Não faltaram decepções: Ibovespa recua mais de 3% na semana, com economia vacilante e tensão antes do 7 de setembro
O Ibovespa teve uma semana e tanto. A variante delta começa a mostrar que pode ser um risco efetivo para a economia global, enquanto Brasília se prepara com receio para o feriado.

Não tem como negar que a semana foi de decepções e de concretização de uma profecia que muito vinha perturbando o mercado financeiro nos últimos meses — os estragos que a variante delta pode fazer.
Dados econômicos diversos da China, Europa e Estados Unidos mostram uma recuperação mais lenta do que o esperado e os primeiros sinais do que a variante delta pode causar. A lentidão na economia pesa nas commodities, já que a retomada da demanda fica cada vez mais incerta, mas a cereja do bolo veio hoje.
O payroll, relatório com dados do mercado de trabalho americano, frustrou em muito a expectativa do mercado, com impacto direto da nova variante do coronavírus, confirmando os temores expressados por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em seu discurso feito na semana passada.
Ao mesmo tempo que os números confirmam uma recuperação mais lenta, também indicam que o Fed pode demorar para retirar os estímulos. Os investidores locais até tentaram pegar carona em algum otimismo, mas por aqui os números da semana não foram melhores.
O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre recuou, a produção industrial caiu e o país segue com mais de 14 milhões de desempregados. Além disso, a saúde fiscal brasileira segue comprometida e as reformas parecem ainda distantes de serem aprovadas.
Isso sem falar na mordida do Leão na distribuição de lucros e dividendos. Apoiado na alta do setor de commodities, o Ibovespa conseguiu fechar o dia em alta no último minuto, avançando 0,22%, aos 116.933 pontos, mas o acumulado da semana mostra uma queda de 3,10%. Para Marcio Lórega, gerente de research do Pagbank, o Ibovespa pode não ter chegado ao seu fundo ainda e só deve engatar um movimento de alta mais expressivo se engatar uma alta acima dos 121 mil pontos.
Leia Também
O dólar à vista fechou a sexta-feira praticamente estável, em leve alta de 0,03%, a R$ 5,1845, com um leve recuo de 0,21% na semana, mas os últimos dias foram de grande volatilidade para a moeda americana, que exibiu um forte fluxo comprador nas últimas sessões. Hoje, o resultado foi influenciado pela redução de liquidez nos Estados Unidos, já que na segunda-feira (6) é feriado por lá.
A curva de juros seguiu inclinando e já mostra novamente os vencimentos para janeiro de 2027 acima dos 10%. Os últimos dias foram complicados, mas eles podem ficar ainda mais. O feriado de 7 de setembro se aproxima e, com ele, o temor de que a crise institucional que reina em Brasília ganhe novos capítulos.
Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro faz ameaças e tenta insuflar seus apoiadores para as celebrações do dia da Independência. Hoje ele voltou a flertar com uma ruptura institucional indigesta ao mercado.
Em uma tentativa de ganhar mais apoio para os atos do dia da Independência, o presidente disse que não irá sair das linhas da Constituição, mas que "duas pessoas precisam entender o seu lugar", sem citar diretamente os desafetos Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, ministros do Supremo Tribunal Federal.
A movimentação do chefe do Executivo, somada às dificuldades que o governo tem tido para a aprovação de reformas e privatizações, aumenta ainda mais a cautela do mercado com relação aos riscos político e fiscal. Veja como fecharam os principais vencimentos dos DIs:
- Janeiro/22: de 6,85% para 6,84%
- Janeiro/23: de 8,67% para 8,67%
- Janeiro/25: de 9,77% para 9,83%
- Janeiro/27: de 9,93% para 10,30%
Depois de uma semana de muita especulação e mal estar, o Banco do Brasil anunciou que não irá se retirar da Febraban. E mais uma vez celebridades são destaques no noticiário corporativo. Depois de Anitta no Nubank, agora é a vez de Luciano Huck desembarcar no conselho do Banco Pan. Já a Sinqia reforçou o caixa com uma nova oferta de ações que movimentou R$ 400 milhões.
Refazendo os cálculos
O mercado de trabalho americano vacilante e os impactos ainda desconhecidos da variante delta mundo afora, além do discurso acomodatício feito por Jerome Powell na semana passada, alimentam mais uma vez as apostas em um adiamento da retirada dos estímulos monetários na maior economia do mundo.
Os investidores começam agora a questionar quando e se a redução do ritmo da recompra de ativos pelo banco central americano irá acontecer ainda em 2021.
A divulgação do payroll na parte da manhã, bem abaixo do que estava sendo projetado pelo mercado, motivou duas leituras. Por um lado, o número de vagas de trabalho criadas foi o equivalente a apenas um terço da mediana das expectativas do mercado, e veio bem abaixo do piso das projeções. Por outro, a taxa de desemprego veio em linha com o esperado, caindo de 5,4% para 5,2% em agosto.
Números mistos, reações mistas. Wall Street seguiu sem fôlego ao longo de todo o dia e somente o Nasdaq, apoiado no avanço das techs, teve forças para renovar mais uma vez o seu recorde histórico de fechamento.
- Nasdaq: 0,21% - 15.363 pontos ?
- S&P 500: -0,03% - 4.535 pontos
- Dow Jones: -0,21% - 35.369 pontos
V ou U?
A decepção com a queda de 0,1% do PIB talvez tenha sido a mais impactante dos últimos dias. Principalmente quando lembramos que a taxa de desemprego melhorou, mas ainda é de 14,1%, atingindo 14,4 milhões de brasileiros, e que a produção industrial patinou e caiu 1,3%, mais do que o projetado pelo mercado.
O ministro Paulo Guedes segue acreditando que a economia brasileira deve seguir o caminho da recuperação acelerada, mas os analistas e economistas se mostram um pouco céticos. Isso porque a queda do PIB traz sinais alarmantes para os próximos meses.
A demanda ainda se encontra reprimida, as famílias tem consumido menos, e a indústria tem investido menos no seu crescimento — elementos que devem se deteriorar ainda mais nos próximos meses caso a inflação continue pressionando e os juros sejam elevados acima do seu patamar neutro.
Por isso, diz o gestor de investimentos da Warren, Igor Cavaca, o mercado financeiro deve continuar acompanhando com lupa as mudanças de projeções do Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central.
“O PIB abaixo do esperado alinha-se com os resultados dos indicadores econômicos dos meses anteriores, confirmando que estamos com a atividade mais fraca, inflação crescente e políticas monetárias mais contracionistas.”
- Igor Cavaca, gestor de investimentos da Warren.
Bandeira mais do que vermelha — escassez hídrica
Uma das principais razões para o mercado alimentar pessimismo para os próximos meses é o impacto que a crise hídrica pode trazer para a economia brasileira. Além de pressionar os índices de inflação, a situação pesa negativamente sobre a produção industrial e também o agronegócio.
O governo segue descartando a possibilidade de um racionamento de energia, e Cavaca acredita que as medidas de diversificação de matriz energética após a crise de 2001 devem dar conta do problema. Mas o mercado não está tão otimista e começa a trabalhar com a possibilidade de um “apagão”.
Enquanto isso, é a conta de energia elétrica que fica mais cara. Nesta semana, a antiga bandeira tarifária vermelha 2 foi rebatizada e agora passa a se chamar "escassez hídrica". E essa não foi a única mudança. A partir de setembro a taxa extra da conta de luz também fica mais salgada, subindo mais de 50%.
Subindo no telhado
A aprovação surpresa da reforma do Imposto de Renda deixou um gosto amargo na boca dos investidores. Contrariando o que havia sido prometido pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, o texto foi aprovado às pressas e trouxe elementos que desagradaram o mercado.
A alíquota de IR para empresas caiu menos do que o esperado, enquanto a taxação de dividendos - que inicialmente seria de 20% - ficou em 15%. No Senado, a tendência é que o texto encontre resistência, ainda mais depois de a Casa ter reprovado a flexibilização de regras trabalhistas propostas pelo governo.
Nesta semana, a Eletrobras deu mais um passo em direção ao seu processo de privatização, mas as derrotas recentes do governo voltam a minar a confiança do mercado de que a operação pode, de fato, sair do papel.
Sobe e desce do Ibovespa
Segundo o economista Nicolas Borsoi, da Nova Futura Investimentos, a semana foi marcada pela busca por segurança, o que se refletiu não só no câmbio e na curva de juros, mas também nos setores prediletos dos investidores nos últimos dias.
Assim, o setor de materiais básicos e Utilities (concessionárias de serviços públicos, como empresas de energia elétrica e saneamento), ficaram com as melhores posições. Vale lembrar que a nova tarifa de energia e a deterioração do cenário hídrico pressionam as companhias de energia.
Embalada pela perspectiva de venda de ativos por parte da Petrobras e da Novonor (ex-Odebrecht), a Braskem mais uma vez teve uma semana de desempenho positivo. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 66,62 | 6,42% |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 6,99 | 6,23% |
| ASAI3 | Assaí ON | R$ 18,21 | 4,66% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 13,62 | 2,87% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 22,24 | 2,49% |
Com todo mundo querendo se proteger da chuva que pode chegar nos próximos dias, o setor de consumo e o imobiliário tiveram dias ruins. Borsoi explica que os investidores preferiram se desfazer de ações mais cíclicas para migrar para setores mais defensivos. Confira também as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| VIIA3 | Via ON | R$ 9,69 | -10,86% |
| CYRE3 | Cyrela ON | R$ 19,03 | -10,70% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 64,21 | -10,65% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,59 | -10,07% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 3,05 | -10,03% |
TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE