 — parece um tanto otimista, mas ainda se falássemos de déficit de algo como 1,5% é uma redução sem paralelos para mercados emergentes no mundo todo frente aos gastos da pandemia. E o governo Bolsonaro deve encerrar seu primeiro mandato com uma proporção de gasto público sobre PIB inferior ao que recebeu, algo que não víamos desde a redemocratização.

Não quero dizer que o governo não tenha frustrado as expectativas mais liberais. Tampouco que não haja muitos erros, nem que deveríamos ter feito muito mais reformas e evitado o populismo em que caímos. Concordo com todas as críticas. Mas, dado o nível de preços, a efetiva piora fiscal já parece contemplada.

Temor é de mais surpresas em 2022

O grande medo seriam novas surpresas sucessivas ao longo de 2022. Pode ser, claro. Sempre pode ser. Contudo, há várias prerrogativas legais impedindo criação de novos gastos e irresponsabilidades em ano eleitoral, justamente para se preservar a igualdade de oportunidades entre os candidatos e garantir a lisura da disputa.

Existe alguma (longe do ideal, claro) institucionalidade que impede grandes rompantes, o Congresso é conservador (no sentido de conservar instituições e organizações que funcionam), e o tecido corporativo brasileiro é profundo e amplo, capaz de se organizar e resistir a grandes loucuras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cumpre também dizer que o primeiro ano do segundo mandato de um presidente costuma ser o período ideal para o abandono do populismo e o ajuste na casa — a presença de Joaquim Levy no Dilma 2 não é coincidência. A mensagem: ainda que possamos ter um ano mais difícil em 2022, resgataríamos a austeridade em 2023, evitando uma explosão do país. E isso precisa conversar com o nível de preços dos ativos.

Zona compradora

Repito aqui as sábias palavras do amigo João Braga no podcast Mesa Pra Quatro (se você ainda não ouviu, corre lá). Eu só vi esses patamares de valuation em outras três situações na minha vida: no pós-quebra da Lehman em 2008, na maior recessão da era republicana brasileira em 2015 e na crise da Covid. Ou seja, as coisas estão baratas. Não significa, evidentemente, que não possam ficar ainda mais baratas. Ninguém aqui tem pretensão de cravar a mínima ou descartamos a volatilidade. A observação é mais geral: estamos numa zona compradora.

Uma informação relevante escapa

Agora analisemos o outro extremo: Lula. A grande preocupação é de retorno de um regime fiscal e intervencionista semelhante àquele vigente quando da nova matriz econômica. Em outras palavras, se tivermos o Lula 2 em vez do Lula 1, possivelmente enveredaríamos por um caminho mais complicado. De fato, é um temor legítimo.

Entretanto, debruçados sobre outros problemas, talvez tenhamos deixado escapar algo relevante. Ao cogitar Geraldo Alckmin como possível companheiro de chapa, Lula afasta a hipótese mais revanchista e isolacionista. Ainda que não venha a ser propriamente Alckmin seu candidato a vice-presidente, ao acenar para o centro e compor alianças impensáveis, Lula sinaliza uma cara para seu governo. É uma espécie de nova Carta aos Brasileiros, ainda não tão incisiva e clara quanto a primeira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Curiosamente, a original também não foi recebida de imediato com muito entusiasmo. Somente conforme a equipe econômica foi conversando com o mercado e indicando o caminho à frente a tal Carta aos Brasileiros virou tão icônica.

Vale o lembrete: Alckmin é próximo a Persio Arida, autor, junto a André Lara Resende, da clássica proposta “Larida”, precursora do Plano Real. É a representação emblemática da ortodoxia na gestão da política econômica.

Muita coisa ainda precisa acontecer e outras sinalizações serão necessárias para tranquilizar o mercado. O flerte com o centro, no entanto, começou cedo, talvez indicando novos acenos à frente — a carta aos brasileiros original foi escrita apenas em julho de 2002, às vésperas da eleição.

A agenda necessária

O ponto central deste texto é que não importa tanto o nome em si. Precisamos de uma agenda, de um projeto para o país que contemple, necessariamente, responsabilidade fiscal, reformas estruturais, respeito aos contratos e obediência às sinalizações do sistema de preços.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na falta de um candidato de centro competitivo, em termos práticos, apesar de provável retórica eleitoral mais incisiva, acalorada e extremista, talvez tenhamos três.

Quando confrontada com o atual nível de preços dos mercados brasileiros, a tão temida eleição de 2022 pode se transformar em um grande catalisador positivo.

Sem ilusões ou falsas esperanças: haverá muita volatilidade, mas o final pode ser mais feliz, independentemente, para os mercados, se for Lula, Bolsonaro ou a terceira via.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger dos choques cada vez mais comuns de petróleo, recorde na bolsa, e o que mais move os mercados hoje

14 de abril de 2026 - 8:34

Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

O novo normal é o choque: o investimento “obrigatório” em tempos de guerra

14 de abril de 2026 - 6:04

Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia