O que esperar dos IPOs na bolsa brasileira? Basta ver os jornais dos EUA
Era o final dos anos 1980, mas ele pode ver o jornal de 22 de outubro de 2015. Na capa do periódico, seu filho estava sendo preso por roubo. Não havia alternativa senão entrar mais uma vez no DeLorean e viajar para o futuro, de modo a evitar a prisão de Martin McFly Júnior. CONTINUA […]

Era o final dos anos 1980, mas ele pode ver o jornal de 22 de outubro de 2015. Na capa do periódico, seu filho estava sendo preso por roubo. Não havia alternativa senão entrar mais uma vez no DeLorean e viajar para o futuro, de modo a evitar a prisão de Martin McFly Júnior.
O privilégio de ler, de fato, o jornal de amanhã está restrito a “De Volta para o Futuro 2”. Agora, se pararmos para pensar, podemos fazer algo bem parecido aqui no Brasil. Se quisermos identificar tendências para o mercado de capitais brasileiro, basta observar o que aconteceu nos anos anteriores nos EUA.

Se tivéssemos de resumir a história do mercado de capitais americano nas últimas décadas, veríamos, inicialmente, uma época estrelada dos grandes hedge funds, com emergência de gestores celebridades, seguida de anos de destaque dos fundos passivos, sob taxas mais baixas e maior eficiência dos mercados, e agora uma grande migração em direção aos alternativos e ilíquidos, onde ainda residem os maiores retornos potenciais e existem maiores distorções de preços, assimetria de informação e menos eficiência.
Há uma espécie de fetiche do investidor por IPOs. Nada contra. É legítimo que seja assim. O fenômeno de underpricing — termo tipicamente usado para caracterizar uma persistência de retornos positivos anormais nos pregões de estreia, ou seja, as ações, na média, tendem a subir no seu primeiro dia — é devidamente documentado na literatura e você pode, sim, aproveitar. Em outras palavras, há evidência empírica de que, se você participar de todos os IPOs e vender a ação no leilão de fechamento do primeiro dia de negociação, você, na média, vai ganhar dinheiro.
Histórias novas também podem ser particularmente atraentes, quando bem executadas. Você compra o empreendedor ainda em estágio inicial, ele fica capitalizado e pode executar um belo plano de expansão, com consequências, claro, para o preço da sua ação. O caso mais emblemático deste ano é Méliuz, que parece entrar num ciclo virtuoso agora com esse follow-on, já demonstrando boa capacidade de execução de crescimento orgânico e via aquisições. Olhando para a frente, estou positivamente impressionado com InfraCommerce e BR Partners, mas esse é assunto para outro dia.
IPOs podem ser muito legais. Continuarão podendo ser. Mas, cada vez mais, com juros baixos e muito dinheiro disponível no mundo, capital deixou de ser uma restrição importante. O empreendedor consegue se financiar, desde que tenha uma ideia minimamente razoável, alguma capacidade de execução e relacionamento, em rodadas privadas de captação. Quando chega num IPO, em muitas situações a empresa já está num estágio mais avançado de maturação e de geração de valor, sendo que a supermultiplicação fica nos estágios de colocações privadas.
Leia Também
O gráfico abaixo, cuja fonte é statista.com, de maio deste ano, resume um pouco do quanto a geração de valor está crescentemente mais presente em rodadas privadas:

Para reforçar o argumento, cito a evolução da alocação do famoso endowment de Yale em venture capital e private equity:

E, segundo dados da OurCrowd, de maio de 2021, esses são os retornos da categoria:

Infelizmente, esse é um nicho ainda pouco explorado por investidores pessoas físicas brasileiros, com penetração ínfima nos portfólios. Entre as minhas autoimpostas atribuições para o segundo semestre deste ano, está uma campanha em defesa da maior alocação em alternativos e ilíquidos.
Quanto antes começarmos, melhor. Como primeiro passo, sugiro conhecer a carteira administrada da Vitreo para esta categoria. Você ainda vai ouvir falar muito disso.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A herança desigual, as ameaças ao Irã e eleições presidenciais 2026: o que move os mercados hoje
24 de agosto de 2026 - 8:26RISCO OU OPORTUNIDADE?
Renda fixa: por que investir em Tesouro IPCA+ 8% se o CDI a 14% ao ano em tese paga mais?
23 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A melhor ação para dividendos entre CXSE3 ou BBSE3, a exceção no varejo, e o que mais move seu bolso hoje
21 de agosto de 2026 - 8:34SEXTOU COM O RUY
A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) mostra por que prefiro ficar longe do varejo, exceto por uma única empresa
21 de agosto de 2026 - 7:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Um novo desafio para os empreendedores, a queda dos fundos multimercados e o que mais você precisa saber hoje
20 de agosto de 2026 - 9:13Rodolfo Amstalden: Estimada probabilidade, escrevo esta carta pensando em você
19 de agosto de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A novidade na renda passiva, o conflito no Oriente Médio e dados da economia brasileira: o que move os mercados hoje
19 de agosto de 2026 - 8:08O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O problema da inadimplência, as eleições presidenciais e o que mais move os mercados hoje
18 de agosto de 2026 - 8:17INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir
18 de agosto de 2026 - 7:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A estratégia do Grupo Boticário, a recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), a inovação do Open Energy e o que mais mexe com os mercados hoje
17 de agosto de 2026 - 8:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A Torre Eiffel dos investimentos, o humor dos mercados e o que mais afeta seu bolso hoje
14 de agosto de 2026 - 8:12SEXTOU COM O RUY
O que a queda das ações do BTG (BPAC11) diz sobre o humor do mercado — e como você pode se aproveitar disso
14 de agosto de 2026 - 7:08O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O eclipse no crédito privado, o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) e o que mais move o mercado hoje
13 de agosto de 2026 - 8:30O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A corrida com obstáculos da Direcional (DIRR3) e Espaçolaser (ESPA3), a bolada do Tesouro IPCA+ e o que mais move o mercado hoje
12 de agosto de 2026 - 8:30O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A saúde do BTG Pactual, a recuperação do crédito estressado e o impacto das eleições e dos juros no seu bolso: acompanhe o que move o mercado
11 de agosto de 2026 - 8:36O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O porquinho da reserva de emergência turbinado, resultados da Berkshire Hathaway, Embraer e Itaúsa: o que mexe com o mercado hoje
10 de agosto de 2026 - 8:19PLANO A
Quem cuida das coisas quando você não está? Este investimento dribla imposto e ajuda sua família no momento mais difícil
9 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO