Esquenta dos mercados: ômicron pesa no exterior e bolsas operam sem direção definida; inflação e contas públicas são destaques no Brasil
Os investidores não poderão contar com a animação das principais bolsas do exterior para emprestar um pouco de gás ao índice brasileiro

Para quem conta com um recesso entre Natal e Réveillon, a última semana do ano costuma passar voando. Já para aqueles sem o descanso estendido, os dias se arrastam entre um feriado e o outro e fica difícil manter a produtividade até a chegada da próxima folga.
O Ibovespa, que havia iniciado a semana em alta, também parece ter sentido o cansaço de final de ano. Com apenas mais dois pregões restantes em 2021, o principal índice acionário brasileiro não engatou uma recuperação consistente e fracassa em apagar ao menos parte das perdas acumuladas antes da chegada de 2022.
O índice fechou a terça-feira (27) em baixa de 0,65%, aos 104.864 pontos. Já o dólar à vista alternou altas e baixas, mas sempre oscilando perto da estabilidade, e encerrou o dia com recuo modesto de 0,02%, a R$ 5,6401.
E nesta quarta-feira (29) - em um dia de agenda econômica um pouco mais movimentada, mas com a liquidez ainda reduzida, os investidores não poderão contar com a animação das principais bolsas do exterior para emprestar um pouco de gás ao índice brasileiro.
Na Ásia, as preocupações com o avanço da variante ômicron, que vinham sendo relativizadas pelos mercados, pesaram sobre o rali de fim de ano hoje e as principais bolsas da região encerraram o dia em queda.
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A situação é parecida na Europa, onde os índices operam sem rumo definido. Mas a volta das negociações em Londres após o feriado do Natal ajuda a equilibrar o jogo. Nos Estados Unidos, os índices futuros apontam para um dia positivo, apesar do fechamento misto de ontem. Veja o que deve movimentar os mercados:
Ômicron ameaça rali
Além do cansaço, a principal ameaça para o rali de final de ano dos mercados é a disseminação da ômicron.
As autoridades mundiais têm optado por medidas de distanciamento social mais brandas que não parecem ser suficientes para conter o avanço da nova cepa do coronavírus. A França, por exemplo, registrou ontem mais de 179 mil infecções por covid-19, o maior número desde o início da pandemia.
Portugal também renovou o recorde, com 17 mil novas infecções, enquanto a Inglaterra confirmou mais 117 mil casos. Apesar disso, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reiterou que não pretende impor novas restrições antes de 2022.
No Japão, autoridades sanitárias em duas das maiores cidades do país, Tóquio e Osaka, pediram que a população evite aglomerações nas festividades de final de ano.
Já na Espanha e em Xian, na China, os governos regionais foram mais duros: o país europeu decidiu limitar as celebrações pela chegada de 2022 e a cidade chinesa entrou no sétimo dia de lockdown hoje.
Inflação e contas públicas
Com a prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vindo abaixo das expectativas em dezembro, os investidores aguardavam ansiosamente para conferir como seria o comportamento do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas.
O resultado foi uma alta de 0,87% no mês, contra avanço de 0,02%. O índice, mais conhecido como a “inflação do aluguel”, veio um pouco acima da mediana de 0,74% dos especialistas ouvidos pelo Broadcast, mas dentro do intervalo geral para os palpites, que ia até 1,02%.
Com a nova aceleração, o IGP-M terminou 2021 com alta de 17,78%. Apesar de ainda estar elevado, o percentual é menor do que os 23,14% acumulados no ano passado.
Ainda hoje, o Tesouro revela também o resultado fiscal do Governo Central em novembro, com destaque para aquele que pode ser o primeiro superávit primeiro para o mês nos últimos quatro anos.
Assembleia dos servidores
No cenário político, as discussões sobre o Orçamento, em especial no que diz respeito ao reajuste dos servidores, seguem dominando o noticiário.
Mesmo após o presidente Jair Bolsonaro voltar atrás em seu aceno de um possível aumento de salário aos policiais federais, uma de suas bases eleitorais, as tensões seguem em alta na Receita Federal.
Mais de 730 delegados do órgão entregaram seus cargos em todo o país. A ausência das chefias já é sentida em todas as áreas da Receita, mas afeta especialmente as alfândegas, portos e aeroportos.
Para resolver o impasse, está prevista para às 10h30 de hoje uma assembleia conjunta de diversas categorias de servidores públicos. O objetivo da mobilização é decidir os próximos passos da campanha pelo aumento salarial.
Agenda do dia
- FGV: Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (08h00);
- Tesouro: Resultado fiscal do governo central;
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