🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Estadão Conteúdo

Impacto profundo

Crise fecha 50 mil empresas do setor de turismo em todo o país

Estudo revela a extinção de 16,7% dos estabelecimentos do setor entre março e agosto

Crise no Brasil - Imagem: Shutterstock

O restaurante Albertina, na zona Oeste de São Paulo, retrata o atual cenário do setor turístico no País. Atropelado pelos efeitos da pandemia, o estabelecimento anunciou em julho passado o encerramento de suas atividades, depois de mais de cem dias de portas fechadas. "Ninguém quer fechar, porque significa demitir pessoas e desistir de um investimento econômico, pessoal e profissional. É uma decisão pesada, mas às vezes é necessário, precisa ser feito", contou o chef Bruno Alves, que agora se dedica a jantares para grupos fechados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast, mostra que a situação de Alves está longe de ser isolada. Segundo a entidade, com a fuga dos habituais visitantes 50 mil estabelecimentos turísticos tiveram de fechar as portas de março a agosto. São bares, restaurantes, hotéis, pousadas, agências de viagens e serviços de transportes, cultura e lazer.

O número representa a extinção de 16,7% dos estabelecimentos turísticos do País, especialmente bares e restaurantes (com o fechamento de 39,5 mil pontos), hotéis, pousadas e similares (5,4 mil) e transporte rodoviário (1,7 mil).

"Tem gente fazendo obra em hotel porque não adianta abrir agora, melhor esperar a pandemia passar, abrir tem custos associados. O setor aéreo preocupa muito também, porque a crise pode levar a uma concentração ainda maior do mercado, com reflexos nos preços das passagens aéreas", disse o economista Fabio Bentes, responsável pelo estudo da CNC, que teve dados compilados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Todas as unidades da Federação perderam empresas turísticas, com destaque para São Paulo (redução de 15,2 mil estabelecimentos), Minas Gerais (5,4 mil), Rio de Janeiro (4,5 mil) e Paraná (3,8 mil).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda de acordo com o estudo, em seis meses de pandemia foram fechados 481,3 mil empregos formais no setor ligado ao turismo. "O impacto dessa mortandade de empregos no mercado de trabalho é gigantesco. O setor tinha 3,4 milhões de trabalhadores formais antes da pandemia. Houve uma destruição de quase 14% dos empregos no setor", avaliou Bentes.

Leia Também

O restaurante Albertina tinha sete funcionários e três sócios. O Caverna, bar da zona Sul do Rio, teve o mesmo destino, com a dispensa dos 10 empregados contratados com carteira assinada e mais quatro temporários de fim de semana. "Só delivery não segura o faturamento. Com a reabertura dos primeiros estabelecimentos, voltaram a cobrar o aluguel cheio, a conta de luz também, os custos subiram muito e o delivery perdeu a atratividade", contou Pedro Aliperti, sócio Caverna, que leiloou objetos de decoração do bar para saldar as dívidas. "Não saio zerado, mas pelo menos não estou devendo nada a ninguém."

Ociosidade

O setor turístico explorou apenas 26% do seu potencial de geração de receitas nos meses de crise, deixando de faturar R$ 207,85 bilhões entre a segunda quinzena de março e o fim de setembro, calculou a CNC. O pior momento ocorreu em março e abril, quando o volume de serviços turísticos prestados no País despencou 68,1%, conforme apurado pela Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em julho, o setor ainda operava 56,6% aquém do patamar pré-pandemia. "Há dentro do setor turístico perdas muito importantes na parte de locação de automóveis, alojamento e alimentação, agências de viagens, serviços de buffet, criação artística", enumerou Rodrigo Logo, gerente da pesquisa do IBGE.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Manoel Linhares, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), as medidas do governo voltadas para sustentação do emprego e concessão de crédito ajudaram a evitar perdas maiores no setor, mas a ocupação na rede de hotelaria permanece baixa. "A ocupação média está em 20% da capacidade total. O hoteleiro precisa de 50% de ocupação para pagar os custos, então ele teve que diminuir gastos, dispensar funcionário", justificou Linhares.

"Vendas internacionais estão fracas. No doméstico, beiramos 70% de um ano atrás", contou Leonel Andrade, presidente CVC Corp, dona da operadora de viagens CVC, ao comentar o prejuízo líquido de R$ 1,151 bilhão no primeiro trimestre de 2020.

A companhia acredita que deva ganhar mercado, uma vez que o tamanho da companhia em relação à concorrência dá mais condições de resistir ao momento difícil. "Provavelmente, vamos ganhar marketshare com a crise, mas não é algo para celebrar."

A ABIH prevê uma retomada lenta e gradual do setor e aposta numa campanha para convencer o brasileiro a voltar a viajar pelo País. "A recuperação virá pelo turismo regional, de pouca distância, mais rodoviário. A hotelaria está preparada para receber com segurança, os profissionais estão treinados em todos os protocolos para proteger a saúde do turista", disse Linhares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Perda generalizada

Com o setor de hotelaria afetado pela pandemia do coronavírus, Alfredo Miguel viu o seu negócio ser atingido também. Dono do Grupo Bonjardim, que presta serviços de restaurante para redes de hotéis, ele reduziu de 300 para 80 a sua equipe de funcionários, mas não precisou fechar nenhuma das 15 unidades. "Estamos sendo bastante prejudicados também. Mas vamos levar enquanto der." Segundo ele, não foi possível pegar o crédito oferecido pelo governo porque o faturamento estava acima do permitido para a liberação.

O Bonjardim tem um contrato vigente com um hotel em Salto (SP), mas as atividades foram suspensas e a retomada ainda é uma incerteza. Por isso, os 15 funcionários dessa unidade tiveram de ser dispensados no começo de abril. Miguel vislumbra uma melhora do setor com a chegada de uma vacina. "Se a vacina vier em dezembro, a coisa sara. Mas se vier só em março, aí (a melhora) é só para junho do ano que vem", disse.

O presidente do SinHoRes Osasco - Alphaville e Região, Edson Pinto, tem a mesma opinião. "A questão da vacina é fundamental para a retomada da confiança, mas temos em São Paulo os melhores protocolos higiênico-sanitários do Brasil e a melhor performance na sua execução prática."

A falta de clientes também é um grande problema para Martin Jensen, diretor-presidente da Queensburry, agência de turismo de luxo. A equipe, que antes era de 116 funcionários, caiu para 24, e a empresa entrou em recuperação judicial. "Depois de março, não tive nenhuma venda completa do pacote internacional. E houve mais de mil cancelamentos de viagens. Março foi um dilúvio, um tsunami, um pesadelo."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EM BREVE

Calendário do PIS/Pasep 2026 começa em fevereiro; confira quando o abono cai na conta

7 de janeiro de 2026 - 5:45

Pagamentos do abono salarial seguem mês de nascimento ou número de inscrição e vão até agosto 

AUMENTOU

INSS reajusta piso em 2026: benefício agora parte de R$ 1.621 com novo salário mínimo

6 de janeiro de 2026 - 15:15

Reajuste de 6,79% entra em vigor em janeiro; os pagamentos com o valor reajustado seguem o calendário oficial do INSS 

INVESTIGADO

Banco Central questiona decisão do TCU em relação à investigação do Master, e embate ganha novo capítulo

6 de janeiro de 2026 - 13:43

O BC entrou com um embargo de declaração no TCU, para questionar a decisão de investigá-lo no processo de análise do Banco Master; veja qual o risco da liquidação ser revertida

APENAS EM JANEIRO

Simples Nacional 2026: pequenas empresas podem migrar para o regime neste mês 

6 de janeiro de 2026 - 12:40

O prazo para solicitar o enquadramento termina em 30 de janeiro, último dia útil do mês

SUPERCOMPUTADOR

Jaci, o supercomputador que conecta ciência de ponta e saber ancestral para evitar desastres naturais

6 de janeiro de 2026 - 10:35

Novo sistema do Inpe substitui o Tupã e amplia velocidade e a precisão das previsões metereológicas e climáticas 

BRILHO SOLITÁRIO

Lotofácil deixa 5 pessoas mais perto do primeiro milhão; Mega-Sena volta hoje depois de Mega da Virada conturbada

6 de janeiro de 2026 - 7:11

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores no primeiro sorteio da primeira semana cheia de 2026. Mesmo com bola dividida, sortudos estão mais próximos do primeiro milhão.

COMEÇA ESSE MÊS

Calendário do BPC/LOAS 2026: veja quando o pagamento do benefício cai

6 de janeiro de 2026 - 5:50

Benefício assistencial segue o calendário do INSS e é pago conforme o número final do BPC 

ATENÇÃO AO PRAZO

MEI já pode entregar a declaração anual de faturamento; veja como preencher o documento

5 de janeiro de 2026 - 16:52

O microempreendedor individual deve informar quanto faturou e se teve algum funcionário em 2025 por meio da DASN-SIMEI

ALÉM DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Robôs humanoides, data centers gigantes e biotecnologia: as oito teses que definirão a economia e os investimentos em 2026

5 de janeiro de 2026 - 15:29

Relatório da Global X compilou as tendências globais que devem concentrar capital para desenvolvimento nos próximos anos

BOLETO DO MEI

Valor da contribuição mensal do MEI muda em 2026; veja quanto fica

5 de janeiro de 2026 - 10:40

O aumento do salário mínimo para R$ 1.621 também altera a contribuição mensal do microempreendedor individual

PREVIDÊNCIA SOCIAL

Calendário do INSS 2026: confira as datas de pagamento e como consultar

5 de janeiro de 2026 - 9:33

Aposentados e pensionistas já recebem com valores corrigidos pelo novo salário mínimo; depósitos seguem o número final do benefício  

ANOTE NO CALENDÁRIO

Feriados 2026: veja quando caem as primeiras folgas do ano

5 de janeiro de 2026 - 7:01

Calendário de 2026 tem maioria dos feriados em dias úteis e abre espaço para fins de semana prolongados ao longo do ano

BOMBOU NO SD

Vencedor da Mega da Virada que jogou o prêmio no lixo, dividendos sendo tributados e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

4 de janeiro de 2026 - 17:30

Mega bilionária, novos impostos e regras do jogo: o que bombou no Seu Dinheiro na primeira semana do ano, entre a corrida pelo prêmio da Mega da Virada e a estreia da tributação sobre dividendos

VEJA O CRONOGRAMA

Eleições 2026: quando o jogo começa para eleitores, partidos e candidatos

4 de janeiro de 2026 - 16:00

Cronograma reúne datas-chave para eleitores, partidos e candidatos ao longo de 2026

POLÍTICA COMERCIAL

Agro cobra reação rápida do Brasil à taxação chinesa para evitar impacto no mercado

4 de janeiro de 2026 - 13:35

Bancada afirma acompanhar o tema com preocupação e alerta para riscos ao mercado e à renda do produtor no início de 2026

CALENDÁRIO 2026

Calendário Gás do Povo 2026: botijão passa a ser gratuito e governo amplia o acesso ao gás de cozinha

4 de janeiro de 2026 - 12:08

Novo programa substitui o Auxílio Gás e garante recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias de baixa renda

CALENDÁRIO 2026

Calendário do Pé-de-Meia 2026: confira quando o governo paga os incentivos do ensino médio

4 de janeiro de 2026 - 6:51

Programa funciona como uma poupança educacional, paga até R$ 9.200 por aluno e tem depósitos ao longo do ano conforme matrícula, frequência, conclusão e participação no Enem

BOLSA FAMÍLIA 2026

Calendário do Bolsa Família 2026: confira quando começam os pagamentos e quem pode receber

4 de janeiro de 2026 - 6:30

Pagamentos começam em 19 de janeiro e seguem até o fim do mês conforme o final do NIS; benefício mínimo é de R$ 600

REPRECUSSÕES DA OPERAÇÃO

Do petróleo ao bitcoin (BTC): como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os mercados

3 de janeiro de 2026 - 18:40

O conflito pode elevar a percepção de risco de toda a América Latina, inclusive do Brasil, segundo analista da RB Investimentos

MAIS UM SORTUDO DE 2026

Lotofácil 3577 faz um novo milionário, enquanto outras loterias ficam pelo caminho; confira os sorteios deste sábado

3 de janeiro de 2026 - 11:02

A Lotofácil volta a correr neste sábado, 3, no valor de R$ 1,8 milhão, porém ela não é a única a sortear uma bolada

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar