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O Didi conseguiu levantar mais recursos do que pretendia inicialmente em menos tempo de conversas com os investidores
Olá, seja muito bem vindo ao nosso papo de domingo que às vezes é sobre tecnologia, às vezes sobre investimentos, mas raramente sobre algo interessante.
Nos mercados internacionais, não se falou em outra coisa essa semana, a não ser no tão esperado IPO do Didi, o "Uber chinês".
Jim Cramer, o guru de Wall Street, foi enfático: "Eu tentaria tomar quantas ações você puder".
Não é para menos…
Diferente dos tradicionais 8 dias de conversas com investidores, o roadshow do Didi durou apenas 3 dias.
Os US$ 4 bilhões que seriam levantados inicialmente transformaram-se em US$ 4,4 bilhões, graças à alta demanda dos investidores.
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E os US$ 60 bilhões em valor mercado especulados transformaram-se em US$ 67 bilhões antes do início das negociações.
Com tanto hype em torno de uma das maiores empresas de tecnologia da China, você deveria estar se perguntando:
Eu deveria investir no Didi? Se sim, como?
Bora responder essas perguntas.
Você provavelmente se lembra do auge da competição dos aplicativos de ride-sharing no Brasil.
Uber, 99taxi, Easytaxi e aquela quantidade infinita de cupons de desconto chegando por SMS, push no aplicativo, e-mail e tudo mais.
Essa febre duraria anos, sendo substituída apenas por uma corrida ainda mais insana: a dos cashbacks com iFood, Rappi, PicPay e outros…
Mas não nos dispersemos.
A batalha para se tornar o gigante do ride-sharing se desenrolou em praticamente todos os países desenvolvidos e emergentes.
Como presença onipotente, o Uber esteve em todas as batalhas, com graus de sucesso bastante distintos.
A China é um excelente exemplo.
Durante anos, o Uber queimou um montante próximo a US$ 2 bilhões na China, financiando corridas abaixo do preço de custo e criando incentivos perversos que nutriram fraudes das mais criativas.
Num determinado momento, motoristas do Uber na China começaram a adulterar suas fotos para que elas tivessem aparência de fantasmas (os "ghost drivers").
Com um negócio medonho desse, muitos passageiros cancelavam suas corridas por medo de que alguma coisa meio bizarra pudesse acontecer.
Quando os pedidos eram cancelados nessas circunstâncias, os motoristas recebiam alguns trocados imediatamente do Uber.
Assim como muitas outras empresas ocidentais que falharam na China, o Uber acabou vendendo sua operação para uma empresa local. No caso, o Didi.
A operação ocorreu numa troca de ações, em que o Uber ficou com 12,8% do Didi, uma fatia avaliada hoje em mais de US$ 9 bilhões.
Pois é, um erro de US$ 2 bilhões que se transformou num baita investimento.
O Didi somou 141 bilhões de renminbis em receitas ao final de 2020. Isso é o mesmo que cerca de US$ 21,6 bilhões.
Mais de 90% da sua receita é originada na China, sob uma base de 493 milhões de usuários ativos em 12 meses, mais de 15 milhões de motoristas e cerca de 41 milhões de transações diárias.
Apenas para dar uma noção de escala, o Brasil tem cerca de 214 milhões de habitantes.
Além disso, o Didi tem presença em 15 países, entre eles o nosso. Em 2018, os chineses adquiriram 100% da operação da 99taxi.
Como boa parte das empresas de tecnologia, o Didi dá prejuízo, cerca de US$ 1,6 bilhão em 2020.
Dito tudo isso, vale acrescentar: não é exatamente na operação de ride-sharing do Didi que os investidores estão de olho.
De acordo com o WSJ, um carro usado nos EUA sai numa média de US$ 25,5 mil. Isso dá cerca de 40% do PIB per capita americano (o "PIB por habitante").
Como comparação, um carro usado na China sai numa média de US$ 10 mil. Muito mais barato em termos absolutos, mas com um "porém".
Esses US$ 10 mil são equivalentes a cerca de 100% do PIB per capita chinês.
Na prática, em termos comparativos, é muito mais caro para um chinês de classe média deter um carro, do que para um americano.
Uma das principais avenidas de crescimento do Didi tem sido financiar o veículo para seus motoristas, através de contratos de leasing.
A frota do Didi é de mais de 600 mil veículos.
Mas você lembra da escala, certo?
Ao invés de anunciar carros de terceiros, o Didi fez parcerias com indústrias chinesas para produzir carros elétricos com uma marca própria.
Hoje, o Didi é responsável por 38% da milhagem de veículos elétricos na China e possui um market share de 30% em postos de recarga. Um dos principais nomes quando o assunto são carros elétricos.
Como todas as empresas chinesas, o investimento em Didi vem acompanhado de uma série de riscos políticos e de governança.
O biênio 2020-21 tem sido particularmente complicado para essas empresas, com diversas investidas do Governo Chinês contra Alibaba, Tencent, Meituan e outros gigantes da tecnologia.
O Didi ainda não está no mesmo patamar desses caras, mas é o famoso "a sua hora vai chegar".
Além disso, o IPO ocorreu nos EUA e não existe (pelo menos por enquanto) o acesso via BDRs.
Para tornar-se um investidor, você precisa utilizar uma corretora estrangeira ou investir passivamente através de algum fundo de investimento.
O que eu sei é que o pessoal da Vitreo, através do fundo Vitreo Tech Asia, está super interessado no caso de investimentos em Didi.
Vale a pena conhecer.
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O Tela Azul é o podcast que criei junto com meus amigos Vinícius Bazan e André Franco, onde recebemos todas as semanas grandes referências do mundo dos investimentos e da tecnologia, em bate-papos dedicados a te ajudar a investir melhor.
Um grande abraço,
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