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O prefeito da multiétnica cidade da Flórida, nos Estados Unidos, quer transformar a região em um novo polo para as criptomoedas
Se você já acompanhou uma pessoa que está de mudança para uma casa nova, deve ter reparado a dificuldade de separar uma série de documentos, fichas, guias, idas (infinitas) ao cartório, além dos mais diversos documentos. O processo chega a demorar dois meses desde a compra até a entrega do imóvel — isso quando o prazo não fica ainda maior.
Agora, imagine que, no futuro, uma rede segura seja capaz de cruzar informações de maneira automática e fazer a validação da transferência do dinheiro e da escritura da casa em poucas horas. O cliente poderia comprar uma casa pela manhã e, no final da tarde, ligar para o caminhão da mudança.
Bom, este último cenário ainda não é possível, mas o mundo já caminha para algo parecido.
Os pagamentos em criptomoedas são o primeiro passo para essa “transformação digital” do mundo imobiliário, e eles já estão acontecendo.
A parte da documentação e de outras especificidades legais envolvidas no processo ainda é analógica, mas a expectativa de quem compra imóveis com criptomoedas já é por uma dinâmica diferente.
O diretor de vendas da imobiliária americana Elite International Realty, Daniel Ickowicz, e o CEO da Unblock Capital, empresa especializada em economia digital, Ricardo Assaf, concederam uma entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro sobre a parceria que vem transformando o modo como as pessoas compram imóveis residenciais com a tecnologia das criptomoedas e da blockchain.
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As primeiras compras utilizando pagamentos em criptomoedas no setor imobiliário acontecem em Miami, a chamada “nova capital do bitcoin (BTC)”. O prefeito da cidade, Francis Suarez, tem incentivado o uso de moedas digitais com planos bastante ambiciosos.
Suarez já afirmou que gostaria de receber seu salário em criptomoedas e realizar o pagamento de todos os funcionários públicos em bitcoin.
Com isso, Daniel Ickowicz viu a primeira notícia de um pagamento em criptomoedas no mercado imobiliário, quando o apresentador Roberto Justus vendeu seu imóvel em Miami com moedas digitais. “Eu não participei da negociação, mas fiquei curioso sobre até onde poderia ir”, comenta.
A transação em si não é muito diferente de um pagamento à vista. O cliente transfere as criptomoedas para uma carteira (wallet) da imobiliária, que passa os documentos para o cliente.
Mesmo que a tramitação dos documentos ainda seja feita pelo modo tradicional, a mentalidade dos clientes já mudou em Miami: ninguém mais quer pagar e esperar dois meses para poder entrar em casa.
Daniel Ickowicz conta de um cliente que, mesmo não realizando o pagamento em criptomoedas, exigiu a conclusão do trâmite legal em 10 dias. Comprar uma casa de manhã e fazer a mudança de tarde é um sonho distante, mas não impossível, acredita Ricardo Assaf.
O mercado imobiliário ainda é muito tradicional, mas nada impede que, um dia, a escritura da sua casa seja um NFT e o processo todo seja feito por meio de um protocolo automatizado.
Por se tratar de um mercado ainda muito novo e cheio de notícias sobre criptomoedas sendo usadas como “dinheiro de tráfico” (o que já foi desmentido várias vezes), o papel de Ricardo Assaf é de fazer a ponte entre as duas partes, tirando dúvidas sobre a transação para o cliente e a imobiliária.
Dessa forma, ele garante a segurança do processo por meio da blockchain, que se torna mais uma opção de pagamento para o cliente.
O método de pagamento preferencial dos clientes acabam sendo as stablecoins, as moedas digitais com lastro em moedas fiduciárias, como o dólar, para evitar a alta volatilidade nas cotações das criptomoedas. A stablecoin mais conhecida, o Tether (USDT), tem paridade de 1 dólar para cada criptomoeda emitida.
Além do Tether, outras stablecoins como USD Coin (USDC) e Pax Dollar (USDP) também são bastante utilizadas pelos clientes, o que não impede que sejam usadas criptomoedas mais tradicionais, como o bitcoin (BTC) e o ethereum (ETH).
“A imobiliária pode oferecer mais uma opção de pagamento ao cliente, que pode pagar com dólar ou com a criptomoeda de preferência”, comenta Daniel Ickowicz. Além disso, o vendedor pode receber sua parte em criptomoedas e mantê-las como investimento ou fazer a conversão para a moeda fiduciária que preferir.
Por outro lado, a alta volatilidade do mercado cripto é levada em conta nessa hora. O cliente acaba tendo um espaço menor de negociação, em especial se a compra for feita em moedas como bitcoin (BTC) ou ethereum (ETH). Isso porque pode ocorrer uma variação de preço repentina, o que compromete o poder de compra daquela cripto.
Ainda entre os pontos negativos, a Elite International Realty ainda opera apenas nos Estados Unidos. A captação de clientes brasileiros, por exemplo, é feita por indicação, o que limita as opções para aqueles que moram aqui, mas desejam comprar casa em Miami.
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