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Governo culpa centros de processamento de criptomoedas por blackouts devido à ‘sobrecarga energética’ da rede de mineração; ao mesmo tempo, Irã usa o bitcoin para amenizar sanções bancárias dos EUA
Ao longo das últimas semanas, os iranianos vêm lidando com a falta de energia elétrica, semáforos desligados e rodovias sem iluminação na capital Teerã e outras metrópoles do país. O que chama a atenção em meio ao caos, porém, é o posicionamento do governo iraniano, que achou um culpado inusitado para o problema: o bitcoin.
Segundo as autoridades públicas, os centros de processamento das moedas digitais – conhecidos como "fazendas" – exigem uma grande quantidade de eletricidade para alimentar os computadores responsáveis pela mineração, sobrecarregando o sistema energético nacional.
Assim, sob esse pretexto, o governo fechou 1,6 mil centros de mineração clandestinos, por meio de batidas policiais, e legalizados em todo o território, segundo informações obtidas pela Associated Press (AP).
Esses locais contam com máquinas potentes usadas para processar algoritmos altamente complexos, que verificam transações realizadas com a moeda.
Em entrevista à AP, o porta-voz do departamento de fornecimento de eletricidade do Irã, Rajabi Mashhadi, afirmou que as fazendas ilegais consomem cerca de 260 megawatts de eletricidade por dia, agravando ainda mais a crise energética do país.
"A prioridade é [voltar a prover energia para] residências, comércios, hospitais e lugares sensíveis", disse Mashhadi à agência de notícias.
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A atitude do governo em relação ao bitcoin levanta dúvidas na indústria de criptomoedas.
Apesar de o Irã estar entre os dez países com maior capacidade de mineração de criptomoedas no mundo, com 450 megawatts por dia, o ministério das telecomunicações calcula que a moeda consome menos de 2% da produção energética do país.
Assim, mineradores e especialistas no tema avaliam que o mercado cripto possa estar sendo usado de bode expiatório pelo governo para desviar a atenção dos iranianos, mirando a culpa no alvo errado para maquiar problemas internos do país e esconder possíveis erros da gestão pública.
A perseguição às fazendas legalizadas e ilegais de mineração trouxe à tona contradições do governo iraniano em relação a esse mercado. Ao mesmo tempo que agora reprime, as autoridades usam essa classe de ativo como uma forma de amenizar os danos que os Estados Unidos causaram à economia do país.
Após o ex-presidente americano, Donald Trump, impor sanções ao Irã devido aos conflitos nucleares, o país passou a ver a moeda como uma forma de fugir do radar de Washington, por se tratar de um sistema financeiro paralelo sobre o qual nenhum governo consegue ter influência.
Assim, com a população impedida de acessar redes globais de pagamento, o governo legitimou as transações em bitcoin como uma forma de reduzir os prejuízos econômicos.
Presidentes, políticos, bilionários, atrizes e ganhadores de Prêmios Nobel passaram por essa universidade, unidos pelo lema “Veritas” — a verdade.
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