Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

As duas velocidades do mercado na era pós-covid

9 de junho de 2021
11:13
Arte mostrando um gráfico de barras com a bandeira do Brasil e uma seta com oscilações para cima e para baixo, fazendo menção às instabilidades na inflação, dólar, PIB, juros e outras variáveis macroeconômicas, competitividade mundial
Imagem: Shutterstock

Segunda onda: O quanto disso aqui é arte e o quanto é ciência? O que importa mais: teoria ou prática? Intuição ou formalismo?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ideia da indução é tratada com desconfiança na epistemologia desde as contribuições de David Hume. O falseacionismo popperiano foi pela mesma linha e quase sepultou a possibilidade de inferir-se o geral a partir do particular.

A investigação talebiana clássica é, em grande medida, uma revitalização do problema da indução de Hume. De quantos cisnes brancos precisamos para concluir que todos os cisnes são brancos? As teorias não podem ser aceitas, elas apenas podem ser rejeitadas. Bastou um cisne negro na Austrália para derrubar muito tempo de estudo em ornitologia sugerindo que toda a espécie era branca.

Você nunca poderá dizer que o abominável homem das neves não existe. Não tê-lo nunca encontrado não exclui a possibilidade de esbarrar no cidadão (seria ele um cidadão?) em suas férias em Aspen. Ausência de evidência não é evidência de ausência.

Agora, sejamos francos aqui: dá pra ter uma boa dose de confiança de que o Sol vai nascer no Leste e se pôr no Oeste amanhã.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Boa parte do nosso conhecimento, principalmente aquele de cunho prático, é formado pela indução, não pela dedução. Se um fenômeno acontece de maneira recorrente e tem um determinado resultado, atribuímos boa probabilidade de que seja assim também no futuro.

Leia Também

Ainda que não seja necessariamente uma conclusão lógico-dedutiva, pode ter boa  validade. Se eu demoro cerca de 1 hora para escrever isso todos os dias, imagino que amanhã levaria mais ou menos esse tempo também. Consigo me programar para isso, ainda que incorra em atrasos de vez em quando, fruto de distrações indesejadas e não deliberadas.

É tradicionalmente o conhecimento prático que permite o reconhecimento de padrões. A arte está em, ao identificar padrões e traçar analogias entre diversas situações ou cases de investimentos, perceber o que é, de fato, similar na analogia e quais são as diferenças, se sutis ou mais marcantes. 

Gosto de tentar combinar a prática à teoria. Como Taleb, acredito que a ordem das coisas importa. O conhecimento deve emanar da prática para a academia, não o contrário. A realidade se impõe sobre a teoria. Não é a realidade que haverá de se adaptar ao teórico. Há uma simbiose com hereditariedade entre as coisas, sendo a paternidade pertencente à prática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se a prática nos permite o reconhecimento de padrões, a teoria oferece explicações gerais para circunstâncias particulares e desenvolve nossa capacidade de abstração. Criamos modelos matemáticos e mentais para aplicar nas mais variadas situações.

Rudi Dornbusch tem um modelo interessante. Originalmente, ele foi proposto para explicar o overshooting típico do mercado de câmbio. A ideia central é que, mesmo em mercados com expectativas racionais, as moedas tradicionalmente passam por movimentos exagerados.

Na sua exposição, ele aponta a existência de dois mercados na Economia: o de bens e o de capitais. Eles possuem velocidades diferentes de ajustamento. O primeiro é mais lento, demora a reagir. O segundo é mais ágil e responde de maneira instantânea a um choque.

Então, aparece um choque negativo súbito a determinado país. O mercado de capitais reage na hora. A moeda se desvaloriza. O mercado de bens continua parado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesse primeiro momento, como só o mercado monetário reage, a resposta no câmbio é muito mais intensa, porque a absorção que viria da reação do mercado de bens ainda não aconteceu. Ou seja, no momento inicial, o câmbio vai além do que seria o equilíbrio final do processo. 

Num segundo estágio, o mercado de bens vai superando sua rigidez e também se mexe, retirando a pressão excedente do lado monetário. O câmbio volta do overshooting.

O modelo de Dornbusch é, em si, bastante rico. Mas o mais interessante, pra mim, é que ele se aplica a qualquer situação em que há duas velocidades diferentes de ajustamento a choques. Você pode pensar em blue chips contra small caps — as primeiras tendem a reagir na frente; depois andam as menores. 

E você pode pensar na recuperação pós-Covid. Os ajustamentos vieram primeiro na China e nos EUA, com excepcionalismos, cada um à sua maneira, no combate à doença. A China encontra mecanismos de controle social sem precedentes, além de ter observado enorme expansão monetária. Os EUA tiveram um programa de vacinação absolutamente surpreendente e acima de qualquer outro país. E teve também o Fed comprando até Marea Turbo e a administração Biden mudando bastante o regime fiscal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Feito o ajustamento e com a vacinação bem avançada, com outros países a princípio mais rígidos superando as dificuldades iniciais, agora a Europa e o Japão encontram recuperação mais destacada. Os mercados emergentes também correm atrás do prejuízo.

O yield do Treasury de 10 anos veio abaixo de 1,50% nesta manhã, um nível importante, tipicamente ligado ao dividend yield médio do S&P 500. Isso ajuda a reforçar uma migração de recursos à periferia e aos casos de crescimento. 

O overshooting deve chegar por aqui logo, logo. E isso é totalmente racional. Depois da primeira onda de recuperação nos EUA e na China, agora está na hora da segunda onda. Essa me interessa. Você está preparado?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia