🔴 UM SALÁRIO MÍNIMO DE RENDA TODO O MÊS COM DIVIDENDOS? – DESCUBRA COMO

Início do fim do boom das commodities? Ou fim do início?

26 de maio de 2021
10:43 - atualizado às 13:19
Imagem: Shutterstock

Piadinha clássica sobre a ciência jovem: 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um avião privado cai no meio do deserto. Sobrevivem um físico, um químico e um economista. Eles caminham a esmo, famintos e sedentos, na noite fria sob vento intenso. Não há nada que comer ou beber. Então, encontram uma grande lata de sopa deliciosa e quente. Como abri-la? 

O físico prontamente sugeriu usar uma pedra para quebrá-la. Também considerou montar um bom plano inclinado e montar a alavanca mais eficiente.

O químico pensou em fazer uma fogueira e aquecer a lata, de tal maneira que a dilatação permitiria sua abertura.

O economista foi enfático: “Suponha que temos um abridor de latas…”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É muito duro conversar com pessoas sem capacidade de abstração. Mas é também difícil falar com indivíduos abstratos demais, sem apego à realidade, enterrados em seus próprios modelos matemáticos e mentais. 

Leia Também

Há um grande desafio na ciência. A realidade é muito complexa. Para fazer testes e chegar a conclusões sistemáticas, precisamos adotar certas premissas e simplificá-las a ponto de permitir-se alguma representação esquemática. Para isso servem os modelos. Ninguém vai desenhar uma maquete de tamanho original.

O diabo, porém, mora nos detalhes. Emerge daí um enorme desafio metodológico. O que significa uma simplificação necessária à modelagem sem perda de generalidade e eficiência? E o que representa uma banalização da realidade, uma simplificação excessiva que a descaracteriza, jogando fora o bebê junto com a água do banho? O mito da Cama de Procusto ilustra bem o problema.

Economistas — e aí dentro estão os financistas — são craques em simplificações exageradas. Invejosos da Física, quer dar às complexas ciências sociais, em que testes de laboratório são sempre mais capciosos e dificilmente podemos contar, de fato, com a imposição do “ceteris paribus”, precisamos do reducionismo comportamental e de variáveis explicativas exógenas para conseguir fazer nossas desejadas derivações formais. O mundo é um diferencial total, não uma derivada parcial. Isso dificulta bastante a vida da modelagem. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A montagem de portfólio é um dos exemplos clássicos. O próprio Markowitz, depois de suas derivações formais que lhe renderam o prêmio Nobel, jogou a pá de cal sobre o assunto: “Tudo isso deve ser feito com a razoabilidade de um homem prático.” No fim, tudo é mais sensibilidade e capacidade de julgamento do que uma sugestão do Excel.

Todos sabemos do problema. Mas é difícil escapar das tentativas de simplificação. Se não há como representar algo de forma fácil, temos uma apresentação ininteligível, que possivelmente vai ser interpretada como inferior à outra. A simplicidade é uma das regras vencedoras de retórica.

Gostamos de padrões, de rótulos e de caixas para enjaular nossas decisões. “Eu só compro empresas de value investing clássico.” “Distribuo meu portfólio em três blocos: estrutural, tático e momentum.” E para me colocar dentro do grupo: “Tenho abordado a carteira em três pilares: commodities, tecnologia e cíclicos domésticos”.

Mantenho otimismo para cada um dos três.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A economia global se recupera de maneira contundente e há muita liquidez no mundo, o que ajuda as matérias-primas. Como bem caracterizou Rogério Xavier em evento recente, a principal economia do mundo crescer 10% em termos nominais não é brincadeira. 

Empresas de tecnologia representam a Nova Economia e a grande tendência secular, com possibilidades reais de crescimento secular. Em adição, passaram por boas correções nos últimos meses e as taxas de juro de mercado, ao mesmo momentaneamente, se acomodaram. Os operacionais seguem bons.

E os cíclicos domésticos, no geral, seguem bastante amassados e estão prontos para se beneficiar em saltos não lineares e não graduais da recuperação da economia. 

Numa gigantesca simplificação, é meio por aí. Mas isso é simplista demais. Precisamos penetrar em cada um dos segmentos e separar o joio do trigo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tecnologia é muito amplo. Há nomes absurdamente caros nessa história. E existem outros em valuations razoáveis, que estão entregando e realmente merecem múltiplos mais esticados. Mais do que isso, vale observar quem cresce sem rentabilidade e queima muito caixa (principalmente com “other people’s money”). Em e-commerce, por exemplo, veja quem realmente é omnichannel, cresce com velocidade e gera caixa.

Procure os vencedores de cada nicho, seja em grandes marketplaces ou em nichos específicos de canais verticais. Ou foque nas big techs, onde, apesar dos fatos estilizados superficiais, não há bolha alguma — tem gente ali negociando abaixo de 30 vezes lucros, com uma geração de caixa brutal e crescimento contratado por anos. Relação risco-retorno bem boa. Se for pra ficar nas pequenas, Méliuz, pra mim, é o nome certo no Brasil. Management está entregando crescimento orgânico e via aquisições, tem um time forte e uma cultura diferenciada, e a aquisição da Acesso pode ser transformacional, agregando uma opcionalidade brutal. 

Commodity também tem coisa boa e ruim. Depois do choque dos últimos dias, parece que ninguém quer mais. Impressionante como os temas se alternam e mudam tão rápido. Mas não é por aí. A pergunta não é se o minério vai continuar subindo depois de bater US$ 230 por tonelada.

O ponto é quanto ele pode cair e ainda deixar Vale barata e com muita geração de caixa, cujo corolário é o nível alto de dividendos. Hoje, Vale negocia a 3 vezes EV/Ebitda e continuaria barata mesmo se o minério caísse 60% da máxima. A queda recente dos preços parece muito mais ligada a uma desalavancagem do sistema na China e à contenção de um movimento especulativo em contratos futuros, incluindo pessoas físicas, do que propriamente uma corrosão do balanço entre oferta e demanda física. Ainda há uma oferta bem apertada de minério para os próximos anos. Fora de Metals & Mining, os níveis atuais do petróleo parecem saudáveis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Petro é muito barata nesses níveis (ainda que mereça ser barata mesmo), e 3R tem um desconto descabido sobre PetroRio — se entregar Papa-Terra, que eu acho que sai no curto prazo, pode ser uma bela porradinha. Temos live com o CFO da companhia hoje, às 18h30. Fique ligado.

E esse lance da queda do minério, do rebar e do aço na China faz a ponte com alguns cíclicos domésticos. A turma dizimou as incorporadoras por conta da subida das taxas de juro de mercado e por preocupação com margem a partir dos aumentos de preço do aço.

Os juros estão mais bem comportados agora, sem impactar financiamento imobiliário, e o aço já corrigiu 25% na China. Até quando isso vai ficar tão largado? Não sei. O timing nunca nos pertence. Mas uma hora nego acorda e isso rasga 30-40% em dois meses. Melhor estar preparado. 

No final do dia, outra piada sobre minha profissão talvez seja ainda mais precisa. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Primeira Lei dos Economistas: Para cada economista, sempre existe pelo menos um outro com pensamento oposto.

Segunda Lei dos Economistas: Ambos estão errados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As projeções para a economia em 2026, inflação no Brasil e o que mais move os mercados hoje

26 de novembro de 2025 - 8:36

Seu Dinheiro mostra as projeções do Itaú para os juros, inflação e dólar para 2026; veja o que você precisa saber sobre a bolsa hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os planos e dividendos da Petrobras (PETR3), a guerra entre Rússia e Ucrânia, acordo entre Mercosul e UE e o que mais move o mercado

25 de novembro de 2025 - 8:20

Seu Dinheiro conversou com analistas para entender o que esperar do novo plano de investimentos da Petrobras; a bolsa brasileira também reflete notícias do cenário econômico internacional

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: O paradoxo do banqueiro central

24 de novembro de 2025 - 19:59

Se você é explicitamente “o menino de ouro” do presidente da República e próximo ao ministério da Fazenda, é natural desconfiar de sua eventual subserviência ao poder Executivo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Hapvida decepciona mais uma vez, dados da Europa e dos EUA e o que mais move a bolsa hoje

24 de novembro de 2025 - 7:58

Operadora de saúde enfrenta mais uma vez os mesmos problemas que a fizeram despencar na bolsa há mais dois anos; investidores aguardam discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE) e dados da economia dos EUA

BOMBOU NO SD

CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3), o ‘terror dos vendidos’ e mais: as matérias mais lidas do Seu Dinheiro na semana

23 de novembro de 2025 - 17:13

Matéria sobre a exposição da Oncoclínicas aos CDBs do Banco Master foi a mais lida da semana; veja os destaques do SD

MERCADOS HOJE

A debandada da bolsa, pessimismo global e tarifas de Trump: veja o que move os mercados hoje

21 de novembro de 2025 - 9:27

Nos últimos anos, diversas empresas deixaram a B3; veja o que está por trás desse movimento e o que mais pode afetar o seu bolso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Planejamento, pé no chão e consciência de que a realidade pode ser dura são alguns dos requisitos mais importantes de quem quer ser dono da própria empresa

20 de novembro de 2025 - 8:36

Milhões de brasileiros sonham em abrir um negócio, mas especialistas alertam que a realidade envolve insegurança financeira, mais trabalho e falta de planejamento

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Fed já pode usar AI para cortar juros?

19 de novembro de 2025 - 20:00

Chegamos à situação contemporânea nos EUA em que o mercado de trabalho começa a dar sinais em prol de cortes nos juros, enquanto a inflação (acima da meta) sugere insistência no aperto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A nova estratégia dos FIIs para crescer, a espera pelo balanço da Nvidia e o que mais mexe com seu bolso hoje

19 de novembro de 2025 - 8:01

Para continuarem entregando bons retornos, os Fundos de Investimento Imobiliários adaptaram sua estratégia; veja se há riscos para o investidor comum. Balanço da Nvidia e dados de emprego dos EUA também movem os mercados hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O recado das eleições chilenas para o Brasil, prisão de dono e liquidação do Banco Master e o que mais move os mercados hoje

18 de novembro de 2025 - 8:29

Resultado do primeiro turno mostra que o Chile segue tendência de virada à direita já vista em outros países da América do Sul; BC decide liquidar o Banco Master, poucas horas depois que o banco recebeu uma proposta de compra da holding Fictor

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Eleição no Chile confirma a guinada política da América do Sul para a direita; o Brasil será o próximo?

18 de novembro de 2025 - 6:03

Após a vitória de Javier Milei na Argentina em 2023 e o avanço da direita na Bolívia em 2025, o Chile agora caminha para um segundo turno amplamente favorável ao campo conservador

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os CDBs que pagam acima da média, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje

17 de novembro de 2025 - 7:53

Quando o retorno é maior que a média, é hora de desconfiar dos riscos; investidores aguardam dados dos EUA para tentar entender qual será o caminho dos juros norte-americanos

VISÃO 360

Direita ou esquerda? No mundo dos negócios, escolha quem faz ‘jogo duplo’

16 de novembro de 2025 - 8:00

Apostar no negócio maduro ou investir em inovação? Entenda como resolver esse dilema dos negócios

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esse número pode indicar se é hora de investir na bolsa; Log corta dividendos e o que mais afeta seu bolso hoje

14 de novembro de 2025 - 8:24

Relação entre preço das ações e lucro está longe do histórico e indica que ainda há espaço para subir mais; veja o que analistas dizem sobre o momento atual da bolsa de valores brasileira

SEXTOU COM O RUY

Investir com emoção pode custar caro: o que os recordes do Ibovespa ensinam

14 de novembro de 2025 - 6:55

Se você quer saber se o Ibovespa tem espaço para continuar subindo mesmo perto das máximas, eu não apenas acredito nisso como entendo que podemos estar diante de uma grande janela de valorização da bolsa brasileira — mas isso não livra o investidor de armadilhas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Seca dos IPOs ainda vai continuar, fim do shutdown e o que mais movimenta a bolsa hoje

13 de novembro de 2025 - 7:57

Mesmo com Regime Fácil, empresas ainda podem demorar a listar ações na bolsa e devem optar por lançar dívidas corporativas; mercado deve reagir ao fim do maior shutdown da história dos EUA, à espera da divulgação de novos dados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos resumir uma vida em uma imagem?

12 de novembro de 2025 - 19:54

Poucos dias atrás me deparei com um gráfico absolutamente pavoroso, e quase imediatamente meu cérebro fez a estranha conexão: “ora, mas essa imagem que você julga horripilante à primeira vista nada mais é do que a história da vida da Empiricus”

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Shutdown nos EUA e bolsa brasileira estão quebrando recordes diariamente, mas só um pode estar prestes a acabar; veja o que mais mexe com o seu bolso hoje

11 de novembro de 2025 - 8:28

Temporada de balanços, movimentos internacionais e eleições do ano que vem podem impulsionar ainda mais a bolsa brasileira, que está em rali histórico de valorizações; Isa Energia (ISAE4) quer melhorar eficiência antes de aumentar dividendos

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ibovespa imparável: até onde vai o rali da bolsa brasileira?

11 de novembro de 2025 - 7:28

No acumulado de 2025, o índice avança quase 30% em moeda local — e cerca de 50% em dólar. Esse desempenho é sustentado por três pilares centrais

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Como era verde meu vale do silício

10 de novembro de 2025 - 19:57

Na semana passada, o mitológico investidor Howard Marks escreveu um de seus icônicos memorandos com o título “Baratas na mina de carvão” — uma referência ao alerta recente de Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, sobre o mercado de crédito

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar