Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Governo dos 100 dias

3 de março de 2021
11:49 - atualizado às 13:20

O período entre a fuga de Napoleão do exílio na Ilha de Elba em março de 1815 e sua derrota definitiva na batalha de Waterloo é bastante conhecido. Enquanto o Congresso de Viena tenta restabelecer a ordem e a monarquia na Europa depois das guerras napoleônicas, foi subitamente surpreendido pela aclamação de Napoleão, cujo objetivo era reconquistar o que havia perdido, em Paris. Ele acabaria derrotado 100 dias depois pela Sétima Coligação contra a França, coalizão formada por Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com alguma frequência, recupera-se a expressão “Governo dos 100 dias” para se referir a algum período específico de determinadas administrações em que se deve aprovar muita coisa em pouco tempo. De maneira mais típica, isso acontece nos começos de mandato, quando o eleito goza de prestígio popular e político, supostamente dispondo de capacidade de impor sua agenda e seu programa de governo.

Metaforicamente, entendo que estamos diante de algo semelhante. É como se começasse um novo governo Bolsonaro em termos práticos. Se terá mais cara de um “Dilma 3.0”, de um “Temer 2.0” ou de uma mistura macunaímica das duas coisas, o que até me parece mais provável, descobriremos nas cenas dos próximos capítulos. Qual caminho tomaremos nesta encruzilhada?

O momento é particularmente importante e por isso invoco a ideia do governo dos 100 dias.

De algum modo, entre erros e acertos, conseguíamos caminhar no começo de governo com algumas reformas — claro que sempre aquém dos platônicos desejos do mercado, muitas vezes preso em seus próprios ideais (o problema dos ideais é que eles ficam no mundo das ideias) e sem tanto conhecimento das nuances do pântano político partidário. Mesmo a Previdência, que era uma “reforma impossível”, aconteceu, inclusive melhor do que se supunha e do que aquela anteriormente proposta por Michel Temer.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Então, veio a pandemia. Sem muita alternativa, a pauta neoclássica e liberal cedeu lugar ao keynesianismo — se até Kenneth Rogoff trouxe prescrição semelhante à contida na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, então é porque não havia mesmo meios de sobrevivência para a austeridade fiscal naquele momento. Era pertinente. A cartilha ortodoxa recomenda: em momentos de recessão ou depressão econômica, o preenchimento da falta de demanda só pode vir com a expansão dos gastos públicos. O fato de envolver uma grave crise sanitária dava contornos mais dramáticos à coisa. Então, mesmo já em trajetória delicada de nossa dívida/PIB, fizemos o maior gasto público como percentual do PIB de todos os mercados emergentes e, surpreendentemente, foi tolerado.  

Leia Também

Agora, porém, a situação é outra. Chegamos ao limite de nossa capacidade fiscal (talvez até o tenhamos superado; a economia é o ambiente curioso em que se transita além do potencial). Além disso, se antes a suposta culpa da falta de avanço das reformas fiscais e liberais era do opositor presidente da Câmara e do foco total na pandemia, os termos mudaram agora. 

Temos presidentes das duas Câmaras no Parlamento alinhados ao governo — com efeito, a interlocução do ministro Paulo Guedes com o Congresso é hoje muito superior àquela da época de Rodrigo Maia — e o mundo está a poucos meses de virar a página da pandemia. O keynesianismo global clássico, em sua expansão fiscal grotesca, deve perder espaço, ainda que o neokeynesianismo da expansão monetária e das injeções de liquidez possam continuar. A inexorável agenda de mais gasto público em meio à pandemia encontra um novo ambiente conforme se acelera a vacinação — embora, claro, ainda estejamos atrasados no processo de imunização. 

Acho um erro a afirmação de que o governo Bolsonaro não é liberal. Como também acho um erro a afirmação de que o governo Bolsonaro não é intervencionista, corporativista e populista. Convivem ali dentro várias forças, algumas ambivalentes, o médico e o monstro. A sensação é de que se acende uma vela para Deus e outra para o diabo ao mesmo tempo. Um olho no fiscal, outro na popularidade. Um afago nos caminhoneiros, um carinho em Paulo Guedes. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O problema é que Deus não costuma ser muito tolerante com o politeísmo. A ira do Velho Testamento é conhecida. O mercado não gosta de volatilidade e incerteza. E gol tomado fora de casa conta mais. O zero a zero é melhor do que o um a um, por conta da aversão ao risco e da maior dispersão de resultados possíveis.

Talvez hoje possamos ter uma pista interessante, com a possível votação da PEC Emergencial no Senado. É fundamental que sejam preservados os gatilhos fiscais. Não há aqui ilusões ou falsas esperanças. É uma utopia acreditar numa completa amarração fiscal, com, por exemplo, desvinculação de gastos com saúde e educação. Mas há uma chance na mesa aqui. 

Os próximos dias deixarão mais claro qual caminho decidimos seguir. Cada jogo é uma nova batalha. Emprestamos um termo tradicionalmente usado na política monetária para empregá-lo no prognóstico para a trajetória fiscal: estamos “data dependent”, dependente da evolução dos dados. Se conseguirmos avançar na PEC Emergencial com gatilhos fiscais e pouca desidratação, o ministro Paulo Guedes recupera força e poderemos sonhar com reforma administrativa, privatização de Eletrobras e Correios, uma bateria de reformas infraconstitucionais e melhora do ambiente de negócios. Em sendo o caso, poderemos ter 100 dias simplesmente gloriosos. Do contrário, a Argentina é logo ali. O ministro Guedes falou em seis meses. Talvez não passe de quatro.

P.S.: Se você quiser estar comigo e com o Rodolfo diariamente te ajudando a enfrentar essa batalha, poderá não só se proteger mas também sair com alguns trocados a mais. Formaremos um grupo segunda-feira, os detalhes estão aqui.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como dobrar o patrimônio ao reinvestir dividendos, Regime Fácil, e o que mais você precisa saber hoje

10 de abril de 2026 - 8:30

Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa

SEXTOU COM O RUY

Receber dividendos é bom; reinvestir é melhor ainda. A estratégia confiável capaz de até dobrar o retorno dos seus investimentos

10 de abril de 2026 - 6:05

Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como surfar pela renda fixa, o preço do petróleo, e o que mais move os mercados hoje

9 de abril de 2026 - 8:27

Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia