Menu
2020-03-01T19:00:53-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
a conta do novo vírus

Petrobras pode deixar de receber US$ 10 milhões diários por causa do coronavírus

“Perda” diria respeito aos atrasos na entrega de plataformas; sete embarcações foram encomendadas pela estatal a estaleiros da Ásia

1 de março de 2020
19:00
Plataforma P-77 da Petrobras, no campo de Búzios
Plataforma P-77 da Petrobras, no campo de Búzios - Imagem: Petrobras

Os efeitos produzidos pela crise do coronavírus podem levar a Petrobras a deixar de receber até US$ 10 milhões por dia. Essa ‘perda’ diária, dizem especialistas, seria causada pelos atrasos na entrega de plataformas.

Sete embarcações foram encomendadas pela estatal a estaleiros da Ásia, principalmente na China, Cingapura e Coreia do Sul, os três países mais afetados pela epidemia até agora.

A construção de uma plataforma dura anos e representa o maior custo de um projeto de produção de petróleo. As empresas petroleiras acompanham de perto as obras, para evitar que os cronogramas de entrega sejam estendidos e para garantir que as plataformas comecem a produzir e a gerem receita o quanto antes.

A Petrobras, como suas concorrentes, corre contra o tempo. Uma fila de plataformas foi planejada para os próximos quatro anos, o que vai ajudar a empresa a avançar rapidamente no pré-sal. Para o ano que vem é esperada a entrega de duas unidades. São obras que já estão na reta final e, por isso, devem ser as mais afetadas e têm mais chance de atrasar.

Uma plataforma tem capacidade de produzir 150 mil barris de petróleo por dia, algumas um pouco mais. Considerando a cotação do óleo de US$ 52 na semana passada, é possível estimar que a cada 24 horas sem produzir a Petrobrás deixa de ganhar US$ 7,8 milhões.

Somado a isso há a receita gerada pela extração de gás natural, o que eleva a conta a US$ 10 milhões, segundo cálculo de Carlos Maurício Ribeiro, sócio do Vieira Rezende Advogados.

A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que “as informações existentes até o momento sobre os impactos do coronavírus na economia mundial não permitem que sejam feitas projeções seguras sobre as consequências para as operações da companhia”.

As consequências nos projetos da estatal vão depender da extensão da crise e da sua difusão pelo mundo, salientou Ribeiro. Por conta da transição energética, que vai impor cada vez mais preços mais baixos aos combustíveis fósseis, companhias petroleiras do mundo todo correm contra o tempo para transformar suas reservas de petróleo em dinheiro. Com isso, cada dia de atraso de um projeto tem um custo maior para as empresas.

A crise atual ainda pode gerar novos problemas à gestão da Petrobrás, que aposta na venda de ativos para reduzir o endividamento. Um deles é a desistência das empresas chinesas em adquirir um conjunto de refinarias.

Os diretores da estatal têm dito que o negócio está atraindo o interesse de muitos investidores. A tendência é que sejam especialmente interessantes para os chineses, que têm a preocupação de garantir combustível para o consumo interno e apostado alto no Brasil nos últimos anos.

Refinaria

“O problema é ter alguma proposta para as refinarias que não tenha a participação dos chineses. Se a desistência dos chineses não inviabilizar a compra das refinarias, certamente terá consequências na competição e, portanto, no preço de venda”, disse Rodrigo Leão, economista e coordenador de pesquisa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Ele destaca ainda que quase um quarto da receita da estatal depende das exportações e que a China responde atualmente por 65% desse total. Em recente coletiva de imprensa para apresentar o resultado financeiro do ano passado, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, admitiu que o país asiático continuará a ter um peso relevante no comércio do seu petróleo cru, embora a Petrobrás esteja procurando novos consumidores.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Adriano Pires avalia ainda que navios de gás natural liquefeito são construídos na Ásia e que, com a crise do coronavírus, deve ter atraso nas entregas, o que pode afetar os valores de comercialização desse produto. “No fim das contas, a China é a grande fábrica do mundo e o cenário atual faz a gente refletir que depender muito da China é complicado”, avalia.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

comércio eletrônico

Desde o início da pandemia, e-commerce brasileira já ganhou 135 mil lojas

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), desde o início da pandemia mais de 135 mil lojas aderiram às vendas pelo comércio eletrônico para continuar vendendo e mantendo-se no mercado

atualização dos dados

Brasil tem 1,66 milhão de casos confirmados do novo coronavírus

Foram 1.254 novas mortes e 45.305 novas pessoas infectadas registradas nas últimas 24 horas, conforme atualização do Ministério da Saúde divulgada hoje

destravando o crédito

Banco do Brasil atinge R$ 3,3 bilhões em empréstimos no Pronampe em dois dias

Banco do Brasil se aproxima, assim, da meta de esgotar os recursos da iniciativa, aposta do governo Bolsonaro para destravar o crédito, ainda nesta semana

Prévia operacional

MRV bate recorde de vendas no 2º trimestre, totalizando R$ 1,81 bi e 11,5 mil unidades

Segundo prévia operacional, companhia também bateu recorde de volume de repasses, graças à regularização do Minha Casa Minha Vida

seu dinheiro na sua noite

A bolsa cheia e um restaurante vazio

Depois de quase quatro meses em home office, voltei a pisar hoje na redação do Seu Dinheiro. Foi uma passagem de um único dia para tratar de alguns assuntos com a Marina Gazzoni. Ela já retomou a rotina de vir ao nosso escritório duas vezes por semana, enquanto eu sigo na equipe que está em home […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements